Entrevista exclusiva com André Rod, Marcelo Souza e Argos Danckas (Attomica)

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Seja a dificuldade de se sobressair em um cenário exigente e com inúmeras boas opções ou por conta de fatores que extrapolam o campo da música, mas fazer som pesado no Brasil (ainda mais de qualidade) é imensamente difícil. O Attomica tinha muitos motivos plausíveis até para abandonar o barco e deixar que seus membros vivessem uma vida normal, mas a resiliência do trio, André Rod (baixo/vocal), Marcelo Souza (guitarra) e Argos Danckas (bateria) fez com que a banda tivesse combustível para se levantar e vencer as dificuldades e transformasse todo e qualquer problema em energia que foi canalizada na criação de “The Trick”, o mais novo álbum do trio e que vem sendo altamente aclamado pela imprensa especializada. Confira agora, com exclusividade, a entrevista que fizemos com a banda, onde pudemos descobrir todo o caminho de superação que os guiou até um dos melhores momentos de sua carreira e também saber dos planos para o futuro.

Por William Ribas
Edição e diagramação: Johnny Z.

Fotos cedidas pela banda

Metal Na Lata: Qual é o conceito por trás do título e capa?

André Rod: A Letra da música “The Trick” define bem esse conceito de que tudo é um jogo e da necessidade de ter sempre uma boa carta na manga.

Argos Danckas: O rei na capa foi para mostrar que a banda nunca perdeu a sua grandeza, sempre esteve viva. Na arte da capa, fotos e encarte tivemos a participação de dois ex-integrantes lendários da banda. A capa quem desenhou foi o ex-vocalista Fabio Moreira, mesmo criador das capas dos álbuns “Limits of Insanity”(1989) e “Disturbing The Noise”(1991) e a foto dos integrantes, mais a criação do encarte, quem registrou foi o fundador da banda e ex-guitarrista Pyda Rod (1985-1990).

Metal Na Lata: As músicas do novo álbum passeiam muito entre o Thrash Metal americano, principalmente vindo da Bay Area, mas com pitadas de Heavy Metal e partes instrumentais bem quebradas fazendo com que o álbum soe o mais diversificado possível. Como foi o processo de composição para “The Trick”.

André Rod: Como o processo de criação exige uma certa concentração, e geralmente isso envolve tempo, para otimizar nossas horas de estúdio fiz as composições em casa e apresentei cada música toda mapeada no ensaio já com as ideias de ritmo.

Argos Danckas: O André praticamente já trouxe as músicas prontas, ele apresentou as composições em um violão e o Marcelo moldou e lapidou as ideias na guitarra, eu adicionei as levadas de bateria sempre junto com as linhas do baixo.

André Rod: Nos trabalhos anteriores usávamos uma fórmula diferente onde as músicas eram compostas durante cada ensaio, com exceção de uma ou outra. Em “The Trick” trabalhamos os arranjos de bateria com Argos, posteriormente o Marcelo criava os solos. Em relação as letras, em várias ocasiões, fui adaptando durante esse processo.

Marcelo Souza: Aos poucos tudo foi tomando forma! tivemos a liberdade de interpretar cada música da nossa maneira, sem ficar preso a rótulos.
Cada um pôde trazer suas influências e finalizarmos com um trabalho diferenciado e especial!

Argos Danckas: Fazer música em Power trio aumentou a responsabilidade em manter o peso e qualidade, tradição em todos os lançamentos da banda. Por outro lado, isso permitiu imprimir mais em cada música as características individuais de cada um.

Metal Na Lata: Continuando a pergunta anterior. Qual é a importância de se entregar um material balanceado com músicas rápidas para se bater cabeça e outras para se cantar junto?

André Rod: Isso permitiu criar um diferencial em nossas apresentações e ao mesmo tempo fez com que cada música fosse mais notada em suas particularidades.

Argos Danckas: Acredito que é muito importante por mostrar que o Attomica tem essa autonomia de compor músicas ora rápidas, agressivas e em outros momentos técnicas e cadenciadas ou tudo isso numa música só.

Metal Na Lata: Ouvindo “The Trick”, é inevitável não vir na memória o Megadeth, seja pela parte instrumental ou, principalmente pela parte lírica graças ao timbre parecido do André Rod com o de Dave Mustaine. Essas comparações de algum modo ajudam ou atrapalham a banda?

André Rod: Não interferem em nada, as músicas surgiram de forma natural e foram bem aceitas por todos os integrantes que tiveram a liberdade de colocar suas características e influências na hora da execução. O que importa é que as críticas estão sendo boas, mesmo quando acompanhadas de comparações.

Argos Danckas: Após lançar o trabalho é natural que as comparações venham surgindo. Cada músico tem uma característica de tocar e cantar que em alguns casos pode ocorrer de ficar similar no timbre a outro músico, mas acho que isso não interfere na banda, o importante é ter boas comparações rsrs.

Metal Na Lata: “The Trick” se encerra com a faixa “Mistery”, que conta com a participação do falecido Alex Rangel que fez história na banda. Qual é o sentimento ao ouvir essa música em especial?

Argos Danckas: Foi a primeira música a ser finalizada para o álbum “The Trick”. Nos apresentamos no início de 2015 em São José dos Campos, ainda com ele no vocal, e essa música fez parte do repertório. Foi sensacional. O Alex era mais que amigo, era um irmão praticamente, um cara que sempre levantava a bandeira da banda e da cena do metal, muito autêntico, carismático e humilde, tivemos a honra de conseguir gravar a “Mistery” com ele.

Marcelo Souza: Essa faixa é muito especial pra nós, pois teve uma participação muito intensa do Alex no processo de composição. Ele queria muito esse álbum pronto

Argos Danckas: Eu posso dizer que o Alex sempre estará vivo em nossos corações e principalmente que o Attomica era o que ele mais gostava nessa vida.

Marcelo Souza: Infelizmente o Alex Rangel não pode estar hoje com a gente neste plano físico, mas esta música é nossa homenagem a ele!

Metal Na Lata: Por serem uma banda old school, o correto é vocês servirem de influência para novas gerações, mas em “The Trick” teve alguma banda nova que inconscientemente possa ter servido de inspiração para o resultado final do novo álbum?

André Rod: Inconscientemente talvez, mas em The Trick busquei exatamente o contrário. A primeira banda de Heavy Metal que escutei foi Led Zeppelin no início dos anos 70, depois disso conheci muitas outras da mesma época e fiz o possível para usar mais dessas influencias, mas sem perder as características mais marcantes da banda que sempre foram muito peso e boas palhetadas.  Acho que deu certo.

Metal Na Lata: Cerveja e Heavy Metal são quase que sinônimos, com isso a banda acaba de lançar a “The Trick Sanbeer”. Como está sendo o feedback do público?

Marcelo Souza: Mais que positivo, já era uma ideia que tínhamos de lançar uma cerveja e fomos muito criteriosos com cada detalhe. A Sanbeer fez um ótimo trabalho e estamos muito contentes com a aceitação do público, que por sinal sabemos que é muito exigente quando o assunto é cerveja (risos).

Metal Na Lata: Há um tempo vocês lançaram um aplicativo para celular. Como surgiu essa ideia e o que o fã irá encontrar nele?

Argos Danckas: A ideia surgiu de um fã da banda (Luigi) da BonApp, que através de um bate papo ele nos mostrou seu trabalho e como que seria esse aplicativo, achamos legal pela questão da inovação, até porque hoje em dia todo mundo vive com o celular na mão, a tecnologia cresce a cada dia, a banda decidiu abraçar essa ideia e lançamos o aplicativo com exclusividade. Ele está disponível no Google Play e Apple Store, lá os fãs vão encontrar tudo sobre a banda, fotos, vídeos, discografia, história da banda, contatos para shows e até ride técnico caso o contratante queira saber mais detalhes, tem tudo lá, vale a pena instalar no celular, o aplicativo é bem leve e funcional.

Metal Na Lata: Para promover o álbum foram lançados até o momento dois clipes “Give Me The Gun” e “Kill The Hero”, músicas fortes e que representam muito bem o novo material. Como chegam ao consenso de tal faixa de ser a música para se promover um disco?

André Rod: Primeiro coração – até que ponto o ouvinte pode ser envolvido pelo som? Depois a razão – Qual o perfil de público queremos atingir no momento? E mais algumas informações básicas e chegamos a um consenso do que lançar.

Metal Na Lata: André desde “Limits Of Insanity”(1989), não assumia os vocais principais em um álbum do Attomica. Aconteceu de forma natural essa sua volta?

André Rod: Sim. Uma adaptação aqui outra ali em algumas músicas dos trabalhos anteriores e deu tudo certo. Hoje com mais de 3 anos nos vocais já me sinto bem à vontade.

Metal Na Lata: Vocês acabaram de gravar o primeiro DVD da banda. Como ocorreu o show em si, e houve alguma pressão interna por conta das câmeras?

Marcelo Souza: Estávamos ansiosos com este show. Ele marca essa nova fase da banda que é um momento muito bom! Como estávamos bem ensaiados e vindo de uma sequência de shows bem-sucedidos. Ficamos satisfeitos e acreditamos que fizemos nosso melhor, porém gravar um DVD não é uma tarefa fácil! Existiu sim a preocupação com as câmeras, tocamos um pouco mais “preocupados “com a performance e qualidade na execução, mas no final tudo saiu como planejávamos!

Argos Danckas: O show foi sensacional, gravamos no Sesc em São José dos Campos (terra natal do Attomica). Tivemos participações especiais com o Flavio Devarschi (banda Vírus) cantando “Limits of Insanity” e Luana Camarah (banda Malta) cantando “Mistery” em homenagem ao saudoso Alex Rangel. Tudo foi conforme planejamos, tocamos o álbum “The Trick” na Íntegra e mais os clássicos da banda.
O público presente curtiu muito esse showzasso, muito em breve o DVD estará saindo do forno para os fãs poderem prestigiar.

Metal Na Lata: Nós sabemos como o modo de consumir música mudou radicalmente nesses últimos anos. Para uma banda com a bagagem de vocês, qual é o melhor e pior dessa nova realidade?

Argos Danckas: Talvez a questão de a tecnologia trazer tanta comodidade para muitos, isso fez com que a banda tivesse que se adaptar ao mundo atual. Uma banda da proporção do Attomica, tem que pensar sempre em atender e acompanhar os fãs em todos os lugares. O lado bom é que hoje ficou tudo mais fácil para se ter acesso. Vemos isso de forma positiva, o lado ruim fica para quem não sabe se adequar as mudanças e inovações que acontecem ao longo do tempo. Sempre houve mudanças e sempre haverá, quem se adaptar vai obter os benefícios das mudanças de tecnologia e comportamento da nova geração, quem parar no tempo sofrerá o lado ruim.

Metal Na Lata: Existe a possibilidade de a formação atual regravar músicas antigas e lançar algo perto de um “Best Of”?

André Rod: Por enquanto não! Já estamos trabalhando em novas composições e é onde queremos concentrar nossos esforços no momento. Existe uma possibilidade de gravação de uma música que foi composta no final dos anos 80 e que nunca foi lançada oficialmente pela banda.

Argos Danckas: Já houve o desejo, mas talvez não aconteça agora. Regravar grandes clássicos com a qualidade atual e nível técnico mais apurado, com certeza iria despertar a curiosidade dos fãs em saber como ficaria com essa nova formação. Mas no momento o foco é a Tour You Bet – Part 1 de divulgação do álbum novo e nos ensaios já trabalhamos em novas composições para um futuro álbum.

Metal Na Lata: É correto dizer que após 33 anos de fundação, este é o melhor momento para o Attomica?

André Rod: Em 33 anos muitas coisas aconteceram e marcaram época, mas hoje temos uma equipe focada e que sabe o que quer, o trabalho é constante e temos uma boa Assessoria, Gerenciamento e Produção feita por Phill Lima (Over Metal, agora Agência OM).

Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista, o espaço final é de vocês.

Marcelo Souza: Gostaria de agradecer ao Metal na Lata e aos fãs que têm dado todo o apoio comparecendo aos shows, nos acompanhando nas redes sociais e adquirindo os produtos da banda.
A todos que estão sempre do nosso lado este novo álbum e o DVD são dedicados a vocês!

Argos Danckas: Obrigado pela oportunidade! Quero agradecer também aos fãs que sempre nos acompanham nos shows e nas redes sociais! Abração!!!

André Rod: Quero agradecer a você William Ribas por ter nos cedido espaço para que pudéssemos falar um pouco de nosso trabalho e também a todos os leitores de Metal Na Lata. Forte abraço a todos!!!

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