David Coverdale: uma lenda que merece ser celebrada

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David Coverdale: uma lenda que merece ser celebrada

O veterano vocalista britânico David Coverdale (Whitesnake, ex-Deep Purple) anunciou sua aposentadoria. Mas não há razões para tristeza, ao contrário, somente para celebrações.

Desde que o convocaram para a difícil missão de substituir Ian Gillan no Deep Purple em 1973 até o seu recente adeus, houve importantes conquistas, as quais o tornaram uma lenda. Sua voz de timbre sedutor assim como seu sentimento intrínseco fizeram dele referência para posteriores gerações de intérpretes de Hard Rock.

HAMAR, NORWAY – JUNE 02: David Coverdale from Whitesnake performs outside the Vikingship arena on June 02, 2022 in Hamar, Norway. (Photo by Per Ole Hagen/Redferns)

Logo depois que a MARK II do Deep Purple se separou em 1973, a queda ao ostracismo e o fim de banda pareciam certos. O poderio daquele line-up e sua química musical faziam crer que era um time insubstituível, contudo não era.

A princípio, Glenn Hughes, outro músico lendário, seria o vocalista e o baixista. No entanto, a banda não entrou em consenso sobre isso e foi nesse ponto que o jovem David Coverdale entrou na história do Deep Purple e do Hard Rock mundial.

Deep Purple (Mark III) – “Burn”, a primeira grande obra de David Coverdale

Assim que o álbum “Burn”, oitavo full lenght da discografia do Deep Purple, veio a existir, todo receio em relação aos novos integrantes se acabou. Embora “Might Just Take Your Life” e a faixa título tenham sido os singles de trabalho de “Burn”, a balada Hard’n’Blues “Mistreated” esteve entre as primeiras que grudaram na mente dos fãs.

Mesmo que não comparável aos lendários “In Rock” e “Machine Head”, o debut da Mark III não tem momentos ruins e pode ser apreciado sem necessidade de pular faixas. Como resultado, Deep Purple o tocava quase na íntegra nas apresentações ao vivo e, por mais incrível que pareça, não precisou viver dos clássicos da Mark II.

O maior teste da Mark III foi o mega festival americano California Jam, o qual ocorrera em 6/4/1974, assim sendo, menos de dois meses após o lançamento do disco. Ainda assim, Deep Purple encantou a multidão presente ao evento (entre 200 e 400 mil pessoas), mesmo ao tocar mais suas novas canções que os clássicos já consagrados.

Coverdale, com apenas 23 anos de idade e pouca experiência com multidões, realizou o seu papel no palco de maneira impecável, da mesma forma que o restante dos músicos.

“Stormbringer”, “Come Taste the Band” e o fim temporário do Deep Purple

Ainda em 1974, veio “Stormbringer”, segundo e último álbum completo da Mark III, já que Ritchie Blackmore deixou a banda após sua turnê de divulgação. Tommy Bolin, jovem guitarrista especialista em Fusion, ocupou o lugar de Blackmore e, desse modo, nasceu a Mark IV, a qual lançou somente o álbum Come Taste the Band”. Isso ocorrera quase no final de 1975.

A banda nesses dois trabalhos encarnou o Funk/Jazz/Soul/Hard Rock e a dupla de vocalistas se saiu perfeita. Contudo, infelizmente, ao fim da turnê de divulgação do “Come Taste the Band”, em 1976, Deep Purple anunciou o encerramento de suas atividades. Oito anos mais tarde, em 1984, “Perfect Strangers” marcaria o retorno da Mark II, mas isso não é o assunto para esse artigo.

Whitesnake, a banda de David Coverdale

Sem Deep Purple e a fim de permanecer no cenário músical, David Coverdale partiu para sua carreira solo. Após os primeiros discos: “White Snake” e “Northwinds”, a banda passou a se chamar Whitesnake e lançou, em 1978, o seu debut, “Trouble”. “Love Hunter” veio sem seguida, em 1979. Ambos contavam com o saudoso tecladista Jon Lord, ou seja, 40% do Deep Purple Mark III estava alí.

Em “Ready an’ Willing” (1980) essa pórcentagem aumento para 60%, pois Ian Paice foi o baterista, o mesmo se repetindo em “Come an’ Get It” (1981) e “Saints & Sinners” (1982).

“Slide It In” (1984) e “Whitesnake” (1987), a explosão e o auge da entidade chamada Whitesnake

Só em seu sexto full lenght, “Slide It In”, é que o Whitesnake finalmente chegou ao mainstream. Com mais de 10 milhões de cópias vendidas, David Coverdale começava a superar as marcas históricas de sua ex-banda, a qual o revelou.

Entretanto, a montanha russa ainda subiria mais. Ao planejar o lançamento do homônimo de 1987, o projeto era audacioso e tinha tudo para ser certeiro. Realmente, isso aconteceu. “Whitesnake” de 1987 vendeu mundialmente, na época, mais de 25 milhões de cópias, escrevendo o nome da banda e de David Coverdale definitivamente no maistream. Em suma, ele já não dependia de seu passado no Deep Purple para sua imagem como artista de sucesso.

“Slip of the Tongue”, lançamento que veio na sequência do equivocadamente chamado de “1987”, tentou repetir o sucesso de seu antecessor, mas não conseguiu, mesmo obtendo bons números.

Coverdale Page, a fusão de dois mitos – o retorno do Whitesnake e aposentadoria de David Coverdale

Em 1993, o guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page, e David Coverdale se uniram no projeto Coverdale Page que resultou em um belíssimo disco de Blues/Hard Rock que anteceu o retorno do Whitesnake que começaria a acontecer com o lançamento de “Restless Heart”, que inicialmente seria um disco solo.

Whitesnake ainda lançou mais quatro álbuns de estúdio, “Good To Be Bad” (2008), “Forevermore” (2011), “The Purple Album” (2015) e, finalizando a discografia, o bom “Flesh & Blood” (2019).

Whitesnake – Atual line-up – Divulgação

Nesse ponto, a carreira solo do vocalista e o Whitesnake tornaram-se, inegavelmente, uma coisa só. Não é uma fase vergonhosa, contudo passou longe de repetir os momentos de glória da história do nosso querido David Coverdale.

Em 2022, a banda anunciou um hiato e, em 13/11/2025, enfim, o encerramento definitivo de suas atividades. Com isso, Coverdale não sepulta sua história, mas sim, vai ter seu descanso merecido, celebrando um imenso legado deixado no mundo da música também presenteando as futuras gerações amantes de Rock.

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