
O Eternal Flight é uma banda francesa de Progressive Power Metal que já conta com cerca de 16 anos de estrada. Os caras lançaram mundialmente pela Massacre Records seu 4º álbum de estúdio, intitulado “Retrofuture” (veja a resenha AQUI). Fundador e líder da banda, o experiente Gérard Fois (guitarra) conversou de forma exclusiva com o Metal Na Lata, falando sobre a cena francesa, os desafios da carreira, as projeções para o futuro, e muto mais. Confira!!
Por Luiz Gustavo Santos
Metal Na Lata: Olá Gérard, obrigado por nos atender. Primeiro vamos falar de suas origens. Como e quando você começou a curtir e tocar Metal?
Gérard Fois: Olá Luiz, disponha! É um prazer dar essa entrevista, especialmente após a ótima resenha que vocês fizeram. Bem, meus irmãos mais velhos ouviam muito Rock Clássico e Hard Rock no final dos anos 70 e eu aprendi bastante com as bandas que eles me faziam ouvir. Comecei com Pink Floyd, Beatles, mas logo fui pra coisas mais pesadas como AC/DC, Scorpions, Rainbow, Black Sabbath e Deep Purple e me apaixonei. Na época também havia vários programas de rádio na França que se dedicavam ao estilo e eu aprendi bastante desde então. No final dos anos 80 eu fazia alguns programas de rádio e uma fanzine chamada “Thunder Shock” e conheci vários músicos. Eu amava cantar, mas meu objetivo era ser jornalista. Porém, em 89 eu comecei umas bandas como vocalista, e em 90 eu me juntei com Dominique Leurquin (Rhapsody, Luca Turilli) e outros músicos e criei o Dream Child. Nós gravamos 2 álbuns, sendo o segundo lançado pela Metal Blade! Em 2001 nós nos separamos e eu formei o Eternal Flight.
Metal Na Lata: Bom, você falou sobre as bandas do passado, mas e agora? Quais bandas “novas” têm influência sobre o seu som?
Gérard Fois: Bem, eu tento não ser influenciado por outros porque minha inspiração costuma vir bem de repente na maior parte das vezes. Quando eu componho nada é planejado! Mas além das bandas já mencionadas eu posso dizer que bandas como Queensrÿche and Iron Maiden, dos anos 80, estão entre as minhas favoritas, além do começo da carreira do Dream Theater, o Vicious Rumors, Opeth, Nevermore, Crimson Glory e Symphony X. Mas também ouço muitos outros estilos.
Metal Na Lata: A sonoridade que você faz hoje, um Power Metal Progressivo, é o que você sempre quis fazer em termos musicais?
Gérard Fois: Sim, eu gosto de mesclar Power Metal melódico e tradicional com ideais progressivas. Alguns sons ficam mais Heavy Metal, outros mais complexos e progressivos. Às vezes eles são as duas coisas (risos).
Metal Na Lata: Fala pra gente sobre o novo disco, “Retrofuture”. Você compôs todas as músicas? O que você pode dizer sobre a temática lírica?
Gérard Fois: Sim, escrevi tudo. Eu também toco guitarra, baixo e teclado, e isso ajuda muito na hora de compor. Sobre as letras, bem, eu venho sendo marcado pela violência ao redor de nós, terrorismo, guerras na Síria e no Iraque, guerras financeiras (a ganância causa muitas mortes também). A forma que nós tratamos o planeta, o modo pelo qual os humanos “amam” causar sua própria extinção, também me fascinam, não de uma forma positiva, claro. A faixa-título, “Retrofuture”, fala sobre uma sociedade futura que erradicou a violência, os nascimentos e mortes, mas também perdeu sua alma, seu lado humano. Se você pensar sobre isso, considerando as pesquisas sobre genética, robótica e coisas assim, vai ver que a coisa vai muito rápido nesse sentido, o que é assustador. “Poison”, “The Journey” e “Labyrinth” são mais pessoais. Já “Sinner” e “Succubus” são sobre sexo, agora consegui chamar a atenção de todo mundo!! (risos)
Metal Na Lata: Creio que esse álbum vem sendo bem avaliado pela mídia especializada. Quais são suas expectativas com esse lançamento?
Gérard Fois: Sim, no momento eu tenho lido coisas muito boas sobre o disco! Espero que isso continue, e que eu possa conseguir mais reconhecimento e entrevistas, pra que a gente possa fazer mais shows no futuro.
Metal Na Lata: Eu gosto bastante dos seus trabalhos anteriores, especialmente “Dimished Reality, Elegies and Misterys – D.R.E.A.M.S.” (2011). Ainda assim, penso que esse novo disco é um passo a frente na carreira do Eternal Flight. Você vê esse disco como o seu melhor trabalho até o momento?
Gérard Fois: É muito bom ouvir isso, obrigado! É sempre difícil poder olhar com isenção para os meus álbuns. Mas, sim, acredito que esse disco é bem maduro em termos de composição e produção. Há um bom equilíbrio. De qualquer modo, eu ainda amo os sons antigos. Eles são como meus filhos e eu acredito que aqueles que vão nos descobrir por meio desse disco vão curtir as coisas antigas também. Eu e a banda nos divertimos muito gravando as músicas novas!
Metal Na Lata: A propósito, eu vi que o batera brasileiro Ricardo Confessori (Angra, Shaman, Confessori) tocou com vocês em “D.R.E.A.M.S”. Vocês são amigos? Vocês possuem contatos no Brasil?
Gérard Fois: Eu tive contato com o Ricardo antes da gravação do “D.R.E.A.M.S.”, mas ainda não o conhecia pessoalmente até que um empresário me deu o contato. Ele ficou muito animado com o projeto e é um grande baterista, além de um cara muito legal! Nosso batera Thibaud Pontet conhece alguns músicos no Brasil pois já tocou por aí com projetos de Jazz-Rock. Ele até conheceu a esposa aí! (risos)

Metal Na Lata: Claro que a gente conhece algumas ótimas bandas francesas de sucesso mundial. Mas como é a cena underground no seu país? Vocês conseguem um bom número de casas e festivais pra tocar?
Gérard Fois: Acredito que as coisas estão melhorando para o Metal na França. A gente tem um dos maiores festivais por aqui (Hellfest), mas ainda assim é bem difícil para uma banda que faz o nosso estilo crescer. Existem alguns festivais, algumas casas de show, mas a maioria delas é voltada mais para o Metal Extremo, a não ser que você alcance um certo status. Acredito que muitos fãs franceses são nostálgicos com a cena metal dos anos 80, enquanto bandas mais “novas” como nós lutam para ser reconhecidas. Mas a gente trabalha duro pra mudar isso!
Metal Na Lata: Falando nisso, vocês pretendem sair em turnê com o disco. Será que a gente pode ver vocês no Brasil em breve?
Gérard Fois: No momento o mais importante é conseguir bastante exposição na mídia, mas também estamos em contato com alguns agentes para planejar uma turnê. Isso pode ser bastante caro, por isso estamos estudando bem as propostas. Com certeza nós adoraríamos tocar no seu país, e se alguma agência quiser agendar nós estamos prontos!
Metal Na Lata: Gérard, muito obrigado pela entrevista. Parabéns novamente pelo trabalho e boa sorte! Espero que a gente consiga ver a banda por aqui em breve!
Gérard Fois: Agradeço muito pela oportunidade de fazer com que a gente se torne mais conhecido no seu país. Esperamos conseguir muitos novos fãs no Brasil com “Retrofuture”!
Mais Informações:
https://www.facebook.com/ETERNALFLIGHT.BAND
https://eternalflight.wixsite.com/eternalflight
https://soundcloud.com/eternalflight





