
Crystal Viper – “The Cult” (2021)
Listenable Records
#HeavyMetal, #PowerMetal
Para fãs de: FireForce, Wizard
Nota: 7,0
O Crystal Viper é uma banda polonesa de Heavy/Power Metal que já está na estrada há 18 anos. Os fãs da banda já estão acostumados com uma sonoridade que foi construída com cuidado durante essa trajetória, que lentamente migrou do Power Metal clássico para um ponto de clara influência do metal europeu tradicional e oitentista. Apesar de terem feito isso com considerável competência, havemos de convir que é um território perigoso. Bandas que aderem a um estilo mais old school muitas vezes se complicam na hora de se desvencilhar dos grandes clichês do gênero, na tentativa de se expressarem, ao invés de soarem como uma cópia de alguma outra banda que já tenha existido. Após um último álbum (Tales of Fire and Ice – 2019) não muito convincente, o quinteto se arrisca no seu oitavo álbum de estúdio, “The Cult”, vestindo a camisa do Heavy Metal old school e chamando a responsabilidade para si.
A competência da banda está inegável. A vocalista/guitarrista Marta Gabriel está voando baixo, com uma expressão vocal que incorpora totalmente a essência do heavy metal clássico. As composições caíram como uma luva para explorar todo o talento e capacidade vocal da polonesa, que atravessa o disco com uma competência incrível. Uma breve introdução instrumental prepara o terreno para mostrar a atual intenção da banda, que se manifesta na faixa título “The Cult”, caindo em seguida na “Whispers From Beyond”, que abrem o disco com bastante energia e tradicionalismo.
Entretanto, em alguns momentos a banda cai na armadilha mencionada no início desta resenha. O hype do ouvinte tende a diminuir ao longo do álbum, ao sentir que não há nada de novo, nem para o estilo, nem dentro do álbum em si. Muitas canções parecem ter sido criadas ao redor de uma única linha ou intenção melódica – clássico da composição de heavy metal tradicional – mas se agarram a isso como se não tivessem mais nada a oferecer, o que pode se tornar cansativo ao ver que a canção retorna àquele ponto várias e várias vezes. Alguns dos pontos altos de “The Cult” estão justamente nas músicas que se arriscam fora dessa repetitividade, como “Sleeping Giants” e “Asenath Waite”. Além disso, a banda poderia ter explorado um pouco mais as possibilidades de uma formação com três guitarristas.
Por fim, “The Cult” é um bom álbum, que traz uma boa audição. Não muito mais que isso. É bem produzido, e visita o metal tradicional europeu com propriedade e competência. Realmente foi uma ascensão merecida de uma banda que tem trabalhado duro, e após um álbum bastante criticado em 2019. Mas talvez seja o momento do Crystal Viper definir seus objetivos no mapa, e trabalharem ferramentas criativas que ponham a banda no lugar de destaque que merece.
Will Menezes





