
Não é de hoje que os brasilienses do Device vêm fazendo “barulho” no underground, afinal são mais de dez anos de atividade, sempre com um som extremo e brutal, fazendo um bom nome na cena de Brasília e também fora dela. Após uma espera de oito anos, a banda acaba de soltar o pesadíssimo EP “Godless”, mostrando que eles estão cada vez mais agressivos e com sede de sangue. Conversamos com a banda sobre o processo de criação desse trabalho, nova formação, cenário underground e planos para 2018.
Por Victor Augusto
Metal Na Lata: Como foi o processo de composição de “Godless”?
Marco Mendes: Houve uma permanente evolução nas composições com o passar do tempo. No início, a banda buscava um tipo específico de sonoridade que foi se alterando para algo mais cru e voltado a um Death Metal mais agressivo, com a banda colaborando em todos os arranjos.
Metal Na Lata: O Device fez um cover bem interessante de “Igreja Universal” (Ratos de Porão) colocando o Death Metal característico da banda na música. Como foi dar essa roupagem ao som de uma banda de Hardcore?
Diego Campos: A sugestão do cover veio de Italo (vocalista) e a banda teve que ralar muito pra conseguir, primeiramente, reproduzir uma música tão intensa e complicada, e em seguida deixá-la mais pesada em algumas de suas passagens. Desde o início já tínhamos a concepção de adicionar ao Hardcore alguns elementos do Death Metal que tocamos, como o pedal duplo e os blasts beats, com algo mais cadenciado e sombrio. A música original é perfeita por ter essas partes.
Metal Na Lata: A produção de “Godless” ficou a cargo de Pedro Tavares, no estúdio 1234 Recording Studio. Como foi a escolha do produtor e do local de gravação?
Daniel Gonçalves: Após decidir sobre a forma de lançamento, pesquisamos estúdios de acordo com o que a banda dispunha de orçamento, em virtude da produção independente. O Diego (bateria) é amigo de longa data de Pedro Tavares, os quais tocam juntos em projetos de Punk e Hardcore, tendo este sido uma indicação acertada pela sua experiência com gravação de bandas dos mais variados estilos.
Metal Na Lata: Desde o lançamento de “Antagonistic” (2010) até o “Godless” (2018), se passaram oito anos, sendo que o Device se manteve ativo em shows. Como você analisa a evolução da banda como músicos e em termos de popularidade no underground nesse período?
Italo Guardieiro: Sempre mantivemos a banda ativa, ensaiando, compondo e fazendo alguns shows. Em 2017 fizemos um apenas um show no ano todo, mas em todas as semanas nos reunimos para compor e ensaiar. Temos músicas para um álbum completo. Em relação à popularidade, é complicado analisar, mas acredito que não nos importamos com isso. Estamos mais comprometidos em fazer um som que a gente curta, e se agradar alguém, bem, se não foda-se.
Metal Na Lata: Nos últimos anos, a banda está com Diego na bateria. Como foi essa mudança de formação e o que isso muda no som da banda?
Italo Guardieiro: Diego é um amigo de longa data, já chegou a tocar com a gente substituindo o Victor em algumas ocasiões. A meu ver, ele é mais agressivo, menos firulento e mais cachaceiro.
Metal Na Lata: Quais foram às bandas que influenciaram os músicos do Device na época da criação da banda? Alguma banda nova vocês consideram uma nova inspiração?
Italo Guardieiro: As de sempre são o Deicide, Slayer, Sepultura, Krisiun, Bloodbath, At the Gates e etc. Novas são o Abominable Putridity, Scour, The Lurking Fear, Black Breath e etc.
Metal Na Lata: Em 2014, a banda organizou o “Verme Festival”, que na época celebrava os 10 anos da banda. Vocês tem intenção de fazer mais edições do festival em um futuro próximo?
Italo Guardieiro: Sim. O próximo já está marcado para o dia 16 de março deste ano.
Metal Na Lata: O festival contou com grandes bandas do cenário local (Optical Faze, Phrenesy, DeathSlam, etc). Quais bandas que surgiram nesses últimos anos que se encaixariam em uma segunda edição do “Verme Festival”?
Italo Guardieiro: Esse ano vamos realizar um novo Verme Fest, menor, para o lançamento do EP. Mas temos uma porrada de banda que poderiamos chamar, por exemplo: Infezto, Fleshpyre, Considered Dead, Isaurian, Mofo, Peso Morto e etc. Mas vai rolar, sempre que possível dando espaço para bandas novas também.

Metal Na Lata: O Distrito Federal vive um momento com muitas bandas boas de Heavy Metal e excelentes lançamentos de materiais, mas ao mesmo tempo vemos shows vazios, menos casas de shows que abrem espaço para o estilo e bandas encerrando as atividades. Como você avalia esse momento no underground brasiliense e até mesmo nacional?
Daniel Gonçalves: O lançamento independente é uma consequência dessa realidade. As bandas de metal extremo têm pouca visibilidade no Brasil pela percepção de pouca atratividade comercial no mercado nacional, sendo comum o apoio vir, principalmente, de veículos internacionais. Repetindo o termo, independente das dificuldades, a vontade de fazer algo de qualidade, pela paixão ao metal, sem a necessidade exclusiva de retorno financeiro, é o que nos motiva, assim como a outras bandas nacionais, e acreditamos que a cena possa se fortalecer dessa forma.
Metal Na Lata: Quais os planos para o Device em 2018?
Marco Mendes: Queremos fazer mais shows, tentar lançar esse EP em formato físico e já estamos trabalhando nas composições para o nosso próximo álbum completo, o qual deverá ser lançado quando der, pois a grana tá curta.
Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista. Deixem suas considerações finais.
Italo Guardieiro: Muito obrigado pelo espaço cedido, parabéns por apoiar o underground e continuem firmes!
Mais informações:
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