Dark Dimensions Metal Fest 2019 – Internacional Eventos, Guarulhos/SP (08/12/2019)

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Dark Dimensions Metal Fest 2019
Bandas principais: Wasp e Accept
Banda de abertura: Trend Kill Ghosts
Local: Internacional Eventos, Guarulhos/SP
Data: 08/12/2019
Produção: Dark Dimensions

Texto por: Wallace Magri e José Henrique Godoy
Fotos por: José Henrique Godoy

Chegando ao final de um ano repleto de shows em São Paulo, hoje foi a vez da produtora Dark Dimensions proporcionar aos fãs brasileiros assistirem ao tão esperado e repetidamente  cancelado show do Wasp no Brasil, ao lado do Accept, que reina supremo nos palcos brasileiros há tempos, especialmente desde quando Mark Tornillo (vocal) passou a integrar a banda.

Como espectador acho que a escolha da casa de espetáculos deve ter sido para baratear os custos por conta do valor do dólar altíssimo atualmente, pois é meio mal localizada (numa saída acanhada da Rodovia Presidente Dutra, na altura de Guarulhos) e não proporciona uma infraestrutura adequada para esse tipo de evento ao meu ver, já que desconheço outros shows de Rock/Metal realizados na casa. Me corrijam se eu estiver errado, por favor.

De todo modo, para falar do lado positivo, estacionamento dentro do próprio local (o que facilita a chegada, nem tanto a saída) e estava rolando um espetinho e um ‘dogão’ bem honestos, num preço acessível. Havia também espaço para merchandising das bandas, sendo que o Wasp não se dignou de mandar sequer a camiseta da turnê para os fãs adquirirem. Vai entender…

TREND KILL GHOSTS

Banda nacional com proposta bem definida e que aproveitou a oportunidade para divulgar seu álbum de estreia “Kill Your Ghosts”, disponível nas plataformas digitais.

O Power Metal/Melodic Metal é o fio condutor da coisa, que pende para algo mais trabalhado e melódico, chegando perto de um Angra em certos momentos, especialmente quando querem soar pretensiosos. Quando a coisa fica na linha mais tradicional, como em “Ghost’s Revelations”, que tem participação de Ralph Scheepers na gravação de estúdio, as músicas ficam mais agradáveis, especialmente porque deixam o peso vir mais à tona.

Os integrantes, Diogo Nunes (vocal), Rogério Oliveira (guitarra), Danilo Perez (baixo) e Leandro Tristani (bateria), são todos músicos competentes e não se importam em tocar com um cenário formado por panos brancos sobre a estrutura de palco dos shows principais, mandando seu recado com categoria e muita energia ao longo de todo seu set.

Encerram o show com “Frozen”, com consideráveis demonstração de virtuosismo, sendo que meu destaque vai para a pegada bem porrada ao vivo do jovem baterista. Quem curte o estilo, não deixe de conferir o trabalho dos caras, disponível no youtube e Spotify.

Infelizmente não temos fotos da apresentação pelo fato de nosso fotógrafo ter chegado após o término da apresentação. Pedimos desculpas a banda, aos leitores e a produção.

ACCEPT
Texto por José Henrique Godoy

Nos últimos anos, o Accept tem visitado o Brasil com muita frequência. Ótimo para nós, fãs da banda. Desde a sua reformulação, com a entrada de Mark Tornillo os vocais, os alemães têm comparecido quase que anualmente aqui nas nossas terras. Desta vez, a visita teve algumas novidades, como a ausência do baixista, e um dos pilares da banda, Peter Baltes, além de agora contarem com um terceiro guitarrista, com o recém-adicionado Philip Shouse, que já tocou com Ace Frehley e Gene Simmons em suas turnês solos.

O Internacional Eventos já contava com um bom público, mas ainda com algumas filas na entrada quando, às 18h40, o Accept pisou no palco já detonando “Die By the Sword”, faixa poderosa que abre o  último trabalho de estúdio da banda, “Rise of Chaos”, de 2017, praticamente emendada com “Stalingrad”, uma das preferidas da “fase Tornillo”. “Restless and Wild” foi a primeira clássica da “fase Udo”, um verdadeiro petardo atemporal que fez a felicidade dos presentes.

Era visível, desde o inicio, a expressão de satisfação de Wolf Hoffman, que sorria a todo o momento. Ele é o típico músico que, se você perguntar para alguém que não conhece a banda, quem é o “chefe”, dificilmente a pessoa irá errar. O único membro original e fundador do Accept é, além de um exímio guitarrista, dono de um carisma enorme no palco. Mark Tornillo é perfeito, dono de uma voz poderosa e em excelente forma física, faz a gente esquecer que antes dele existiu o icônico Udo Dirkshneider, com todo o respeito à história da banda.

Após a estupenda trinca inicial, chegou a primeira vez de sentirmos falta de Peter Baltes: O início com o baixo em uma das músicas mais clássicas do álbum “Balls to the Wall”, “London Leatherboys”. Não que o novo baixista Martin Motnik não seja bom, mas Baltes tinha uma presença muito marcante e foi realmente estranho ouvir a introdução deste clássico e não vê-lo no palco. Além disso, Motnik parece um cover do Ian Hill do Judas Priest, inclusive no seu posicionamento, à esquerda da bateria e ao fundo do palco, raramente saindo de lá.

Seguiram-se mais 4 músicas da “Era-Tornillo”: “No Regrets”, “Analog Man”, “Final Journey” e “Shadow Soldiers”. O Accept é um caso raro de banda que tem uma sequência ótima de álbuns lançados mais recentemente, cujas músicas executadas nos shows  se mesclam com os clássicos antigos e absolutos sem destoarem e o público acompanha, canta junto e vibra sem ignorar a fase “mais recente”, como no caso de diversas outras bandas clássicas. Mas, obviamente, quando é executado um hino como “Princess of the Dawn” a casa vem abaixo. O público cantou muito alto, inclusive os riffs da música. Sensacional!

“Midnight Mover” e “Up to the Limit” formaram a dobradinha do clássico álbum “Metal Heart”, e demonstraram que Uwe Lulis já está totalmente entrosado com o “patrão” Wolf, inclusive nos movimentos coreografados, e que o novato Philip Shouse ainda está se adaptando, preferindo também ficar mais ao fundo do palco. Inclusive, nada contra Philip, mas na minha opinião, foi totalmente desnecessária a inclusão de uma terceira guitarra a formação da banda.

“Pandemic” segue o espetáculo em alto nível e abre caminho para um dos momentos mais esperados de um show do Accept: a execução de “Fast As A Shark”. Não importa o quanto o Metal se tornou mais extremo com o passar das décadas, o quão velozes ficaram os bateristas e o quanto os guitarristas criaram riffs à velocidade da luz, “Fast as a Shark” sempre vai impressionar. O baterista Christopher Williams honrou a tradição dos seus antecessores e levantou os presentes na execução deste clássico absoluto.

Ao final desta, a banda sai do palco e se despede, mas nós sabíamos (e queríamos) que viria mais. “Metal Heart” e “Balls to the Wall” não são apenas clássicos do Accept, mas sim clássicos atemporais do Heavy Metal! Entre elas, a música “Teutonic Terror” que é o “novo clássico” do Accept, lançado no melhor álbum de Metal desta década, “Blood of Nations” (2010). Você não acha? Pois fique sabendo que você acaba de descobrir que está errado (risos).

Plateia cantando as três últimas músicas tanto refrão, letra, solos e riffs. Faço um rápido “corretor mental” aqui pra lembrar se já tinha visto/ouvido isso alguma vez na minha vida. E a resposta é: nem em show do Iron Maiden eu vi. A banda agradece e sai do palco, deixando a todos os presentes uma impressão de ter participado de uma palestra de como se faz um show de Heavy Metal perfeito.

Accept é preciso! Accept é aula de Metal! Accept é vida!

Setlist Accept:

Die By Sword
Stalingrad
Restless And Wild
London Leatherboys
No Regrets
Analog Man
Final Journey
Shadow Soldiers
Princess Of The Dawn
Midnight Mover
Up To The Limit
Pandemic
Fast As A Shark
Metal Heart
Teutonic Terror
Balls To The Wall

 

WASP

Show do Accept é um ato de reverência ao Metal: é notável que a banda ensaia a coreografia de palco como um método para se manterem em total concentração e sintonia entre eles ao longo da apresentação, dando um contorno de precisão na coisa toda. Incrível.

E as músicas, que se tornaram Hits graças à dedicação com que entregam suas apresentações ao vivo, incansavelmente por todos estes anos, são todas executadas de maneira impecável – esta aí uma vantagem de se ouvir Metal da mão de alemães!

Uma apresentação de tamanha qualidade e perfeição, tornou ainda mais árdua a tarefa do WASP de fechar a noite, ainda mais quando o que mais circula na internet são informações de shows que não chegam ao final e o uso de playback por parte de Blackie Lawless.

De todo modo, me aproximo do palco e me preparo para  a chegada desse ícone do Metal / Horror Show dos anos 80. A última vez que estiveram no Brasil foi em 2009 e, novamente, o show do Wasp me traz uma baita nostalgia, pois, se o KISS foi a primeira banda que me encaminhou para o Hard/Heavy, naquela época eles eram quase como uma entidade extraterrestre pra mim, como se não existissem de verdade, na altura de meus 8 anos de idade.

Já o Wasp foi a banda que me mostrou o lado mundano do Metal – nada mais imundo, por sinal, do que a proposta inicial dos caras de elevar ao extremo o rock-horror de Alice Cooper, acrescentando muito barulho e picardia naquele Hard que o Kiss me mostrou em primeira mão.

Antes de falar do show propriamente, dou minha opinião sobre as duas polêmicas usuais que permeiam todo show do WASP atualmente: sim, o setlist é curto e muitos clássicos definitivos acabam ficando de fora. No entanto, se olharmos para a metade cheia do copo, as músicas selecionadas são bem representativas do repertório de sucessos dos caras – embora eu não compartilhe do entusiasmo de Blackie Lawless em relação ao álbum “Crimson Idol” e ache que suas músicas ao vivo acabam dando uma esfriada no clima, no geral.

E, sim, rola um playback ao longo da apresentação. A impressão que dá é de que deixam tocando as músicas pré-gravadas e os caras tocam por cima – desta maneira, Blackie Lawless consegue levar o show em banho-maria e dar conta de cantar aquelas que exigem menos de sua aparentemente debilitada capacidade de cantar e tocar ao vivo, deixando a gravação tomar conta em momentos mais pegados, que exigiriam muito de seu alcance vocal.

No entanto, isto não torna, em hipótese alguma, a apresentação ruim ou com aparência de farsa – Blackie Lawless não está preocupado em fazer lip-sync à perfeição para ludibriar os fãs, pelo contrário, me passou a sensação de que ele assume que não dá mais conta de tudo e ponto final.

De todo modo, parece que os fãs, em sua maioria, estão de boa com esta questão nesta noite, sendo que, por amostragem, os presentes se demonstraram satisfeitos com o show e, os cerca de 1.500 fãs cantaram e agitaram entusiasmadamente desde a abertura do show, com o mega-clássico “On Your Knees” emendado em “Inside The Electric Circus” e “The Real Me” – trinca de deixar qualquer fã saudosista com um sincero sorriso no rosto.

Blackie Lawless está animado esta noite, contando com todos seus trejeitos característicos – falando frases não se sabe exatamente para quem fora do microfone, enquanto o instrumental está rolando; abordagem agressiva com o público, como que não pedindo para os fãs participarem, mas praticamente ordenando que o façam; pouco sorriso, muitas caretas e aquela postura de palco imponente, que o tornou, nos anos 80, um dos donos da Sunset Blvd., em Los Angeles.

Aquiles Priester é apresentado com destaque pelo chefe – que sequer se lembrou de fazer o mesmo com o restante da banda: Doug Blair, nas guitarras, excelente presença de palco e manda um solo para Chris Holmes nenhum botar defeito em “The Idol”; Mike Duda, que o acompanha no baixo desde 1997 e que dá conta do recado com sobra e talento.

O set convencional dura pouco mais de 40 minutos – contando ainda, para esticá-lo um pouco mais, com uma intro desnecessária – uma medley dos maiores sucessos da banda. Deixam o palco ao som de “Hellion/I Don’t Need No Doctor” e “Arena Of Pleasure”, para o delírio dos presentes.

Quando retornam, põem todos para agitar novamente com “Chainsaw Charlie” e, vamos combinar que até quem não morre de amores por WASP canta o refrão e o coro dessa música quando começa a rolar.

“The Great Misconception of Me” dá a impressão de que foi incluída para, mais uma vez, ganhar tempo de show, até mesmo porque é quase toda levada no esquema playback – nesta aqui, desconfio que até Doug Blair aproveitou o “recurso” para dar uma bela pedalada na hora do solo.

A coisa volta a pegar fogo mesmo com o segundo retorno ao palco (dois encores, porque o velho Lawless está precisando sentar um pouco e respirar para chegar ao fim da “maratona” de pouco mais de 90 minutos), quando executam, na sequência, o hit mais bem sucedido da banda, “Wild Child” e a música que marcou época quando de seu lançamento, “I Wanna Be Somebody” – um dos grandes hinos do Metal oitentista, sendo que eu a coloco lado a lado com “We’re Not Gonna Take It”, em termos de importância e representatividade do que foram aqueles anos de ouro do Metal.

E, é assim que esta noite de festival chega ao fim, com uma versão alegrinha, esquema Big Band de “I Wanna Be Somebody”, bem interessante, por sinal, e o público vai deixando o local do evento evidentemente satisfeitos com o que acabaram de presenciar.

Provavelmente foi o ultimo show que cobri em 2019 – ano em que tive a oportunidade de comparecer a mais de 20 eventos dedicados ao Metal e assistir a aproximadamente 60 bandas ao vivo; considerando que meus colegas de redação também deram duro “estrada afora”, definitivamente, 2019 ficará marcado como o ano da cobertura de grandes shows e festivais, por todos da equipe do Metal na Lata!

Que venha em dobro em 2020, certamente estaremos lá para levar aos nossos leitores nossas impressões sobre o Metal rolando nos palcos, sem dúvidas um dos maiores espetáculos da Terra. Fique atento na agenda e organize o bolso, pois já temos anunciado muita coisa boa que vem por aí!

Agradecimentos a Dark Dimensions pelo credenciamento, parceria e amizade de sempre.

Setlist Wasp:

On Your Knees/Inside The Electric Circus
The Real Me
L.O.V.E. Machine
Crazy
The Idol
Hellion/I Don’t Need No Doctor
Arena Of Pleasure
Chainsaw Charlie
The Great Misconceptions Of Me
Wild Child
I Wanna Be Somebody

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