Crypta – “Shades Of Sorrow” (2023)
Napalm Records | Shinigami Records
#DeathMetal
Para fãs de: Death, Morbid Angel, Immolation, Pestilence
Texto por Johnny Z.
Nota: 9,0
Toda nova banda, e mais ainda aquelas que surgem devido a separações de outras grandes bandas, tendem a sempre lançar um álbum de estreia tão bom quanto qualquer coisa feita em sua ex-banda. Com “Echoes Of The Soul”, lançado em 2021, Fernanda Lira (vocal/baixo) e Luana Dametto (bateria), ambas ex-Nervosa, juntamente com as guitarristas Tainá Bergamaschi e Sonia Anubis (hoje ex-guitarrista), mostraram que não estavam para brincadeira e lançaram um excelente álbum de estreia, impressionando a maioria dos fãs de Death Metal, especialmente os fãs do Death e Morbid Angel.
Muitos afirmaram que o som da banda era praticamente idêntico às duas bandas mencionadas e que não trazia nada de novo para o estilo, o que eu, com toda minha humildade e respeito, não discordo, mas não vejo isso como demérito; pelo contrário, qual o problema de seguir os passos de quem realmente fez a diferença? Pensem nisso!
Pois bem, é no segundo álbum que percebemos se uma banda realmente está no caminho certo e não apenas interessada em seguir o básico, já que possui integrantes famosas. Com “Shades Of Sorrow”, é nítido que as meninas, agora com Jéssica Falchi na segunda guitarra no lugar de Sonia, que foi para o Cobra Spell.
A evolução e a inspiração de todas as 13 faixas (14 no Japão) em “Shades Of Sorrow” são incontestáveis, pois o que já era de alto nível ficou ainda maior, e principalmente mais maduro e cativante! A criatividade das melodias, dos riffs e até das letras foram elevadas a níveis gigantescos e intrincados, o que faz o ouvinte se prender na audição do álbum do começo ao fim, algo que “Echoes Of The Soul” não conseguiu fazer comigo – mesmo eu gostando muito dele.
Podemos dizer que esse segundo álbum tem como espinha dorsal o trabalho das guitarras, pois guiam para um lado mais agressivo e impactante, mas ao mesmo tempo super técnico que deixaria o saudoso Chuck Schuldiner orgulhoso.
Gosto de fazer uma comparação – grotesca, mas quem entende de som vai concordar – dizendo que a Crypta é o Death com a voz do Schimier (Destruction), pois Fernanda está cada vez mais selvagem ao se influenciar na voz do alemão, e que isso não seja levado para o lado pejorativo, pois o que Schimier faz é absurdamente genuíno.
A parte instrumental das quatro é pura refinamento e bom gosto, e dar destaque para uma ou outra seria muita injustiça, mas – pessoalmente – eu gostaria de dar uma ênfase um pouco maior às palhetadas de Tainá Bergamaschi. O que essa mulher está tocando é impressionante, e ao vivo é uma máquina (sem brincadeiras fora de contexto aqui, por favor, ok?).
Um álbum coeso e honesto, com uma produção robusta e impecável, que alinha perfeitamente peso, agressividade e melodias super densas com letras inteligentes contra depressão, ansiedade e trauma, e trazendo sempre o fator Old School como fiel escudeiro. Um bom exemplo disso é a brutal faixa “Dark Clouds”, que me lembrou coisas de Suffocation e Dismember. Mas não pensem que a banda vai apenas nessa linha nostálgica, pois em “Poisonous Apathy” e a brilhante “The Outsider”, temos incursões em sonoridades mais modernas e outras ainda mais brutais como o Black Metal, onde Luana dá um show nos ‘blast beats’. “Stronghold”, com suas mudanças geniais de andamento, bem como “The Outsider” e na caótica “The Other Side Of Anger” apostam em um Death Metal cheio de groove, algo nitidamente mais impactante nesse álbum em relação ao anterior.
Meu único ponto negativo, e isso eu assumo que é algo bem pessoal mesmo, são os interlúdios ou faixas introdutórias/fechamento, pois acho eles tão dispensáveis, e no disco temos 3 delas, mas claramente elas têm um fundamento no decorrer da audição do álbum por conta dos climas abordados nas faixas com que elas se ligam. Ao meu ver, a audição seria melhor e mais fluida sem elas.
“Trial Of Traitors” e “Lord Of Ruins”, os dois primeiros singles lançados antes do álbum, já davam ao ouvinte a sensação de que algo extremamente mais feroz e memorável viria, mas “Agents Of Chaos”, “Lullaby for the Forsaken” e “Lift The Blindfold” são a cereja do bolo! Completamente VICIANTES! Os riffs nessas músicas são surreais, e posso assegurar que são os melhores riffs de tudo que a banda já fez até hoje.
Os solos de Jéssica, claramente mais da escola do Heavy Metal, deram uma ambiência especial ao todo, e não ficaram naqueles barulhinhos chatos que muitas bandas de Death Metal gostam de fazer, pois temos melodias e harmonias tipicamente do Heavy Metal clássico, o que combinou muito!
Crypta é uma banda de Death Metal, sim, é, mas temos muito do Thrash Metal em “Shades Of Sorrow” também, o que ao meu ver deixou o trabalho muito mais grandioso e monstruoso.
Se algo bom aconteceu com a separação da Nervosa foi termos agora duas bandas absurdamente A-R-R-A-S-A-D-O-R-A-S e fico pensando aqui o que essas duas bandas ainda vão nos brindar nos próximos anos: NINGUÉM SEGURA ESSA MENINAS!!!!





