Crowne – “Wonderland” (2025)
Frontiers Music | Shinigami Records
#MelodicRock #AOR #HardRock
Para fãs de: H.E.A.T., Dynazty, Eclipse, Art Nation, The Night Flight Orchestra, Europe
Texto por Johnny Z.
Nota: 8,5
Depois de dois álbuns que já haviam chamado a atenção dos fãs de hard e metal melódico, o supergrupo sueco Crowne retorna em 2025 com “Wonderland”, seu trabalho mais coeso e empolgante até aqui. O disco consolida a química entre músicos que já são velhos conhecidos da cena: Alexander Strandell (Art Nation) nos vocais, Jona Tee (H.E.A.T.) nos teclados e produção, Love Magnusson (Dynazty) na guitarra, John Levén (Europe) no baixo e Christian Lundqvist (The Poodles) na bateria. É um time de veteranos, e isso fica claro desde o primeiro acorde.
A faixa-título, “Wonderland”, abre o álbum de forma explosiva, mostrando o equilíbrio certeiro entre peso e melodia que define o som da banda. Produção cristalina, refrão grudento e vocais inspirados — tudo no ponto. O que se ouve aqui é hard rock moderno com pegada de arena, polido e energético na medida.
Na sequência, “In the Name of the Fallen”, “Losing My Faith” e “Love Thy Enemy” reforçam a vocação da banda para criar refrães que funcionam de imediato, mas sem abrir mão da técnica. As guitarras de Magnusson são afiadas, com solos precisos e feeling de sobra, enquanto os teclados de Tee moldam a atmosfera sem soar datados. É aquele tipo de som que poderia muito bem tocar tanto em grandes festivais quanto no rádio, se o mainstream ainda desse espaço para esse tipo de rock bem feito.
Claramente notamos que “Wonderland” é o álbum mais maduro do grupo — e com razão. Há uma sensação de propósito em cada faixa. Em “Waiting for You”, por exemplo, o Crowne entrega um dos momentos mais empolgantes do disco, com bateria pulsante e refrão de levantar plateia. Já “Warlords of the North”, coescrita por Biff Byford (Saxon), adiciona um tempero mais tradicional, quase épico, que mostra o alcance da banda entre o AOR e o heavy clássico.
Mesmo sem reinventar a roda, o Crowne acerta ao lapidar seu som. A produção de Jona Tee é limpa, poderosa e moderna — tudo soa grande, bem definido, com espaço para cada instrumento respirar. O vocal de Strandell é outro destaque incontestável: carismático, cheio de alcance e emoção, ele conduz as faixas com autoridade e entrega.
É verdade que alguns momentos soam previsíveis, especialmente para quem já acompanha o estilo. Mas isso não é um defeito — é a segurança de uma banda que sabe o que faz e entrega exatamente o que o público quer ouvir. “Wonderland” não tenta ser algo que não é; prefere ser o melhor Crowne possível, e consegue.
Em um cenário em que o Hard Rock e o AOR moderno às vezes parecem se perder entre clichês e fórmulas, o Crowne prova que ainda há espaço para discos bem escritos, produzidos com esmero e paixão.
“Wonderland” é um disco vibrante, melódico e sincero — daqueles que, em qualquer momento em que você só quer relaxar e aproveitar boa música sem rótulos, reafirma o prazer de ouvir músicos experientes tocando com alma, entrega e paixão.





