Epica – Circo Voador, Rio de Janeiro/RJ (27/10/2019)

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Banda principal: Epica
Local: Circo Voador, Rio de Janeiro/RJ

Data: 27/10/2019
Produtora: Liberation
Assessoria de Imprensa: The Ultimate Music

Texto por Marcelo Vieira
Fotos por Gustavo Maiato

No que seria um caso de darwinismo aplicado à música, o Epica é um baita exemplo de sobrevivência do mais apto. Enquanto muitos de seus pares, oriundos do ‘boom’ do Symphonic/Power Metal do começo dos anos 2000, ainda reféns de seus trabalhos de duas décadas atrás, perseguem o próprio rabo em lançamentos cuja característica mais marcante é o autoplágio, a banda chefiada pelo guitarrista Mark Jansen não se cansa de inovar, sobretudo nas letras, repletas de significado e sujeitas a diversas interpretações. Nas palavras de um grande amigo e fã, “quebraram a barreira do estilo, deixando de lado a fórmula responsável pelo fracasso a longo prazo.”

De qualquer forma, para gente da minha idade, é impossível não associar o Epica às playlists da juventude, quando se levava uma eternidade para baixar um mp3, sempre sob o risco de contrair os mais diversos vírus e malwares. Sendo assim e justamente por isso, a presente turnê, que celebra o décimo aniversário de “Design Your Universe”, disco mais marcante dos holandeses, traz o selo de imperdível, e nós, fieis ao metal em todas as suas vertentes, não tínhamos como ficar de fora dessa.

E de modo algum fomos os únicos a pensar assim, tendo em vista o Circo Voador lotado na etapa carioca do giro. Fãs mais dedicados, imprensados contra a grade desde a abertura dos portões, trouxeram bexigas de boas-vindas. Mais para trás, galera mais interessada nas rodas de pogo do que em ver de perto. Celulares quase sempre a postos fazendo vídeos cuja qualidade ficará uma bosta, mas que não sei por que diabos alguns fazem questão de ter ou postar em suas redes sociais.

Um calor infernal, que o tecladista figuraça Coen Janssen fez questão de mencionar: “all right, Rio, QUE CALOR!”. Além da temperatura inclemente, que Janssen atribui à calidez do público do Rio, o expediente da turnê, iniciada em 4 de outubro na Alemanha e que passou por seis países antes de desembarcar no Brasil, cobrou seu preço em Mark e na vocalista Simone Simons, visivelmente abatidos, febris, mas engajados em oferecer um espetáculo pontuado por “hey hey hey”, “ooooo” e palmas em sincronia com as batidas precisas de Ariën van Weesenbeek e seu bumbo duplo que soa como uma rajada de fuzil.

O fator esgotamento influenciou no repertório, encurtado em duas músicas em relação ao tocado em São Paulo na noite anterior: “Quietus” e o medley “Deconstruct/Semblance of Liberty” ficaram de fora. Ou seja, não tivemos “Design” na íntegra, como era esperado. Não que alguém tenha se importado a ponto de xingar muito no Twitter no dia seguinte, mas que rolou uma inveja dos paulistas, rolou.

Pontos altos foram muitos: das empolgantes “Martyr of the Free Word” e “Kingdom of Heaven” à belíssima “Tides of Time”, na qual os celulares ganharam serventia real: a banda a executou iluminada somente pela luz das lanternas daqueles que tinham bateria e braço de sobra para usar. Só que nenhum deles se comparou a “Cry for the Moon”, o hit supremo, iniciado a capella por Simons, que logo jogou para o público: “vocês querem cantar comigo?”. O refrão “Follow your common sense / You cannot hide yourself / Behind a fairytale forever and ever” ativa a máquina do tempo mental. Olha você e eu pulando como se tivéssemos 14 anos novamente!

Os seis saem de cena e demoram o tempo de beber um galão d’água para voltar. No regresso, bandeira do Brasil e “Beyond the Matrix”, que já nasceu clássica e desde o seu lançamento em 2016 figura no bis, comprova o que foi dito sobre as letras lá em cima: a profundidade do que é cantado, sobre os males do pensar excessivo e a necessidade de se estabelecer limites antes que se perca o controle da própria vida, é digna de reflexão. Última da noite, “Consign to Oblivion” garantiu um encerramento épico, com direito à formação de um wall of death provavelmente responsável pelo aparecimento de muitos hematomas na segunda-feira.

O Metal Na Lata agradece à Liberationmc e a The Ultimate Music pelo credenciamento e pela parceria de sempre.

Setlist Epica:

Resign to Surrender
Unleashed
Martyr of the Free Word
Our Destiny
Kingdom of Heaven
In All Conscience
The Price of Freedom
Burn to a Cinder
Tides of Time
Cry for the Moon
Design Your Universe
Sancta Terra
Beyond the Matrix
Consign to Oblivion

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