Cult of Fire – Burning House, São Paulo/SP (20/05/2026)

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Cult of Fire – Burning House, São Paulo/SP (20/05/2026)

Produção: Caveira Velha Produções | Gerunda Produções
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Pouco mais de três anos após sua última passagem por aqui, e pela terceira vez em nosso país, o Cult of Fire retornou ao Brasil, com data única em São Paulo, na última quarta (20). Dessa forma, com produção da Caveira Velha Produções, em parceria com a Gerunda Produções, a entidade do Black Metal tcheco trouxe a turnê “Mantras For Peaceful Death Over Latin America”, com produção completa de palco, já que seu show é amplamente baseado não somente na música, mas também em muitos elementos visuais.

Logo de início, pela primeira vez, colocaram cortinas no palco do Burning House para ocultar a estrutura montada do público. Assim, às 20h, quando se abriram, revelou-se uma estrutura inacreditável, com estátuas de cobras, um altar cheio de frutas, os guitarristas sentados em pilares e o vocalista Vojtēch Holub trajado como um deus hindu — algo até difícil de mensurar em palavras.

Além disso, o Cult of Fire baseia sua musicalidade e experiência sonora no hinduísmo, com um lado teatral forte e muito expressivo, que, antes mesmo do show começar, já impressiona. Com isso, com diversas velas acesas e um cheiro inebriante de incenso no ar, mergulhou o Burning House em um verdadeiro ritual catártico.

Na sequência, iniciando o show com “Loss”, a banda seguiu com o seu mais recente disco, “The One, Who Is Made of Smoke” (2025), executado em sua totalidade e na ordem original. Consequentemente, isso fez total sentido para a apresentação, já que o aspecto estético atual é baseado nesse trabalho.

Durante esse momento, entre as impressionantes “Anger”, “Dhoom” e “There is More to Lose”, o silêncio pairava na pista; mesmo com alguns poucos presentes batendo cabeça, o clima era tão hipnotizante que a maioria apenas observava, como se estivesse dominada por todo aquele ritual acontecendo diante de seus olhos.

Vale destacar que, com o vocalista usando terços, líquidos e ornamentos, qualquer detalhe poderia passar despercebido, o que torna essa banda tão única e peculiar no cenário extremo.

Posteriormente, a segunda parte do set passeou por vários momentos de sua discografia, como “Satan Mentor” e “Zavet Svetu” (“Triumvirat”, 2012), e principalmente pelo disco que projetou a banda, “Ascetic Meditation of Death” (2013), com “Khanda Manda Yoga” e “Kali Ma”, sendo celebradas por boa parte do público.

De fato, muitos ali tomaram conhecimento da banda através desses álbuns. Ao vivo, suas músicas são simplesmente impressionantes, misturando a estética sonora do Black Metal com o lado esotérico da banda, reforçando o porquê de serem um dos nomes mais “fora da curva” do gênero atualmente.

Já na reta final, a banda encerrou o set principal com “Buddha 5” (“Nirvana”, 2020). Nesse momento, Vojtēch falou com o público, agradecendo a presença de todos. No entanto, ainda havia uma última surpresa reservada para os fãs brasileiros.

Recentemente, a banda lançou a música “Reach Out The Sky and Die”, dedicada a Leonardo, brasileiro de quem ficaram muito próximos e que veio a falecer. Segundo eles, essa seria a única execução ao vivo da faixa. Assim, tocaram-na com uma energia descomunal, destoando um pouco da musicalidade tradicional do Cult of Fire, sendo mais pulsante e pesada.

Ainda assim, a recepção foi extremamente positiva e, dessa forma, sacramentaram o final de um show de 90 minutos, com o público ovacionando a banda ao término da apresentação.

Por fim, como mencionado no início, mensurar a apresentação do Cult of Fire em palavras é difícil, pois não faz justiça a tudo o que é apresentado. Sem dúvida, foi uma das experiências musicais, visuais e sensoriais mais interessantes e chocantes que já vivi. Embora as fotos em nossa resenha ajudem a contextualizar, apenas quem esteve presente consegue compreender a dimensão do que foi essa noite de quarta-feira.

Em resumo, um show singular, que nem o mais incauto dos fãs poderia imaginar que fosse dessa magnitude.

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