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Entrevista com Brian Ross (Blitzkrieg, Satan)

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ENTREVISTA COM BRIAN ROSS (BLITZKRIEG, SATAN)

Brian Ross é uma figura lendária da New Wave Of British Heavy Metal (NWOBHM). Frontman por praticamente quatro décadas de duas das bandas mais cultuadas do movimento – Blitzkrieg e Satan –, ele tornou-se uma referência dentro do estilo. O Metal Na Lata conversou com Ross sobre sua carreira, suas influências e aqueles que influenciou, também. Acompanhe!

Por José Henrique
Tradução e edição: Marcelo Vieira
Diagramação e Header: Johnny Z.
Fotos: Divulgação

Entrevista com Brian Ross (Blitzkrieg, Satan)

Metal Na Lata: A primeira pergunta não poderia ser outra: como está sua quarentena? De que maneira a pandemia afetou sua vida pessoal e sua rotina profissional?

Brian Ross: A quarentena basicamente colocou tudo em espera. Nada de shows, nada de ensaios e nada de músicas novas. Não podemos nem nos reunir para conversar. Sim, eu sei que podemos conversar um com o outro pela internet, o que estamos fazendo, mas não é a mesma coisa.

 

Metal Na Lata: Como você se sente enquanto responsável por dois dos maiores clássicos do heavy metal britânico, “Court in the Act” (1983), do Satan, e “A Time of Changes” (1985), do Blitzkrieg?

Brian Ross: Tenho orgulho de ter feito parte desses dois álbuns. Eles foram o ponto de partida da minha carreira. Na época, não sabíamos que estávamos criando o que mais tarde seria considerado clássico por muitas pessoas.

 

Metal Na Lata: Musical e tematicamente, quais são as principais diferenças entre o Satan e o Blitzkrieg, na sua opinião?

Brian Ross: Uau, isso é difícil de responder. Ambas as bandas compõem de maneira semelhante, mas o produto final tem sua própria identidade. Quando você ouve uma música do Satan, sabe que é uma música do Satan. Quando você ouve uma música do Blitzkrieg, sabe que é uma música do Blitzkrieg. Há uma diferença inerente, mas não consigo descrever o que é. É apenas diferente.

 

Metal Na Lata: Ambas as bandas são frequentemente citadas como influências por membros do Metallica, Testament, Death Angel e muitos outros. O que você acha desse reconhecimento? Você consegue ouvir algo que tenha feito antes no trabalho de alguma dessas bandas?

Brian Ross: É muito bom quando outras bandas nos citam como uma grande influência. Eu acho que esse é o melhor elogio. A música é como um ciclo, eu acho. Cada geração de bandas foi influenciada por bandas que vieram antes. Isso continuará. É assim que é. Sim, consigo ouvir essa influência algumas vezes, mas sempre como algo que acontece naturalmente.

 

Metal Na Lata: Seu filho, Alan Ross, faz parte do Blitzkrieg desde 2012. Como é a sensação de tê-lo lado a lado na banda e de lhe proporcionar essa experiência?

Brian Ross: É demais poder trabalhar com Alan. Ele cresceu ouvindo os clássicos, assim como seus irmãos. Mas ele era o único que queria ser músico. Ele está no Blitzkrieg porque merece estar; não porque é meu filho. E ele não apenas toca guitarra no Blitzkrieg; ele toca guitarra no meu tributo Alice Cooper’s Nightmare e também é o vocalista das bandas Deep Purple in Rock, Mane Attraction e New Breed Revolution. Sinto muito orgulho dele.

 

 

Metal Na Lata: Já que você mencionou, poderia falar um pouco mais sobre esse seu tributo ao Alice sobre a importância dele em sua música?

Brian Ross: Alice é um showman incrível. Ele é super visual e cativa o público com isso. Alice me fez querer ser o melhor frontman que eu poderia ser. É uma honra poder interpretar Alice no palco. Fazemos tudo o que você esperaria ver em um show dele. A guilhotina, a forca, todos os trajes etc. É tudo o mais autêntico possível. Alice sempre foi e ainda é muito importante para mim. Como artista, fui influenciado por várias pessoas, e Alice é uma delas.

 

Metal Na Lata: Que outros artistas ou bandas você classifica entre suas principais influências?

Brian Ross: Minha primeira influência foi os Beatles. Assim que os vi nos anos 60, eu soube que queria ser músico. Em seguida foi Marc Bolan. Ele era um compositor muito talentoso. As letras que escreveu em seus dias de Tyrannosaurus Rex eram mágicas, eram como histórias. Ele me fez querer escrever letras assim. Então ouvi Ian Gillan no Deep Purple. Os gritos de “Child in Time” me surpreenderam. Essa era a direção que eu queria seguir vocalmente. Aí veio Rob Halford. Ele também foi influenciado por Gillan e levou o virtuosismo vocal um passo adiante. Suas habilidades personificam tudo o que um bom cantor de metal deveria ser. Então, comecei a tarefa de levar minhas habilidades vocais nessa direção.

 

 

Metal Na Lata: Em 2013, eu assisti ao Satan ao vivo no Sweden Rock Festival. Foi incrível e eu pude notar uma mistura de fãs antigos e novos curtindo juntos. Como você vê essa variedade e essa renovação do público no metal?

Brian Ross: Uma mistura de fãs antigos e novos é o caminho certo a seguir. Se não houvesse novos fãs, o metal morreria. O futuro do metal está nas mãos dos jovens, não nas minhas. Eles são o futuro e carregam consigo o legado criado pela minha geração.

 

Metal Na Lata: Você acha que as plataformas digitais têm alguma influência nisso? Aliás, o que você acha dessa nova maneira de consumir música?

Brian Ross: Particularmente, não sou fã. Prefiro ter a cópia física de um álbum em minhas mãos.

 

Metal Na Lata: Dois anos depois, o Satan tocou no Brasil. Quais são as suas lembranças dessa vinda da banda ao nosso país?

Brian Ross: Foi uma experiência e tanto. Adorei cada minuto. Fomos muito bem-recebidos e todos foram muito gentis conosco.

 

 

Metal Na Lata: Após esse período de isolamento social e interrupção das atividades artísticas, quais são os planos das suas bandas?

Brian Ross: Compor e gravar novos álbuns com o Blitzkrieg e o Satan. Voltar às turnês com o Blitzkrieg e o Satan e reencontrar nossos fãs. Em tese, tudo o que eu mal posso esperar para retomar.

 

Metal Na Lata: Quais são as principais diferenças entre gravar um disco nos anos 80 e hoje?

Brian Ross: Gravar nos anos 80, de certa forma, era muito mais difícil do que é hoje. Não havia clique. Tudo era gravado em fita. Você tinha que cravar a bateria inteira de uma só vez. Um erro e a coisa toda teria que ser gravada novamente até que estivesse certo. Às vezes sinto falta de gravar dessa maneira. Era mais pessoal, mais legítimo.

 

 

Metal Na Lata: Muito obrigado pelo seu tempo, Brian! Vamos encerrar com uma mensagem para seus fãs no Brasil e leitores do Metal Na Lata!

Brian Ross: Fiquem a salvo nestes tempos de incerteza. Mantenham-se fieis ao que acreditam e ao metal.

 

Mais informações:

www.facebook.com/BlitzkriegUK
www.facebook.com/officialsatanpage

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