
Apesar de sua curta existência, o Viletale impressiona pela crescente visibilidade dentro do cenário nacional e, aos poucos, também está atraindo a atenção internacional, com uma ou outra música sendo veiculada em rádios fora do Brasil. Não é por menos, pois foram três EPs, um single (natalino) e a gravação de um disco completo em andamento, tudo isso em APENAS dois anos, o que mostra a força criativa da banda. Conversamos com o vocalista/guitarrista, Bruno Jankauskas,sobre a origem da banda, os trabalhos lançados e o que podemos esperar para 2018 com o próximo disco.
Por Victor Augusto
Metal Na Lata: Como surgiu a banda?
Bruno Jankauskas: A banda surgiu em janeiro de 2016. Eu já tinha saído de outra banda, o Alan e o Matheus Lunge estavam secos pra tocar. Foi por puro encontro de desejos. Além disso, queríamos fazer uma banda de Gore, mas acabou afunilando pra algo um pouco mais estranho.
Metal Na Lata: Qual o significado do nome “Viletale” e como vocês chegaram a ele?
Bruno Jankauskas: Viletale define a proposta da banda. Falar de horror literário. Horror cinematográfico. Horror em suas várias extensões. Portanto, o nome da banda é a junção de duas palavras: “Vile” (vil) e Tale (conto). Tradução a grosso modo é “Conto Vil”. As pessoas acham que a logo de Vile, pelo fato de ter nosso selo “Violate Iconoclast Leviathan Exuberant”, torna esse o nome da banda também. Na verdade é só um jargão cujas iniciais formam a palavra “Vile“.
Metal Na Lata: Mesmo do pouco tempo na ativa, o Viletale está sempre compondo, lançando três EPs e um single em apenas dois anos. Como é o processo de composição entre os músicos?
Bruno Jankauskas: Normalmente a gente pega minérios de nossas experiências casuais para os ensaios e os mineramos e polimos lá, trazendo algo novo. Normalmente, eu tenho uns riffs já bem prontos, passando pra cada integrante. Sejam linhas de guitarras adicionais, frases relevantes no baixo e até uma ideia visceral ou progressiva de bateria. Mas claro, todos tem espaço e voz para alterar e modificar a ideia, democraticamente, caso fique legal. A gente sempre tenta pensar numa composição não como mais uma música para tocarmos para alguém, ou para fazer alguém lembrar e cantar na frente do palco, mas como uma nova prole, um novo filho, que tem suas características um tanto únicas e sua própria essência. Aliás, antes de pensarmos numa música nova, tentamos nos localizar. Estamos num projeto “x”, que puxa músicas com esse tipo de levada. Então vamos investir nesse estilo como base e enfeitar nossas músicas, hora ou outra, com um detalhe diferente de algum estilo imprevisível.
Metal Na Lata: Do EP “From The Dephts Ov Mind” para “Suicide of Dei”, ficou bem nítida a evolução da banda em menos de um ano entre os lançamentos. A que você atribuem esse crescimento?
Bruno Jankauskas: Acho que mais do que 100 % para nossa migração de um estúdio para outro. Não descarto, nem nunca vamos descartar a relevância e a importância que sentimos pela nossa obra tentacular que foi o “From The Dephts Ov Mind”. Querendo ou não, elas tem uma atmosfera bem diferente, que caso fosse reproduzidas (olha nós aqui dando um spoiler do futuro), elas teriam o mesmo gosto, a mesma ideia, a mesma pegada. O lance que impactou a galera no “The Suicide Of Dei” imagino ser pela nova potência sonora, entrando um produtor novo. As músicas mais retilíneas, na mesma receita de “intro – riff A – refrão – etc”. A música em português acho que foi também outro fator crucial do avanço da banda. Mas acima de tudo, a troca de estúdio foi a responsável em tirar a banda do “notável” para o estado “relevante”.
Metal Na Lata: A música “Splatterhouse”, do EP “Suicide of Dei” (2017), foi a primeira a ganhar um vídeo oficial. Como foi a gravação dele?
Bruno Jankauskas: Foi tudo por causa do Doritos Garage (concurso feito pelo Doritos onde as bandas deveriam fazer um vídeo de uma musica em ensaio ou em outra forma para concorrer a uma vaga no Rock in Rio). Queríamos ter entrado e ganhado na competição para tentar tocar no festival. Nunca se sabe né? Mas não rolou. Porém, enquanto gravávamos, concordamos em que, caso a gente não ganhasse, obviamente, já seria um material áudio visual. A primeira música mesmo a ganhar um vídeo oficial foi a “Shattered Existance”, com um lyric video. Ambos os vídeos, comunicação da banda, etc, é feito por nós. O vídeo da “Splatterhouse” foi gravado no estúdio Sonority, em Indaial – SC, numa tarde de sábado. Um celular aqui, outro ali, duas pessoas filmando, um take completo de cada um, planos detalhes e pronto. Depois era só trazer para o computador. A banda em si dirigiu o vídeo, e eu fiquei a cargo da edição.
Metal Na Lata: O som da banda foge um pouco das tradicionais bandas de Death Metal/Gore. Quais são as influências e qual a proposta da banda?
Bruno Jankauskas: A proposta da banda sempre foi fazer o mais do mesmo, só que bem feito. Lá no início, nos primórdios e antes ainda do “Initiation”, mas nós somos quatro músicos que vêm de escolas totalmente diferentes do metal. Um é do metal extremo, o outro do power/progressivo. Um escuta Metalcore e outro underground bem sujo e carnicento. Isso fez com que todos pudessem conhecer um pouco mais do que o outro escuta e sempre trazer influências novas e interessantes. Depois do primeiro EP, que não é um simples Death Metal, mas tem breves pitadas de coisas diferentes no som, a gente começou a investir mais nas nossas composições. A gente sempre diz que Infant Annihilator, Death, Akercocke, Cradle of Filth, ainda GoatPenis e fleshgrinder são nossas influências. Mas acabamos sempre tirando um pouco de tudo e criando esse “elemento X” na banda que o pessoal tanto gosta. É engraçado ver em algumas resenhas como as pessoas tentam denominar a gente, tentando nos colocar num rótulo em específico. Não. Não é para isso que estamos aqui. Queremos ser o elo de encontro de vários estilos de uma forma que muitas pessoas possam escutar nosso trabalho. Por isso Horror Metal, que ainda foi uma definição dada por uns amigos nossos. A mistura de vários estilos de um aspecto bem estranho, mas altamente visceral, abordando de forma icônica o horror.

Metal Na Lata: As capas dos álbuns também fogem das tradicionais artes do estilo e entram no clima das histórias de horror, abordada pela banda. Como foi a escolha e criação de cada uma?
Bruno Jankauskas: A capa do “Initiation” foi meramente uma escolha de artes obscuras de séculos passados, porque toda banda do underground PRECISA ter uma, não é mesmo? (risos) Então a arte dele, que fala de pactos demoníacos, bruxaria, demonologia, precisaria dar algo como um ar de iniciação. A arte de Gustave Doré, uma das sequências que retrata o Inferno de Dante, foi à escolhida (muitas outras bandas já devem ter escolhido, uma delas foi a Ad Baculum, com seu disco “Opening The Abyss”). No “From The Dephts Ov Mind”, fizemos uma montagem para dar um ar de pintura e retratar uma profundeza um tanto abstrata inspirada nos conceitos “Lovecraftianos”. O “The Suicide Of Dei” teve seu nome junto com a escolha da capa. Eu e o Lunge estávamos procurando alguma ideia pro EP e o Lunge comentou do filme “Begotten” que daria uma ideia legal para o EP. Depois de menos de 5 minutos assistidos de filme, tínhamos a capa pronta, um nome pronto e uma ideia pra uma música nova, que foi a própria “Suicide Of Dei”. Já a do single também foi uma completa montagem de recortes para dar a aparência de um natal frio e vazio. Não tem a logo extensa da banda, mas se você procurar direito vai achar o selo dela em algum canto.
Metal Na Lata: Em dezembro de 2017, a banda soltou um single bem humorado de natal, o “A Giftless December”, dando uma roupagem bem pesada ao famoso “Jingle Bell”. De que forma surgiu essa ideia?
Bruno Jankauskas: A música veio da ideia de minha namorada, que sempre sugeriu em fazer uma música que tem a ver com o Krampus (demônio natalino). Se parar pra refletir, estamos fazendo referência até a nossa própria cultura, pois o Krampus é retratado hora ou outra em comemorações natalinas aqui no vale do Itajaí, em SC, principalmente em Brusque e Blumenau. Olha só que mártir. A gente a modelou em cima de riffs natalinos. Por que não, né? Jingle Bells Rock, Carol Of The Bells, dando uma agressividade que varia do Thrash pro Death com direito a Breakdown. Ficou legal no fim das contas. Pena que a música não teve tanto reconhecimento quanto esperávamos que teria. Mas foi de longe uma das músicas mais marcantes da banda em questão de passar essa ideia cômica, satírica, ao mesmo tempo de uma melodia bem pegajosa. Esperamos poder passar essa mesma ideia com nosso novo álbum para esse ano.
Metal Na Lata: Como resultado do crescimento da banda, vocês foram convidados para abrir o show da lendária banda holandesa Pestilence. Qual a expectativa para esse show?
Bruno Jankauskas: Altíssimas expectativas, com certeza. Pestilence foi uma das minhas bandas de inspiração após me conhecer dentro do Death Metal. Acho que não só esse show, mas esse ano nós temos muitíssimas expectativas e esperamos crescer muito com a quantidade de coisas que temos a oferecer por aí.
Metal Na Lata: Existem planos ou proposta para turnês?
Bruno Jankauskas: Não, mas estamos abertos para turnês (risos). Queremos obviamente marcar algo para o lançamento do nosso novo full, talvez por Curitiba, São Paulo ou ainda no nordeste. Mas qualquer convite de tocar, estamos aceitando de muitíssimo bom grado.
Metal Na Lata: E a gravação de um disco completo? A banda pretende aproveitar ou regravar alguma faixa dos EPs anteriores neste disco?
Bruno Jankauskas: Com certeza. Neste exato momento estamos gravando o nosso primeiro álbum completo. O que vocês já sabem é que três das músicas do “The Suicide Of Dei” estarão lá regravadas, já que elas pertenciam à ideia principal do conteúdo do disco, além de muitas outras músicas inéditas. E como faixas bônus, a regravação de uma música de nosso primeiro EP e um cover de uma banda catarinense que apreciamos muito. A arte já está sendo feita, letras estão sendo finalizadas e músicos estão sendo convidados para participar com suas vozes nessa profanação em massa. Só digo uma coisa: #LOTP (segredo da banda).
Metal Na Lata: Quais os planos para 2018?
Bruno Jankauskas: Álbum novo, talvez alguns materiais audiovisual e merchandise novo. Muitas coisas estão por vir. Mas vemos a banda crescer esse ano de uma forma que ela jamais cresceu.
Metal Na Lata: Obrigado pela entrevista. O espaço está aberto para as suas considerações finais.
Bruno Jankauskas: Agradecemos a todos que estão apoiando a banda com força e determinação. Nós estamos aqui por causa da cooperação de todos os envolvidos e queremos dar ao Brasil e ao mundo uma banda mais potente e única no mercado, na qual todas possam escutar e saber que é a Viletale que está ali. Acreditem no poder da música e leiam bastante.
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