Gorefest – “Soul Survivor & Chapter 13” (1996/1998) (Relançamento 2025)

Gorefest
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Gorefest – “Soul Survivor & Chapter 13” (1996/1998)
(Relançamento 2025)

Nuclear Blast Records | Shinigami Records
#DeathMetal #DeathNRoll #GrooveMetal #NuMetal

Para fãs de: Carcass (era “Swansong”), Entombed (era “Wolverine Blues”), Six Feet Under

Texto por Lucas David

Nota: 8,0

Quando falamos de Gorefest, a primeira imagem que vem à mente é a de um Death Metal cru e pesado, especialmente por se tratar de uma banda que tem em sua bagagem álbuns como “Mindloss” (1991) e “False” (1992). No entanto, o grupo sempre mostrou — mesmo que em pequenas doses — que não seria apenas mais uma banda de metal extremo seguindo cegamente a cartilha do gênero, aventurando-se em passagens mais grooveadas e, posteriormente, no Death ‘n’ Roll, já perceptível em “Erase” (1994).

Em 1996, a banda resolveu dar o próximo passo e lançou “Soul Survivor”, uma evolução natural do que havia sido apresentado em “Erase”. Aqui, o Gorefest ampliou ainda mais a conexão com o Rock ‘n’ Roll e o metal tradicional, buscando não repetir a fórmula anterior, mas apresentar algo mais ousado e inovador. Essa nova fase pegou alguns fãs de surpresa — especialmente pelas mudanças no logotipo e nas capas dos discos —, mas sem abandonar o peso e a atitude agressiva de outrora.

Embora não seja um álbum rápido e brutal como os anteriores, os elementos que tornam o Gorefest inconfundível estão todos presentes. Desde “Mindloss”, a banda sempre quis destacar a construção dos solos em suas composições, e em “Soul Survivor” isso fica ainda mais evidente. Boudewijn Bonebakker faz questão de colocar a guitarra solo como a alma de cada faixa, enquanto Frank Harthoorn adiciona melodias simples, porém densas, com o groove característico das partes lentas e dos arranjos.

Entre os novos elementos incorporados neste trabalho, destacam-se os teclados em faixas como “Forty Shades”, “River”, “Electric Poet” e “Dragon Man”, que adicionam uma atmosfera intensa e reforçam as melodias das guitarras. Há também o uso de violões acústicos (em “River”), pedais de wah (“Forty Shades”), variações vocais com efeitos pop (“Demon Seed”) e vocais sussurrados (“Dragon Man”), afastando a banda de um Death Metal puro e transformando o disco em uma verdadeira obra de Death ‘n’ Roll.

Seguindo a linha experimental de “Soul Survivor”, o Gorefest lançou “Chapter 13” em 1998, um álbum que recebeu uma reação mais fria por parte dos fãs, já que o Death Metal foi praticamente deixado de lado em favor de um som mais leve — ainda pesado, mas com uma pegada moderna e distinta dentro da discografia.

As músicas ganharam toques de modernidade e pitadas de industrial, lembrando nomes como White Zombie e Marilyn Manson, principalmente pelo ritmo mais seco e pelos vocais de Jan-Chris de Koeijer. A faixa-título abre o disco com energia e um refrão marcante, mostrando a direção que o álbum seguiria, com claras influências do Nu Metal. “Nothingness”, “Smile” e “The Idiot” mantêm o embalo, com riffs sólidos de Frank e Boud e letras instigantes de Koeijer. Já “Burn Out” começa com um violão acústico, evoluindo para um groove pesado com baixo pulsante e marcante. Outro destaque é a impressionante performance de Ed Warby: sua bateria foge do padrão do Death Metal, mas transita com precisão entre estilos, cheia de pegada e criatividade — um dos grandes trunfos do disco.

Com esses dois álbuns, o Gorefest saiu de sua zona de conforto e provou que uma banda pode construir uma discografia sólida e relevante mesmo se distanciando do que o público espera. Está longe da sonoridade dos primeiros anos, mas enquanto “Soul Survivor” representa um aceno a áreas mais “leves”, ainda com a sujeira característica do grupo, “Chapter 13” mergulha de vez em um território novo e ousado — e, mesmo não sendo o favorito da maioria, é um trabalho honesto e cheio de personalidade.

Este relançamento serve como uma ótima oportunidade para revisitar (ou redescobrir) essa fase experimental do Gorefest — uma segunda chance para quem, à época, torceu o nariz, mas que hoje pode encontrar nesses discos excelentes composições, muita atitude e técnica refinada. Ouça e tire suas próprias conclusões.

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