Entrevista exclusiva com Vulcano (Hellish War)

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Praticando um Metal oitentista, a banda Hellish War surgiu na cidade de Campinas (São Paulo) e logo conquistou o underground brasileiro com seu Heavy Metal honesto e, também, conquistando a Europa esbanjando todo amor ao estilo. Batemos um papo com o guitarrista Vulcano, que nos contou um pouco sobre o caminho trilhado pela banda e as novidades que estão por vir. Confira!

Por William Ribas
Edição Johnny Z.

Metal Na Lata: A banda surgiu em Campinas (interior de São Paulo) no longínquo ano de 1995, como foi o inicio das atividades do grupo?

Vulcano: O Hellish War surgiu na virada de 95/96 com a proposta de um som mais fiel ao estilo metal dos anos 80. Atingimos vários locais underground que existiam na época por aqui e nas cidades vizinhas, como Sorocaba, onde mais acolheu o nosso metal e ainda acolhe.

Metal Na Lata: Logo de cara, a demo “The Sign” (1996), e o primeiro álbum, “Defender Of Metal” (2001), colocaram a banda entre uma das principais bandas nacionais de Heavy Metal, chegando até a ganhar elogios de críticos alemães como “o melhor disco Brasileiro de Heavy Metal”. Como é ouvir e ver tamanho elogio vindo de um país que respira Heavy Metal?

Vulcano: Essa colocação nos faz sentir orgulhosos de sermos uma banda brasileira que conseguiu se nivelar com bandas alemãs que, para nós, são nossas preferidas. Então ter nosso trabalho reconhecido por eles incentiva mais ainda a continuar na batalha pelo Metal.

Metal Na Lata: O segundo disco, “Heroes Of Tomorrow” (2008),  trouxe uma banda mais experiente, dosando bem a essência dos anos 80 com uma produção de primeiro mundo onde todos os instrumentos se destacam. Como foi dar esse passo adiante?

Vulcano: Esse álbum teve um amadurecimento bem aparente em relação ao primeiro álbum. Além da produção bem feita, o trabalho vocal e o instrumental como um todo soam com muito mais técnica. A bateria firmou bem a cozinha da banda, transmitindo mais segurança às guitarras, baixo e vocal.

Metal Na Lata: E aproveitando toda repercussão, esse mesmo álbum ajudou bastante a banda para agendar sua primeira turnê europeia. Seria errado dizer que é o álbum que define e mostra as principais características do Hellish War?

Vulcano: A partir desse álbum firmamos mais nosso estilo, então, não é errado afirmar que o “Heros Of Tomorrow” definiu nosso estilo até então.

Metal Na Lata:  Em 2010 vocês gravaram “Live In Germany”, como foi a repercussão para o álbum perante os fãs?

Vulcano: Nós tínhamos esse sonho de fazer um álbum ao vivo, mas não pensávamos que seria na Alemanha. Com os shows pela Europa fizemos algumas gravações e justamente o último show, no Razorblade Festival, achamos que seria legal para um disco ao vivo. O “Live in Germany” foi produzido totalmente pelo Hellish War sendo bem aceito pela crítica e resultando no lançamento pela Hellion Records.

Metal Na Lata: “Keep It Hellish” chegou em 2013, mostrando um novo vocalista, um som potente, mas sempre trazendo o Metal tradicional bem na cara e, mais uma vez, levando a banda para fora do Brasil. Como foi o início desse novo ciclo?

Vulcano: Essa segunda turnê mostrou mais uma vez a força do metal nacional invadindo o território europeu. Um cd bem produzido com sons marcantes e excelente performance do vocalista Bil Martins que colocou seu vocal bem furioso e oitentista. Desde então, a banda foi crescendo e amadurecendo.

Metal Na Lata: Quatro anos se passaram desde o lançamento de “Keep It Hellish”, e o grupo continua colhendo os bons frutos pelo excelente trabalho. Como vocês vêm essa repercussão toda?

Vulcano: É curioso como o “Keep It Hellish” ainda esta atual. Estamos trabalhando encima dele ainda nos shows e divulgando pra quem ainda não pode conhecê-lo. A repercussão ainda continua e logo teremos um novo álbum.

Metal Na Lata: Existem planos para o sucessor de “Keep It Hellish”?

Vulcano: Sim, logo estaremos em processo de composição e a expectativa é de um álbum seguindo a proposta tradicional do metal, mas de personalidade própria assim como cada álbum tem.

Metal Na Lata: Muito se fala dos problemas da nossa cena, com fãs que somente “apoiam-na” através do computador, produtores que só pensam nos lucros, casas de shows que não oferecem o mínimo de estrutura e, até mesmo, inveja e concorrência desleal entre bandas. Como vocês conseguem, de certa forma, mudar isso construindo uma cena forte novamente?

Vulcano: Para mudar isso só recomeçando do zero (risos). Uma cena forte só se faz pela união entre fãs e músicos. Os bares e casas de shows precisam investir em infraestrutura, tanto paras as bandas como para o público. Uma cena só pode existir com boa qualidade.

Metal Na Lata: Qual é a melhor e pior coisa que mudou dos tempos que vocês começaram para o momento atual na música pesada?

Vulcano: Quando começamos os bares abriam as portas para bandas autorais, não existiam covers. De um tempo para cá os bares ficaram com medo de apresentar bandas autorais e isso tem sido a pior coisa, salvo alguns locais que estão abrindo espaços e tentando resgatar e valorizar o trabalho próprio das bandas.

Metal Na Lata: Qual música da banda você indicaria para uma pessoa leiga ou que vá ouvir pela primeira vez Heavy Metal na vida?

Vulcano: O nosso maior clássico: “Defender Of Metal”

Metal Na Lata: Vinte dois anos de banda, três álbuns de estúdio, um ao vivo gravado na Alemanha, qual é o sentimento por trás de tanta história?

Vulcano: Sentimento de conquista. Mas também de raiva por ter que sempre lutar contra a maré. As bandas de Metal no Brasil sofrem demais para se apresentar em bons lugares. Temos muitas bandas boas e profissionais que deveriam ser mais valorizadas pela mídia. Enfim, ainda estamos na luta e faremos um pouco mais de história.

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, o espaço final é todo seu.

Vulcano: Amigos do Metal, acreditem nesse estilo! O Hellish War fará a sua parte. Forte abraço a todos.

Mais Informações:
www.hellishwar.com.br
www.facebook.com/hellishwar
www.twitter.com/hellishwar
www.youtube.com/hellishwarofficial

O Metal Na Lata agradece pelo respeito, agilidade parceria de sempre de Susi dos Santos e todos da Assessoria Som do Darma.

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