Evoken – “Mendacium” (2025)
Profound Lore Records
#FuneralDoomMetal #DeathMetal
Para fãs de: My Dying Bride, Esoteric, Thergothon
Texto por Thiago Silva
Nota: 9,0
Hoje iremos falar de uma banda cujo gênero não é tão comentado pela galera do metal. Entre estilos mais populares como heavy, thrash, speed e death — este último, inclusive, aparece em algumas pitadas aqui — o que predomina mesmo é o funeral doom metal, com sua sonoridade arrastada, guitarras pesadas e passagens marcantes de teclados e pianos, alternando momentos de melancolia e agressividade.
A banda foi formada em 1992 nos Estados Unidos, mais precisamente em Lyndhurst, New Jersey. Inicialmente atendia pelo nome Funereus; no ano seguinte, mudou para Asmodeus até, finalmente, chegar à formação original sob o nome Evoken, tendo como fundadores o guitarrista Nick Orlando e o baixista Rob Robichaud.
Agora vamos falar sobre o belo trabalho feito pela banda em 2025, chamado “Mendacium”. Com um line-up totalmente reformulado, apenas dois membros seguem da formação clássica: Vince Verkay, na bateria e vocal na sexta faixa, e John Paradiso, vocalista e guitarrista. O time se completa com Don Zaros nos teclados, David Wagner no baixo e Chris Molinari na guitarra.
A produção do álbum ficou a cargo de Ron “Bumblefoot” Thal, que também atuou como engenheiro, mixando e masterizando o disco. Lançado em 17 de outubro de 2025 pelo selo Profound Lore Records, o álbum conta com oito faixas, totalizando uma hora de atmosfera densa e pesada. O conceito gira em torno de um monge beneditino do século XIV, que, doente e confinado em seu quarto, encontra uma entidade monstruosa que surge para atormentá-lo.
A primeira faixa, “Matins”, já deixa o ouvinte inquieto com um clima típico de terror até a entrada das guitarras pesadas. John recita algumas frases antes de o instrumental ganhar corpo, seguido de um vocal gutural arrastado que reforça essa ambientação fúnebre. Em “Lauds”, o peso da guitarra marca presença desde o início, mostrando que a banda irá trabalhar agressividade, melancolia e camadas vocais alternando entre limpos e guturais. Já “Prime” é uma demonstração de técnica instrumental, preparando o ouvinte para a sequência pesada e emocional em “Terce”.
Na faixa seguinte, “Sext”, é possível notar a técnica apurada da banda: em cinco minutos, alternam vocais limpos, guitarras mais trabalhadas e um peso descomunal, com John transicionando entre guturais e limpos. Em “None”, o instrumental começa suave, com teclados em destaque, até a entrada precisa do vocal de John, apoiado pela bateria de Vince — impecável ao longo de todo o álbum, com direito a pedais duplos ao final da faixa.
Caminhando para o encerramento desse grande trabalho, temos “Vesper”, uma belíssima música instrumental em que o destaque fica para o tecladista Don Zaros. Para finalizar, “Compline” acelera o ritmo, trazendo a veia death metal sem abandonar o funeral doom, resultando — para mim — no grande destaque do disco.
Assim termina este belíssimo trabalho. Muitas pessoas torcem o nariz para o gênero funeral doom, mas este disco merece ser ouvido: a banda incorporou fortes elementos de death metal, tornando o álbum mais agressivo e dinâmico, sem cair na monotonia.





