Entrevista com Marcos Machado (Axes Connection)

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Seguindo os instintos e passando por cima de qualquer problema ou tristeza. Essa poderia ser a grande missão da banda gaúcha Axes Connection. Nos mostrar que, mesmo nas adversidades da vida, existe uma luz no fim do túnel. Para a banda, a sua música pode ser muito bem este túnel, pois os fazem olhar sempre para o futuro, levando-os para diversos horizontes sem se desvincular de seu passado. Tivemos um ótimo bate papo com Marcos Machado (guitarra ex-Distraught) sobre a carreira dos gaúchos do Axes Connection. Confira.

Por William Ribas

Metal Na Lata: O disco “A Glimpse Of Illlumination” trata bastante do tema perda, que infelizmente faz parte da vida de todos, mas normalmente as pessoas preferem deixar esse sentimento escondido. Como foi para vocês lidarem e comporem sobre este assunto?

Marcos Machado: É muito ruim perder um irmão e amigo. Agora, imagine se essa pessoa estava sempre em sintonia contigo, em cada riff, virada de tempo ou arranjo, quase que adivinhando, no improviso, o que tu irias fazer? Era uma sintonia musical que sempre tivemos, algo quase mágico. Não que a nossa música fosse melhor que a dos outros, mas tínhamos muita satisfação em fazer isso juntos. Então, quando nos vimos sozinhos tendo que rearranjar, modificar e criar coisas novas, foi como se tivéssemos perguntando em silêncio para ele durante todo o processo, mas sem ouvir uma resposta de aprovação ou reprovação. Nessas horas, confiamos em nossa intuição e seguimos em frente. Sabemos que era exatamente o que ele iria fazer: tocar a vida pra frente da melhor maneira possível.

Metal Na Lata: Infelizmente, logo que o projeto começou a de fato virar uma banda aconteceu a morte de Vitor Machado, o que os moveu para frente, onde encontraram forças para isso?

Marcos Machado: Como disse na resposta anterior, não foi fácil, mas sempre lembro, em uma última conversa que tive com o Vitor no hospital, quando nem ele mesmo sabia que o seu quadro de saúde iria piorar como piorou, ele sugeriu a nossa volta ao projeto. Então, quando ele faleceu, pareceu um sinal quase profético para mim de que tínhamos que continuar com nossas músicas, mesmo com a ausência dele. Nos sentimos como que honrando nossa história e isso nos deu mais forças.

Metal Na Lata: O nome Axes Connection mostra toda a conexão não só com Marcos, mas pelo orgulho de serem Machado (Axe). O quão importante ter essa ligação com a família em um momento onde o mundo cada vez mais perde o amor ao próximo?

Marcos Machado: Nossa família sempre foi musical. Nossa mãe tocava gaita e o Vitor desde cedo se interessou por música, e como era o mais velho, nos influenciou pra música. E nome fala disso e da conexão musical que sempre tivemos quando estávamos tocando ou compondo músicas. Foi um nome sugerido pelo Márcio e reúne tudo o que pensamos e sentimos com relação ao Vitor também. Sem amar o que se faz e sem poder estar com as pessoas que você realmente gosta, nada faz sentido. Isso é que deveria reger a vida das pessoas.

Metal Na Lata:  A banda começou como um projeto nos anos 90, mas ficou engavetado até meados de 2013, como eram as composições lá no início?

Marcos Machado: A verdade é que o projeto tinha uma essência muito legal mas precisava colocar as músicas em metrônomo, arranjar, colocar solos e, principalmente, criar letras e melodias do zero. Além disso não tínhamos um número de músicas suficiente pra fazer o álbum ainda. Tivemos também que criar coisas novas, mas com o mesmo clima e atmosfera das outras músicas e, felizmente, eu diria que conseguimos.

Metal Na Lata: “A Glimpse Of Illumination” vem recebendo bastante elogios perante a mídia especializada e fãs, como está sendo isso para vocês?

Marcos Machado: Ninguém quer fazer algo que não vai dar certo, mas realmente a nossa preocupação, desde o início, quando eu o Vitor começamos tudo, foi agradar a nós mesmos. Procuramos ser coerentes musicalmente com o que achávamos que fazia sentido para nós, mesmo quando mesclávamos passagens mais progressivas com partes mais pesadas. Dito isso, quando terminamos todo o processo de mixagem e ainda faltando masterização, eu e o Márcio chegamos à conclusão de que tínhamos alcançado o sucesso, pois sucesso, naquele contexto, consistia em simplesmente ter conseguido ficar feliz com o resultado final de tudo. Saber que as músicas ficaram exatamente como queríamos. O que poderíamos querer mais do que isso? Acho que as pessoas hoje em dia se decepcionam muito por criar muita expectativa em cima de tudo. Esquecem de curtir durante a caminhada e durante a criação. Foi um grande prazer todo o processo. Desta maneira, realmente estávamos preparados para ouvir as piores críticas possíveis sobre nosso trabalho, pois não foi para isso que criamos o álbum ou a banda – agradar por agradar. Portanto, cada crítica que temos lido a respeito do álbum nos surpreende, e isso é realmente muito legal. Isso acaba renovando as energias e apontando pra que continuemos a trilhar esse caminho. Sei que o Vitor, em algum lugar, também está comemorando conosco.

Metal Na Lata:  A diversidade no disco chama bastante atenção, é como se viajássemos para vários lugares e sempre sendo surpreendidos por algo inesperado, era justamente o que vocês queriam? Trazer ao ouvinte a sensação de renovação e surpresa a cada faixa?

Marcos Machado: Seguimos nossos instintos desde o início, e por isso fizemos tudo à nossa maneira. Sempre gostávamos de sair de um ritmo para outro, por mais estranho que pudesse parecer, mas ao mesmo tempo perguntávamos a nós mesmos: “Porque não podemos fazer assim”? “Quem disse que não podemos tocar assim”? Não estamos criando coisas totalmente novas, mas talvez usando receitas nossas e, por isso, talvez o resultado seja diferente do convencional e fora do padrão. Não sei para onde vamos, mas vamos fazer as coisas do nosso jeito, como sempre fizemos, porque este é o caminho que escolhemos. Não somos o padrão e estamos longe disso, mas estamos sempre tentando fazer música de qualidade e não para vender, embora o padrão seja se preocupar com a venda do produto. Descartamos muitas coisas para tentar ficar com o melhor, ao nosso ver. Queremos sempre nos surpreender e tentar passar isso para as músicas. Se algumas pessoas conseguirem entender e captar isso, já está muito bom pra nós.

Metal Na Lata: No disco temos uma grande mistura de Heavy Metal e Progressivo com uma cara moderna, quais as principais influências de vocês?

Marcos Machado: Eu diria que são muitas, e pra ficar mais fácil eu diria que nos baseamos em bandas dos anos 70 e 80 principalmente, mas não temos um compromisso de parecer uma cópia fiel deles. Na hora de compor eu deixo a intuição falar mais alto, e isso talvez explique a sonoridade moderna. Podemos ter as nossas influências, mas temos a nossa interpretação de como vamos criar e executar a música, então talvez a novidade soe como moderno.

Metal Na Lata:  E quando poderemos ver a banda na estrada?

Marcos Machado: Esta é uma tarefa nada fácil. Apesar de a maioria dos sites/blogs/rádios especializados em música terem o nosso CD promocional, ainda estamos finalizando o CD físico e estamos começando a agendar datas. Por falar nisso, aproveito pra dizer aos produtores que estamos abertos pra negociar datas e lugares pra divulgarmos nossa música. Apesar da crise, queremos tocar onde for possível.

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, o espaço final é todo de vocês.

Marcos Machado: Agradeço demais ao espaço cedido a nós. Sabemos da luta que tem um site/blog de metal pra se manter ativo, que é a mesma luta que qualquer banda fora do padrão comercial tem pra continuar vivo. Sabemos que temos que nadar contra a maré mesmo, mas fazemos o que gostamos, e isso ninguém tira de nós. Convido a todos para continuar apoiando o “Metal Na Lata”, que ajuda toda a cena a ter uma voz e também uma chama acesa em torno da música de qualidade. Aos fãs de música, peço a oportunidade pra que percam alguns minutos de seu tempo para conhecer o nosso trabalho. Espero que gostem. Visitem nosso facebook e fiquem sabendo das novidades sobre nós. Abração a todos, e mantenham-se fiéis a si mesmos. “A Glimpse Of Illumination” do Axes Connection já está disponível nas principais plataformas digitais:

Spotify: https://goo.gl/Pb1pDx
Deezer: https://goo.gl/yPtZh3
Google Play: https://goo.gl/UYHL6k
Amazon: https://goo.gl/MsLnXW
iTunes: https://goo.gl/pxnmMH
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