
Fundador do Symphony X, um dos grandes ícones do Prog Metal, Michael J. Romeo é considerado um dos maiores guitarristas do gênero. Conhecido por sua técnica e pelas composições baseadas em clássicos da literatura mundial, o músico volta ao Brasil em duas datas com a nova turnê “Odyssey Through The Underworld”. Em entrevista exclusiva para o Metal Na Lata, Michael Romeo falou sobre a nova tour, projeto solo, influências, composição e muito mais!
Agradecimentos à Costábile Salzano Jr. e a assessoria The Ultimate Music.
Por Gustavo Maiato
Fotos por Danny Sanchez

Metal Na Lata: A nova turnê se chama “Odyssey Through The Underworld”. Levando em consideração esse nome, os fãs podem esperar que o setlist seja baseado nos álbuns “The Odyssey” (2002) e “Underworld” (2015)?
Michael Romeo: Não será focado apenas nesses dois álbuns, é mais como um pouquinho de tudo. Nós não queríamos que essa turnê fosse uma continuação da “Underworld Tour”, já que se passou muito tempo desde o lançamento do disco, então nós vamos tocar uma variedade de músicas. Normalmente, toda turnê que nós fazemos envolve o último CD lançado, então, na maior parte do tempo. O setlist vai envolver as coisas recentes. Dessa vez foi diferente e nós decidimos fazer uma ou duas músicas de álbuns diferentes. Vão ter algumas das favoritas dos fãs e algumas de nossas favoritas também.
Metal Na Lata: Já tem quatro anos desde o último disco do Symphony X, o “Underworld” (2015). A banda já tem planos para o próximo álbum?
Michael Romeo: Nós demos um tempo ano passado e agora estamos pensando os planos para o futuro. Inicialmente, nós pensamos em fazer ou uma turnê ou trabalhar no novo disco, e decidimos fazer a tour primeiro, juntar todo mundo para tocar de novo. Sobre o novo CD, nós estamos definitivamente conversando sobre.
Metal Na Lata: Você é considerado um dos maiores guitarristas de Metal Progressivo. Porém, esse gênero é constantemente criticado por ser “apenas sobre técnica”. Qual você acha que é o segredo para aliar a técnica ao sentimento?
Michael Romeo: Bom, obrigado! Às vezes, no gênero Prog… É, as coisas podem ficar bem técnicas e você perder o “feeling”. Nós sempre buscamos a balança em deixar a música interessante, mas não complicada como um todo. A música deve ter sempre algo a dizer, deve ter sentimento. A técnica deve estar lá apenas para melhorar essa emoção que você está tentando passar. É tudo sobre equilíbrio.
Metal Na Lata: O Symphony X está ficando mais pesado e moderno, com menos elementos clássicos. Se você olhar para os seus últimos dois discos, temos até blast beat! Essa é a nova tendência para a banda ou podemos esperar algo diferente daqui para frente?
Michael Romeo: Os últimos álbuns foram definitivamente um pouco mais pesados. Para mim, foi uma volta para as coisas que eu cresci ouvindo… As bandas que me deixaram empolgados, e que me inspiraram quando eu era mais jovem. Eu acho que esses álbuns têm essa energia. Eu sei que estávamos sentindo isso quando trabalhamos nesses registros. Fazer um novo álbum é sempre diferente e tentamos torná-lo único. Mas nós sempre retemos muito dos elementos das coisas que fizemos ao longo dos anos. O elemento progressivo, e ênfase na melodia e etc. Há sempre um elemento clássico, talvez não tanto do estilo barroco, mas mais estilo moderno clássico. Com “Underworld” (2015), acho que há um bom equilíbrio de todas as coisas que fizemos.

Metal Na Lata: Você lançou um álbum solo chamado “War of the Worlds – Part 1” (2018) que é muito parecido com o estilo do Symphony X. Foi criado com material do Symphony X que você não usou na banda ou algo assim? E a “parte 2” vai estar na mesma direção musical?
Michael Romeo: O material para o álbum solo foi todo feito com novas músicas que eu havia escrito especificamente para aquele álbum. Na verdade, eu escrevi dois álbuns para “War of the Worlds” (2018). Essa é a razão para a Parte I e II. Claro, pode haver algumas semelhanças com a banda, mas é assim que escrevo. Embora, eu tenha tentado fazer algumas coisas diferentes com o álbum solo que seria diferente da banda. Coisas como uma abordagem mais cinematográfica/orquestral, alguns elementos eletrônicos. Diabos, até mesmo algumas coisas do tipo “dubstep” (risos).
Metal Na Lata: O Symphony X sempre adaptou trabalhos de literatura para música, como nas músicas “The Odyssey”, “The Damnation Game”, e no seu “War of the Worlds” (2018), etc. Como você adapta o conceito por trás de um poema épico ou um romance aos elementos da música? (Harmonia, acordes etc.)?
Michael Romeo: Colocar música em trabalhos assim é algo de que eu realmente gosto. Ter um conceito ou ideia para uma música (ou álbum) nos dá uma direção clara de como a música deve ser escrita. Quando decidimos ter “Paradise Lost” como um ‘tema’, eu sabia que a música seria mais escura e mais pesada… Os elementos orquestrais refletiriam isso também… Corais etc. Com o “Iconclast” (2011), sendo o conceito homem x máquina, a música era agressiva, às vezes até abrasiva, com alguns elementos sonoros eletrônicos/mecânicos lá dentro. É isso que faz com que cada álbum seja diferente.
Metal Na Lata: Qual compositor clássico você mais gosta e por quê?
Michael Romeo: Quando eu era mais jovem e fui apresentado pela primeira vez à música clássica, eram caras como Bach e Beethoven. Isso acabou me levando a compositores “românticos” e do século XX como Wagner, Ravel, Tchaikovsky, Holst e Stravinsky. Hoje em dia, meu favorito de todos os tempos é John Williams. Com esse trabalho para Star Wars em 1977, ele trouxe de volta o épico estilo de música clássica “romântico tardio” para nossas vidas. Sim, ele é meu herói.

Metal Na Lata: Como foi sua educação musical? Você é um autodidata ou foi para a faculdade ou algo assim?
Michael Romeo: Principalmente autodidata. Ao longo dos anos, estudei quase todos os livros de nível universitário sobre teoria, composição e orquestração, além de centenas de partituras. Eu fiz isso no meu próprio ritmo… Mas estou sempre aprendendo. Sempre.
Metal Na Lata: Como você vê a aplicação das escalas diminutas e escalas hexafônicas no heavy metal? Que tipo de sentimentos ou impressões você deseja criar com eles?
Michael Romeo: Quando escrevo, não penso realmente nessas coisas. A única coisa que importa é se soa bem e diz alguma coisa. Sim, eu sei que escalas e tonalidades eu estou usando, mas isso não é o que dita a escrita real. Essas coisas são apenas ferramentas.
Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista e o espaço é seu.
Michael Romeo: Eu quem agradeço e logo mais estaremos ai no Brasil para nos divertirmos todos juntos!

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