Nazareth – Manifesto Bar, São Paulo/SP (21/07/2026)

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Nazareth – Manifesto Bar, São Paulo/SP (21/07/2026)

Produção: Top Link Music | Manifesto Bar
Abertura: Phornax

Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Quase sete anos após sua última passagem pelo nosso país, e em sua décima terceira visita por aqui, o Nazareth retornou ao Brasil. Um dos nomes mais importantes e influentes da história do rock mundial, beirando seus 60 anos de existência, o grupo escocês realizou a “Brazil Hits Tour 2026”, focada nas músicas mais marcantes de sua vasta discografia, em uma extensa turnê pelo país, com oito apresentações, sendo a de São Paulo a quarta delas, na última terça-feira (21). Com produção da Top Link Music, o evento contou com a abertura da banda Phornax.

Nota: Devido a questões logísticas e ao alto volume de pessoas na fila, não foi possível acompanhar o show da banda Phornax, inclusive para nosso fotógrafo. A resenha inicia a partir da apresentação do Nazareth.

Chegando ao Manifesto, era notável o desejo do público em ver a banda, pois a fila estava gigantesca, e a casa praticamente deu sold out. Às 22h10, o quarteto escocês iniciou sua apresentação, e a principal novidade foi o vocalista Gianni Pontillo, que entrou para a banda no ano passado. Abrindo o show com “Telegram”, de “Close Enough for Rock ‘n’ Roll” (1976), e emendando a pesadíssima “Miss Misery”, clássica de “Hair of the Dog” (1975), disco esse que dominou a maior parte do setlist, eles já fizeram a alegria dos fãs mais saudosistas. Porém, como essa era uma turnê voltada para os principais hits da carreira, “Razamanaz” e “Shanghai’d in Shanghai” botaram parte do público para cantar junto. Mas foi em “Love Leads to Madness” que realmente as coisas começaram a esquentar no Manifesto.

É aquilo: o Nazareth tem uma gama incrível de músicas relevantes, porém boa parte do público realmente conhecia apenas algumas faixas. Infelizmente, em vários momentos do show, era possível sentir um certo silêncio. Isso pode ter vários motivos: desde o fato de o público ser um tanto mais velho e comedido até a pura falta de conhecimento da rica história da banda. Pode ser chatice minha? Pode. Mas a banda soube lidar muito bem com isso, tendo seu atual vocalista conduzindo a apresentação com maestria, buscando trazer o público para si a todo momento. E sua tocante interpretação de “Dream On”, de “2XS” (1982), foi um dos pontos altos do show, mostrando toda a potência vocal de Pontillo, com um alcance incrível nas notas mais altas da música. Foi arrepiante ver esse clássico ao vivo.

Seguindo com as sensacionais “Holiday” e “This Flight Tonight”, o setlist da banda foi um passeio por sua fase setentista e pelo início dos anos oitenta, período mais prolífico do grupo. E é preciso tirar o chapéu para o baixista Pete Agnew, que não só é o único membro original remanescente da banda, como também o único ainda vivo, o que torna sua persistência em continuar tocando algo digno apenas de aplausos. Além disso, ele esbanjou carisma durante toda a apresentação.

E falando da formação atual, com Lee Agnew na bateria desde o fim dos anos 1990, outra coisa que chama muito a atenção é o guitarrista Jimmy Murrison, que não usa palheta para tocar. Porém, em vez de dedilhar ou fazer algo do tipo, ele ataca as cordas da guitarra quase como um baixista, algo inesperado e simplesmente impressionante, mesmo que isso sacrifique um pouco do peso em algumas músicas, como aconteceu em “Beggars Day”, por exemplo. Ainda assim, seu extenso solo ao final da faixa compensou demais esse detalhe.

E tão logo os acordes de “Hair of the Dog” começaram, aí sim o Manifesto virou uma festa. Afinal, esse é um dos maiores hinos da banda, porém não tanto quanto a música seguinte, a eterna “Love Hurts”, que, mesmo sendo um cover, teve uma releitura que atravessou gerações, praticamente tornando a versão do Nazareth a definitiva. E, claro, o coro em uníssono cantando cada palavra foi o clímax da apresentação. Entre casais apaixonados abraçados, outros tantos sofrendo ao ouvir a música, e todos apenas testemunhando a história sendo executada ao vivo, foi lindo.

E é aí que entra exatamente um dos pontos que falei no começo do texto: conhecimento. Tão logo a banda terminou “Love Hurts”, uma enorme fila se formou no caixa para pagar a comanda, porém o show ainda não havia acabado. A banda ainda executou a divertida “Turn On Your Receiver” e, após uma breve pausa para tomar água, voltou para o bis com a maravilhosa balada “Where Are You Now”. Havia pessoas na fila cantando a música, porém de costas para o palco. Finalizando com a pegada de “Go Down Fighting”, o Nazareth encerrou sua apresentação de 90 minutos, saciando o desejo de muitos em ver a banda ao vivo após um bom tempo sem pisar por aqui.

O classic rock carrega um estigma muito forte de ser lembrado apenas por um hit. Quantas bandas não conhecemos que passam por isso? O Nazareth fez uma apresentação irrepreensível, marcante e divertida, porém para um público que podia ser mais, digamos, presente, mesmo com a casa lotada. São quase 60 anos dedicados ao estilo que tanto amamos, e, ao realizar um set marcado por sua fase mais importante, o show certamente ficará na memória de quem é fã da banda. Enfim, a noite de terça-feira foi incrível e marcou a realização de um sonho: finalmente ver uma das maiores bandas da história ao vivo!!!

São quase 60 anos dedicados ao estilo que tanto amamos, e, ao realizar um set marcado por sua fase mais importante, o show certamente ficará na memória de quem é fã da banda.

Enfim, a noite de terça-feira foi incrível e marcou a realização de um sonho: finalmente ver uma das maiores bandas da história ao vivo!!!

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