Doom:vs – “Dead Words Speak” (2008/2020) (Relançamento)

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Doom:Vs “Dead Words Speak” (2008/2020) (Relançamento)
Solitude Productions | Cold Art Industry Records 2.0

#FuneralDoomMetal#DoomDeathMetal
Para fãs de: Evoken, 1000 Funerals, ColosseoHamferð

Nota: 9,0

A Cold Art Industry vem fazendo a alegria dos fãs de Metal Extremo, em seus últimos relacionamentos. E sua aposta é tanto em bandas já consagradas e com álbuns já tomados por clássicos de seus respectivos gêneros –, a despeito dos gregos do Rotting Christ e Septic Flesh (a grafia antiga). Os dinamarqueses do Saturnus, os suecos do Tiamat e os Noruegueses do In The Woods também tiveram obras de seu vasto e ótimo catálogo relançadas. Itens indispensáveis aos colecionadores, fãs e, também para quem busca dar uma melhor conferida nos registros e compreender a razão dos mesmos serem tão aclamados.

Ainda sobre os relançamentos, o selo ainda abre um bom espaço à nomes mais jovens e subgêneros que, muitas vezes não tem a devida divulgação e nem são tão fáceis de se conseguir materiais – como o russo, Funeral Tears e o sueco, Doom:VS, dois, dos maiores nomes do Funeral Doom Metal contemporâneo.

O Doom:VS é um projeto solitário, seguindo o padrão das one-man-bands: arquitetado por Johan Ericson – guitarrista do Draconian. Nele, o músico foge à razão de sua banda principal, investindo na mais drástica e extrema metamorfose que o Doom Metal possui. Em 2006 o projeto nos ofereceu o seu primeiro cântico à miséria total, “Aeternum Vale”.

“Dead Words Speak” veio dois anos mais tarde como uma segunda ode ao infortúnio, mesmo ano em que outros gigantes da mesma estirpe lançavam álbuns avassaladores, Esoteric e seu “The Maniacal Vale”, o Skepticism com “Alloy”: o Funeral com o perfeito “As The Light Does The Shadow” e o Ataraxie, com o seu “Anhédonie”.

Mais polido que seu antecessor embora, ainda cru e nem tão melódico como seria o “Earthless”, lançado seis anos mais tarde. Seis composições equilibradas e ricas, em peso, texturas depressivas, atmosféricas nuanças e ambientes mentais desoladores.

Indo da beleza imersiva e atormentada da música de abertura, “Half Light”, cujo desespero nos arremessa à deriva sobre um abismo. Passando pela carregada e enegrecida faixa título, com narrações e repentinos vocais limpos: até chegar à concepção de míseria na melancólica “The Lachrymal Sleep”, suavizada por linhas sutis de teclado e expondo mais um bonito e melódico refrão em vozes limpas. Temos assim, uma trinca que faz bem ao dia cinza de qualquer fã.

As demais músicas — “Upon The Cataract”, “Leaden Winged Burden” e “Threnode”, percorrem por trilhas similares, no ouroboros que é o disco: riffs, teclados esporádicos, contrastes de vozes extremas e limpas e comedido apelo melódico.

Um ótimo disco aos amantes do gênero, perfeito em noites de chuva, dias opacos e momentos onde uma reflexão solitária supre qualquer companhia, diálogo e vontade de pertencer ao Mundo.

Fábio Miloch

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