Entrevista com Giovanni Sena (Age Of Artemis)

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Formada há pouco mais de uma década na capital federal, o Age of Artemis desde seu início chamou bastante a atenção de todos não só pela sua qualidade musical, mas sim por sempre mostrar evolução. Infelizmente, ou felizmente, a banda passou por algumas mudanças drásticas de formação que ao invés derrubar o entusiasmo dos músicos e fãs simplesmente alavancaram ainda mais e criaram uma massa sonora impactante que levou o ouvinte há uma viagem onde o principal privilegio é se desligar do mundo ao nosso redor. Batemos um papo com Giovanni Senna, que nos contou todos os detalhes de “Monomyth”, que promete ser um divisor de águas na discografia da banda e muito mais.

Texto por William Ribas
Fotos gentilmente cedidas pela banda

Metal Na Lata: Acho que a melhor forma de começar essa entrevista é perguntando de forma direta. Pedro Campos, que substituiu Alírio Neto nos vocais, era o elemento que faltava Age of Artemis?

Giovanni Sena: Na verdade, o que faz a Age of Artemis ser é o conjunto de elementos. E o Pedro, sem dúvida, faz parte desse conjunto. Acredito também que a nossa “busca” ainda não terminou, o que quer dizer que ainda falta muita coisa, mas temos a consciência que estamos fazendo a nossa parte.

Metal Na Lata: Além do vocalista Pedro Campos, temos também Jeff Castro (guitarra) e Riccardo Linassi (bateria) como novos integrantes. Como se deu o processo de escolha deles?

Giovanni Sena: Foi de forma bem natural. O Riccardo veio antes. Nos tornamos amigos logo de cara, talvez por sermos bastante sinceros um com o outro desde o início e por haver um respeito mútuo. E o Jeff entrou um pouco depois do show que fizemos no Rock in Rio em 2015, no qual ele tocou, substituindo o Grego.

Metal na Lata: Bem, vamos falar do novo disco, “Monomyth”. Algo que me chamou bastante a atenção logo de cara na primeira audição do álbum foi que, de certo modo, a banda deixou de lado a enorme influência do Angra. Não que ela não esteja ali, mas aparecem de uma forma mais bem dosada, fazendo com os ouvintes mais leigos  consigam notar que a banda vai além de uma cópia. Desde o início das composições, vocês tiveram o entendimento que era a hora de deixar essa influência de lado ou foi algo que veio naturalmente?

Giovanni Sena: Influências sempre existirão. Dito isto, nunca nos consideramos cópias de ninguém. Ou pelo menos o que foi feito, não foi com a intenção de se parecer com isto, ou aquilo. Tudo que fizemos até aqui sempre foi muito natural e verdadeiro. Se não houvesse verdade, nunca teríamos a repercussão estamos tendo durante todos esses anos. Como toda arte, a nossa música é aberta à interpretações, e acho que isso faz parte do jogo.

Metal Na Lata: “Monomyth” tem sua parte lírica baseada no conceito “Jornada do Herói”, que trata de experiências, dificuldades e crescimento, algo que se encaixa perfeitamente com o dia a dia de qualquer ser humano. Gostaria que você explicasse um pouco sobre toda essa ideia que é passada nas letras.

Giovanni Sena: É exatamente isso. A temática da banda, desde o primeiro disco, sempre foi voltada ao ser humano. Não que a gente se considera dono da “Verdade” ou algo do tipo. Mas sempre tivemos em mente que temos a obrigação de emprestar as nossas experiências de mundo para quem fosse ler com mais atenção as nossas letras e desta forma ajudar com as nossas ferramentas quem tivesse procurando algo além do entretenimento. “Monomyth” reflete essa nossa preocupação de termos um mundo mais justo por meio da evolução do ser humano.

Metal Na Lata: “The Calling”, basicamente é o início de tudo, pois temos um personagem jovem que irá percorrer todo um caminho cheio de dificuldades e emoções, chegando em “A Great Day to Live” como um ser mais evoluído, experiente e decidido. Podemos fazer a analogia que “Monomyth” também conta a saga do Age of Artemis?

Giovanni Sena: Sem dúvidas. Na verdade, isso é o que desejamos para a humanidade, mesmo que seja uma Utopia.

Metal Na Lata: Uma curiosidade. Sendo um trabalho conceitual, o que veio primeiro no disco, o instrumental ou as letras?

Giovanni Sena: Aconteceu um pouco de tudo. Teve músicas que o instrumental veio antes, teve músicas que a melodia veio antes. Teve letras que inspiraram melodias e etc.

Metal Na Lata: Nos dois primeiros álbuns, a banda teve um sério problema com a gravadora responsável pela distribuição na Europa, inclusive perdendo os direitos nas plataformas digitais. Em contrapartida, a gravadora japonesa King Records segue lançando no Japão os discos da banda.

Giovanni Sena: Sim é verdade. Posso afirmar que quem está do nosso lado desde o início de forma justa e séria é a King Records. Em relação aos nossos direitos, já estamos entrando com uma ação e acreditamos que iremos resolver isso, rapidamente.

Metal Na Lata: Alias, o Japão é um pais que apoia bastante as bandas brasileiras, principalmente de Power/Prog Metal. Existem conversas para uma turnê por terras nipônicas?

Giovanni Sena: Conversas há. Mas depende de muitos fatores. E acreditamos que esses fatores estão relacionados com o tempo. Estamos construindo a nossa credibilidade na história do heavy metal brasileiro. Isso demanda tempo. Quantas bandas você viu aparecer do nada e sumir do nada também? Na realidade, gostaríamos de construir uma base de fãs no Brasil. O Brasil é o nosso foco. Gostaria que essa partida de futebol terminasse e houvesse uma conscientização do publico brasileiro para tratar as bandas brasileiras com credibilidade como elas tratam as bandas de fora. Julgamentos a parte, é claro.

Metal Na Lata: As bandas brasileiras vêm encontrando diversos problemas para sair em turnê pelo pais após o lançamento de seus álbuns. Muitas até acabam fazendo shows um ano após o lançamento. Como está a agenda de shows para a divulgação de “Monomyth”?

Giovanni Sena: Estamos enfrentando os mesmos problemas que você mencionou. Mas temos paciência quanto a isso. Faremos o que estiver ao nosso alcance. Tem certas coisas que não temos controle. A gente controla o que pode ser controlado. O que me tranquiliza é que ainda estamos com foco de produzir músicas novas e continuar dizendo que a Age of Artemis existe como banda. Temos planos para fazer uma “tour” em 2020 com uma outra banda passando por muitos lugares no país. Vamos ver se esse projeto dar certo. Vai depender muito do publico e das casas. Faremos isso com bastante antecedência.

Metal Na Lata: Pelo o que tenho acompanhado, a banda está bastante empenhada na divulgação do novo álbum na internet, seja com vídeos, imagens e respondendo as perguntas de fãs. Na minha visão, vejo que vocês entenderam que não importa ter talento ou lançar um excelente disco se você não se mostrar ao seu público e, principalmente, mostrar seu trabalho para novos possíveis fãs, afinal a internet deixou a grande maioria das pessoas preguiçosas. Hoje em dia, a pessoa que quer se aventurar na música, além de ter que estudar e praticar o seu instrumento, deve estar preparado também para o marketing, correto?

Giovanni Sena: Exatamente. A gente sempre fez questão de ter esse contato com o nosso publico. Como falei antes, eles são quem compra o teu cd, teu merchandising, vai no teu show. Além de acreditarmos na nossa arte, para que essa arte faça sentido, o publico tem que estar inserido. Infelizmente, ou felizmente, a gente não tem assessoria digital, que por um lado é muito ruim, pois sabemos que tem muito a ser explorado nesse cyber espaço, mas ao mesmo tempo o que a gente passa com o que temos são só verdades. A gente não se mostra como algo que não somos, entende?

Metal Na Lata: Claro! Acredito que todos que tenham uma banda tem o sonho de tocar em grandes festivais. Em 2015, o Age of Artemis tocou no Rock in Rio. Quais os benefícios que essa apresentação trouxe para a banda além da visibilidade?

Giovanni Sena: Uma maior credibilidade como banda. As pessoas viram que não se tratava de uma banda de temporada. Estamos realmente com o intuito de contribuir com a historia da musica pesada no Brasil.

Metal Na Lata: “Monomyth” tem um clima de trilha sonora para algo grandioso, tudo graças ao impacto que é apresentado, seja na belíssima capa, as letras e a parte instrumental. Pensando lá na frente, os fãs podem sonhar com a possibilidade de um DVD tendo o álbum como conceito principal?

Giovanni Sena: Teremos que registrar algo com esse apelo visual sem dúvida. Ainda não sei se será com o “Monomyth”.

Metal Na Lata: Para finalizar, parabéns pelo disco, há muito tempo não escutava um trabalho que me fizesse fechar os olhos e simplesmente viajar, me desligando do mundo, obrigado por isso. O espaço final é todo seu.

Giovanni Sena: Falo em nome da Age of Artemis: nós que agradecemos pelo espaço. Não canso de falar que o nosso cenário carece de mídias como o “Metal Na Lata”. Espero que muitos outros espaços como este se espalhem pelo Brasil, sem divisões e sem muros imaginários.

Mais Informações:

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