Dream Theater – Pepsi Onstage, Porto Alegre/RS (10/12/2019)

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Banda principal: Dream Theater
Local: Pepsi On Stage, Porto Alegre/RS
Data: 10/12/2019
Produção: Liberation MC
Assessoria: The Ultimate Music

Texto e fotos por Uillian Vargas (colaborador)

Uma noite estranha, um sentimento diferente no ar e uma espera que rondava mais de uma década. A última vez que Dream Theater tocou o “Metropolis: Pt II” ao vivo deve ter sido lá por 2005 (me corrijam se estiver errado). Uma noite estranha pois não houve banda de abertura para o show. Um sentimento diferente pois muitos presentes nessa noite veriam o Dream Theater pela primeira vez, e já iriam presenciar uma epopeia sonora de lavar a alma. E a espera deu-se por conta dos anos que se escorreram entre os dedos, desde a última turnê tocando o álbum “Scenes from a Memory” na íntegra (suspiros). Assim foi a noite do dia 10 de dezembro, de 2019, em Porto Alegre/RS. O grupo veio à capital gaúcha com a proposta de agradar gregos e troianos, tocando músicas novas e clássicas num show que teria 3 horas de duração, com um pequeno intervalo. No final? Não teve guerra nenhuma e todas as tribos deixaram o Pepsi On Stage com um largo sorriso no rosto.

A noite foi meticulosamente “repartida” em dois atos. O Ato I trouxe um clima mais metal que progressivo, intercalando músicas do “Systematic Chaos”, “Black Clouds & Silver Linings” e do novíssimo “Distance Over Time” (que não por acaso, nomeia a Tour mundial). O segundo Ato foi euforicamente hipnótico: execução, na íntegra (tal qual o álbum) do “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory”.

Ato I:

A noite foi apresentada aos que lá estiveram, por “Atlas (Instrumental)”. Música composta por Nick Phoenix & Thomas J. Bergersen. Lembra muito os clássicos instrumentais que embalaram grandes referencias do cinema antigo. Um som um tanto sintético abre a escuridão e no segundo seguinte tambores, cordas e um crescente coro enche o peito de expectativa.

O Dream Theater estava prestes a assumir o palco. E mal “Atlas” acabou já se percebia os integrantes assumindo as posições. Menos James Labrie (vocal), pois esse entra um pouco mais tarde, mas nunca atrasado, sempre no seu tempo. “Untethered Angel” quebra a expectativa e anuncia em alto e bom som que o momento vivido era mesmo verdade. As luzes e o som dançaram juntos como nunca no velho Pepsi, cumprindo muito bem a função de harmonizar o espetáculo. O telão ao fundo também contextualizou muito bem cada faixa executada com cores e imagens, mas isso falarei mais adiante.

Primeiro momento de destaque da noite, John Petrucci (guitarra) tenta solar “Fall Into the Light”, e eu explico. Disse “tenta”, pois o Pepsi On Stafe inteiro e em uníssono cantarolou o solo completo, numa sincronia que fez jus ao Dream Theater. Até mesmo o Petrucci soltou um sorrisinho de “canto” como quem pensa: “É, eles sabem do que eu estou falando (solando)”. De arrepiar! Outro momento alto, e talvez o único de destaque do Mike Mangini (bateria) foi em “Pale Blue Dot” (parafraseando Carl Seagan). Ele se fez muito presente no som, talvez por ter presenciado o surgimento da música, já que é do novo trabalho. Nas demais faixas, ele ainda está muito preso na figura de seu antecessor, Mike Portnoy, desde a camiseta do time de basquete e o boné virado, e mas tentando inovar ao mesmo tempo. Estranho, eu diria, mas nada que possa comprometer o show, obviamente.

Ato II:

Hora do que se pode chamar “alicate de pressão emocional”. Já sentiu como se um alicate estivesse pressionando o coração? É mais ou menos a sensação de estar prestes a ouvir, ao vivo, um dos discos que você mais ouviu durante um tempo da sua vida. O “tic-tac” do relógio sinalizou o início da “regressão”.

Estava na hora de revisitar a violenta trama de amor e ódio entre Victoria e/ou Nicolas, Julian Eduardo e/ou o terapeuta. É para dar “spoiler” mesmo, pois essa história é, musicalmente, incrível. Ah sim, o telão. Aqui ele ganhou (e deu) vida ao show, pois além dos “cut scenes” entre as músicas, as próprias ganharam animações que ilustraram toda trama musical. Alguns momentos chegaram a nos dar dúvida para onde olhar: o show num todo, os artistas ou o telão? Que demais!

Claro que o segundo ato foi acompanhado milimetricamente pelos fãs que lá estavam para ver exatamente isso. A banda executou o disco, que aniversaria sua segunda década em 2019, com precisão cirúrgica e com uma alegria contagiante. Era visível e perceptível o quanto estavam se divertindo no palco.

Para que a noite ficasse um pouco melhor, poderia haver mais público, somente isso. Algumas áreas mais ao fundo do Pepsi estavam vazias. Enfim, uma noite em que tudo saiu exatamente como estava previsto, até a má qualidade do som do Pepsi on Stage. O mais prejudicado da noite foi o John Myung (baixo), pois enquanto mal ouvíamos seu baixo, o microfone de Labrie e a guitarra de Petrucci estavam “dando no ouvido”. Mas nada demais, só o “Pepsi sendo Pepsi” mesmo.

O ato II se encerrou ao som de novidades com a “At Wit’s End” no bis. Feito o recorte temporal com o “Scenes From A Memory”, a música do novo disco encerra o show como se fosse o terapeuta nos dizendo: – People (Nicholas), open your eyes!

De fato, havia acabado. Muitos pescoços doendo, lágrimas certamente eram pisoteadas, olhares ainda desenganados ao palco e suspiros infinitos. Que noite senhoras e senhores, que noite! Incrível como uma banda com mais de 30 anos de estrada consegue ainda ter muita energia no palco para executar clássicos com perfeição e empolgação como o que o Dream Theater realizou em Porto Alegre (e pela turnê inteira, tenho certeza).

Difícil que haja uma turnê de 30 anos desse disco. Então, aos que estiveram presentes nessa noite, resta um sentimento: Imortalizamos um momento (e me incluo nessa). Que outro disco em aniversário poderia sair em turnê? Aqui, nós pobres mortais aguardamos notícias do front do “Time (teatro) dos sonhos”.

Setlist Dream Theater:

Atlas (Instrumental Alt)
(Nick Phoenix & Thomas J. Bergersen song)
Untethered Angel
A Nightmare to Remember
Fall Into the Light
Barstool Warrior
In the Presence of Enemies, Part I
Pale Blue Dot
Regression
Overture 1928
Strange Déjà Vu
Through My Words
Fatal Tragedy
Beyond This Life
Through Her Eyes
Home
The Dance of Eternity
One Last Time
The Spirit Carries On
Finally Free
At Wit’s End

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