Entrevista exclusiva com Arjen Lucassen (Ayreon)

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Arjen Lucassen, após ter girado o mundo nos anos 80 e 90 integrando o Vengeance e vivido a experiência do mercado da música, optou por uma vida reclusa no Sul da Holanda, de onde raramente sai, salvo quando é arrastado para fora de casa por ações de divulgação de seus álbuns, organizadas pela gravadora. Foi o que aconteceu nesta semana, quando tivemos a rara oportunidade de falar com este ermitão do Metal Progressivo a respeito do último lançamento de seu projeto Ayreon, intitulado “The Source”. Confira abaixo os principais trechos desta curta conversa (tivemos apenas 20 minutos) que tivemos com Arjen em que fica claro que sua genialidade o torna um cara simples facilmente notado nessa conversa sincera e agradável.

Por Wallace Magri

Metal Na Lata: Arjen, fale-nos um pouco do tema de “The Source”.

Arjen Lucassen: Esta história antecede o que vem em “01011001” (2008), trata basicamente sobre a dependência de tecnologia enfrentada no Planeta Alpha, que atravessa o mesmo problema ecológico que nós atravessamos. Para solucionar este problema, eles instruem a Máquina a desenvolver uma resposta, que acaba sendo exterminar a raça humana.

Metal Na Lata: O que vem primeiro: o conceito, as letras ou a música?

Arjen Lucassen: A música sempre vem primeiro, e então eu espero que a música me inspire a vir com as ideais para o tema central por meio do qual as letras das músicas são desenvolvidas.

Metal Na Lata: Conte-nos um pouco a respeito dos escritores que te influenciaram na criação dos temas e das letras.

Arjen Lucassen: Eu nunca li um livro a minha vida toda! Nunca me interessei realmente por literatura, tudo vem a partir da composição das músicas e, além disso, como você sabe, eu adoro Star Wars e outros filmes de ficção. Basicamente, essas são minhas únicas referências extramusicais.

Metal Na Lata: Enquanto você compõe as músicas já vai imaginando o vocalista que se encaixaria melhor? De onde surgem os nomes?

Arjen Lucassen: Sim, eu tenho uma wishlist e, enquanto eu componho vou pensando em alguns nomes, mantemos contato e os convido para gravar comigo. Eu tenho realmente muita sorte, pois posso contar com os melhores vocalistas do mundo! Infelizmente, desta vez, alguns deles não puderam comparecer presencialmente – como foi o caso de James La Brie e Tommy Karevick, que estavam excursionando com suas bandas naquele período. Mas mesmo assim, tudo saiu como planejado e fiquei muito satisfeito com o resultado e, pelas críticas que o álbum vem recebendo, parece que agradou à imprensa e aos meus fãs.

Metal Na Lata: Com que frequência você pensa em simplesmente montar uma banda convencional e sair tocando por aí?

Arjen Lucassen: Nunca penso nisso, eu sou totalmente recluso e é deste jeito que decidi viver. Eu já toquei bastante e vivenciei as turnês durante os anos 70, 80 e 90 e, atualmente, não consigo mais me ver nesta situação. Portanto, fora de cogitação. Vez ou outra surge a oportunidade de fazer alguns shows de meus projetos e é isso. Até mesmo porque seria dificílimo conciliar a agenda de todos os músicos envolvidos e uma turnê fica descartada porque eu não participaria, então creio que os fãs não iriam se interessar.

Metal Na Lata: Considerando que a maior parte das bandas atualmente dizem que vivem basicamente do resultado financeiro de suas turnês, como você consegue sobreviver apenas lançando álbuns?

Arjen Lucassen: Na verdade é muito fácil, como te disse, vivo uma vida reclusa, não preciso de praticamente nada – não compro roupas, me alimento pouco em virtude de meu problema de saúde (nota da redação: alguma doença degenerativa comprometeu o paladar de Arjen) e, além disso, eu tenho os melhores fãs do mundo, que sempre compram em grande quantidade nossos materiais, que são sempre bem cuidados e acabados, em formato digipak e diversos itens colecionáveis, etc. O que vem disso me basta para viver tranquilamente.

Metal Na Lata: Como você imagina sua atual base de fãs? Será que há jovens que se interessam e têm paciência para sentar e ouvir um álbum conceitual na íntegra, acompanhando as letras e tudo o mais nos dias de hoje?

Arjen Lucassen: Eu acho que a música atualmente não se relaciona mais com a idade. Antigamente, as crianças ouviam apenas aquilo que lhes era colocado pelos pais. Hoje em dia, com o fácil acesso a base de dados musicais praticamente infinitas, há jovens ouvindo música clássica, progressiva, portanto eu acho que deve haver vários jovens em contato com o Ayreon.

Metal Na Lata: Arjen, muito obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem para seus fãs aqui do Brasil, em especial aos leitores do Metal na Lata.

Arjen Lucassen: Eu amo meus fãs brasileiros, eu recebo muitos e-mails deles, são fãs sempre muito entusiasmados e que realmente apoiam seus ídolos. Continuem agindo desta maneira e fico grato por poder contar com todos vocês.

Agradecimentos à Thiago Rahaul Mauro (TRM Press) e Hellion Records Brazil.

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