
Fell Harvest – “Pale Light In A Dying World” (2021)
Independente
#DoomMetal, #HeavyDoomMetal, #DoomDeathMetal
Para fãs de: Khemmis, The Gates Of Slumber, Grey Skies Fallen, Argus
Nota: 8,5
Grata surpresa vinda da populosa Cheyenne, Wyoming. O Fell Harvest, antes, Thorns Of Acanthus, finalmente lançou seu primeiro registro completo em julho do ano passado, o truculento “Pale Light In A Dying World”. O trio formado por J. Fell (baixo e vocais), L. Duncan (guitarras) e A. Enkeli (bateria) está na ativa desde 2019 e pratica uma forma de Doom Metal atado ao tradicional, com fartas doses de Heavy e em menores porções, Death e até Black Metal. Em 2020 eles debutaram com um ep homônimo. O novo material foi produzido pelo próprio vocalista, J. Fell e mixado/masterizado pelo sueco Alexander Backlund (1914, In Mourning, October Tide).
“Titanicide” — a abertura e segunda faixa mais curta do álbum, ilustra detalhadamente todo poder criativo do Fell Harvest. Riffs sólidos, estrutura sabiamente definida, tempos médios, bem conduzidos e explorados, e vocais poderosos, um tanto teatrais, mas dentro da pedagogia do Metal Lento. A composição que nomeia o registro exibe um pouco mais de ousadia e profundidade. Épica, como não poderia deixar de ser, a mesma intercala calmarias melodiosas costuradas junto a sintetizadores com guitarras agigantadas e linhas inteligentes de bateria. “The Lark At Morning” apresenta o mesmo conjunto de elementos de suas predecessoras: arranjos expressivos e melodias arrastadas tomadas pela melancolia. A sucinta, mas não dispensável “The Wind That Shakes The Barley” chega preenchida por harmonias sutis, belas ambientações e vocais em tons saudosistas. Aos (02:17) ela ganha peso e sublinhados que a transmutam num Blackened Doom Metal de primeira grandeza.
“Thy Barren Fields” e a derradeira, “The Ghosts Of Scapa Flow” são restritas às fronteiras do gênero praticado pelo trio—, ambas apresentando boas ideias e reafirmando a habilidade dos mesmos no que tange às composições e seus desenvolvimentos. Ora extremamente opulentas e tradicionais e noutras, caóticas e um tanto modernas (nada que destoe do conceito estabelecido e exposto nas faixas anteriores, mas de grande valia no conjunto da obra). O trecho acústico da última citada é excelente e funciona como uma pausa para o fôlego — visto que o peso que o precede e sucede é descomunalmente opressor!
Para quem procura por um Doom Metal bem produzido — instalado entre o clássico e o contemporâneo; robusto, repleto de substância e boa dose melódica (nada exagerado, mas também não escasso), “Pale Light In A Dying World” é uma ótima recomendação. Não muito original, diga-se de passagem, mas quem sem importa, se elaborado com honestidade e conhecimento de causa já possui méritos. Enfim… Uma ótima demonstração de suas ambições e adjetivos. Espero que a banda trabalhe melhor sua identidade musical e que deixe sua criatividade dilatar-se para além de suas influências. Potencial o trio tem com sobras, basta explorá-lo.
Fábio Miloch







