Entrevista: Sébastien Salin, baterista do SlaveOne (Death Metal de Montargis na França)
Em 20/02/2026, a banda francesa de Death Metal da cidade de Montargis, SlaveOne, lançou o terceiro álbum completo de sua discografia, The Seraphic Conspiracy (leia a resenha do Metal Na Lata), pelo selo Crypt of Dr Gore.
Atualmente contando com os músicos, Nicolas S (guitarra), Sébastien Salin (bateria), Benoît (guitarra), Jean Taraud (baixo) e Tarvos Brádach (vocal), o quinteto iniciou suas atividades em 2009. A sua discografia teve início em 2012 com o lançamento do EP Cold Obscurantist Light. No entanto, seu primeiro full lenght, Disclosed Dioptric Principles, só foi lançado quatro anos mais tarde. Em seguida, em 2017, mais um EP, An Abstract and Metaphysical Approach to Deceit. Já em 2020 foi a vez de seu segundo álbum completo, o elogiado Omega Disciples, que é, portanto, o antecessor de seu mais recente registro.
Desde que iniciou sua carreira, sua sonoridade sempre foi um Death Metal mais técnico e criativo. Além disso, SlaveOne sempre buscou sua própria assinatura dentro de sua música, algo que é sempre razão para elogios. Conversamos com o seu baterista, Sébastien Salin, a fim de saber mais sobre o novo disco e também sobre sua história.

Conversando com o baterista Sébastien do SlaveOne:
Metal Na Lata: embora seja um longo hiato, valeu à pena esperar seis anos pelo novo disco do SlaveOne. Visto que The Seraphic Conspiracy atendeu minhas expectativas, na visão da banda, como a mídia e os fãs recepcionaram o novo trabalho? Está tudo de acordo com o que vocês esperavam ou se surpreenderam de alguma forma?
Sébastien:
“The Seraphic Conspiracy é o nosso lançamento mais bem recebido até agora. Não esperávamos que as coisas tomassem esse rumo. As críticas são realmente positivas, assim como as cópias físicas estão vendendo muito bem.”
A diferença de sonoridade entre os dois últimos discos
Metal Na Lata: ainda que The Seraphic Conspiracy também seja técnico, é notável que o mesmo é muito menos virtuoso que Omega Disciples. Ou seja, não há aqueles solos de baixo ou elementos de Fusion mesclados ao Metal da Morte. Enfim, essa mudança na sonoridade foi deliberada ou aconteceu naturalmente?
Sébastien:
“Queríamos que as músicas fossem menos progressivas e mais diretas. Dessa forma, as novas músicas foram escritas para serem tocadas ao vivo com energia. Mas, embora pareçam menos técnicas, a maioria dos riffs é bem complexa de tocar. Estamos orgulhosos do trabalho de guitarra em The Seraphic Conspiracy. Raramente as guitarras tocam partes semelhantes ao mesmo tempo.”
SlaveOne on the road
Metal Na Lata: como vem sendo a história do SlaveOne na estrada? Há muitos shows dentro e fora da França? Há planos para tocar fora da Europa? Em suma, como está sendo a divulgação de seu mais novo lançamento?
Sébastien:
“Não há shows planejados no momento, pois, nosso vocalista passou por uma cirurgia na garganta no final de fevereiro. Enquanto ele está se recuperando, estamos ensaiando e planejando fazer shows ao vivo depois do verão.”
A cena francesa de Metal extremo
Metal Na Lata: mesmo que ainda não receba o devido reconhecimento por isso, sabemos que a qualidade da música extrema na França é excelente. Assim sendo, gostaríamos que falassem, de modo geral, sobre o Metal extremo francês e as dificuldades que as bandas encontram para fazer com que tudo aconteça.
Sébastien:
“A cena extrema francesa é, na minha opinião, uma das mais prolíficas da Europa, já que o black metal francês é muito inovador, com bandas como Blut aus Nord e Deathspell Omega. As bandas francesas de death metal são ótimas.”
“Poderíamos falar de bandas gigantes como Gorod e Kronos, mas bandas menos conhecidas me vêm à mente primeiro. Savage Annihilation, Demonist, Abscest, Ritual, Voorhees e Nephren-Ka são incríveis. Tocar ao vivo é bem difícil, pois não há muitos lugares onde se possa tocar em boas condições.”
As influências do SlaveOne e seus membros
Metal Na Lata: nota-se, principalmente enquanto se ouve Omega Disciples, que a banda tem influências fora do Death Metal. Dito isso, quais são as influências e referências musicais do SlaveOne?
Sébastien:
“Você tem toda a razão. Eu sou realmente fã de black metal (Blut aus Nord, Deathspell Omega, Mayhem). Pelo que me consta, sou muito influenciado por bandas como Death, Morbid Angel e Gorguts.E devo confessar que Angel Dust, do Faith No More, é meu prazer secreto, já que adoro esse álbum.”
“Os membros da banda se aprofundaram no death metal ao ouvirem uma coletânea chamada ‘Masters of Brutality’ nos anos 90. Essa é a referência, mesmo que outras influências tenham surgido depois.”

A temática lírica da banda e a “Conspiração do Serafim”
Metal Na Lata: de modo geral e em especial, de quais assuntos tratam as letras das composições da banda? O que significa a “Conspiração do Serafim”?
Sébastien:
“Antes de mais nada, as letras abordam principalmente temas metafísicos e obscurantistas. A conspiração seráfica é o plano elaborado por um conclave obscuro do qual somos discípulos. Em suma, corromper as mentes ao inalar o incenso do engano é a doutrina.”
“Os ouvintes devem formar sua própria opinião ao ler as letras. Resumindo, a Conspiração Seráfica trata de doutrinação e manipulação.”
A produção em estúdio
Metal Na Lata: a produção dos últimos dois álbuns ficaram ótimas, já que há peso e se ouve tudo com nitidez. Diante da qualidade apresentada, onde vocês gravaram os álbuns, quem mixou e, da mesma forma, quem masterizou ambos os registros fonográficos?
Sébastien:
“As guitarras, o baixo, assim como os vocais foram gravados no estúdio OmegaVoid (na minha casa). Frederic Gervais, do Henosis Studio, fez a remasterização e, da mesma forma, a mixagem e a masterização do álbum. O estúdio dele fica na França. Ele já trabalhou com bandas como Misanthrope, In the Woods e Maudits.”
“Ele fez um trabalho incrível, pois entendeu imediatamente a essência das nossas músicas. Trabalhou nos detalhes sem nenhuma orientação. Ele é incrível, não há outras palavras para descrevê-lo.”
“Não queremos falar sobre a gravação de Omega Disciples…”
Metal Na Lata: por que The Seraphic Conspiracy ainda não está disponível no Spotify?
Sébastien:
“Porque ainda estou digitando as letras na plataforma”
Metal Na Lata: esse espaço serve para que vocês falem sobre algo que não perguntamos, mas que seja de suma importância dizer nesse momento.
Sébastien:
“Nada realmente original: apoie bandas menores, ouça suas músicas e compre seus discos. Pode parecer clichê, mas é o mais importante. Gostaria de agradecer por esta entrevista. Fico feliz em ter apoio no Brasil.”
Metal Na Lata:
Gostaria, mais uma vez, de parabenizar SlaveOne por seu excelente trabalho em The Seraphic Conspiracy. Finalmente, gostaria de salientar que é animador saber que existem bandas que buscam a evolução de sua sonoridade.





