
Allone – “Allone” (2019)
Aesthetic Death
#BlackDoomMetal, #DarkMetal, #AvantGardeMetal, #ProgressiveBlackMetal
Para fãs de: Fleurety, Wyrd, Uaral, Agalloch, Monumentum
Nota: 8,5
Não que seja saudável ou correto, mas sempre lanço olhares desconfiados sobre as novas bandas de Black Metal, fazendo julgamentos precipitados, não pela qualidade das mesmas, mas sim pela repetição e obviedade, nos últimos tempos houve uma verdadeira enxurrada de bandas do dito Post-Black, grande parte, quase idênticas, o mesmo ocorreu com bandas de Atmospheric e Epic Black Metal, são cópias e mais cópias e mais cópias “ad infinitum”, de grupos fazendo exatamente o mesmo som, com pouca ou nenhuma diferença, a cada nova banda e lançamento o que se ouve é uma tempestade de previsibilidade, como seguissem a mesma cartilha à risca.
O duo inglês, Allone e seu homônimo álbum de estréia, lançaram por terra alguns dos meus pré-conceitos e esteriótipos cultivados pela vivência, não que o que façam seja o suprassumo da originalidade ou que os músicos tenham sido tocados na testa pela fada da criatividade, mas há algo de especial, raro e único em sua música, que mesmo carregada de obscuridade, peso e até uma certa dose de complexidade, consegue fluir de forma natural e equilibrada; Black e Doom Metal em harmonia e sem que hajam sobreposições ou excessos, e nem a forçada intensão de soar depressivo ou melancólico, na realidade, orgânico e melodioso são as palavras que melhor definem o trabalho.
São apenas quatro composições, mas o suficiente para exibir todo potencial e sabedoria da dupla, sendo que três, possuem letras retiradas dos escritos do “Velho Safado” (leia-se, Charles Bukowski) e um é um belíssimo instrumental chamado, “Ruins”, que sem sombra de dúvidas é o grande destaque do material.
Os demais chamarizes são: “A Challenge To The Dark”, com belas passagens acústicas e atmosféricas e um exuberante dedilhado de (creio que seja) violão em seu início, e “Alone With Everybody II”, também com ótimos dedilhados e sons de trovão ao longe, os vocais fogem do convencional, por vezes limpos e quase evocativos, lembrando bandas de Pagan Metal.
Um trabalho realmente cativante, indicado aos fãs das bandas citadas e de nomes mais jovens, como: In Vain e Hands Of Despair.
Fábio Miloch





