Eyehategod – “A History of Nomadic Behavior” (2021)

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Eyehategod“A History of Nomadic Behavior” (2021)
Century Media Records
#SludgeMetal, #DoomMetal

Para fãs de: Acid Bath, Iron Monkey, Bongzilla, Buzzoven, Weedeater

Nota: 9,5

Degradação humana, depressão e desolação: uma espécie de mantra da autodestruição, onde o Eyehategod constrói sua pesada e nebulosa narrativa, narrativa essa que escancara de forma autoexplicativa toda pobreza e misantropia humana. Aspectos que só o Sludge Metal praticado pelo quinteto de New Orleans pode traduzir e esmiuçar com exatidão.

A sonoridade densa e modorrenta conversa com o ouvinte como o impacto de uma bigorna no centro do crânio. “A History of Nomadic Behavior” reinicia um período de atividade estagnado há pelo menos sete anos, trazendo uma banda vigorosa como sempre, que não abre mão da extremidade impactante nem por um mísero segundo.

O trabalho em questão não foge muito da proposta sedimentada pelo grupo desde sempre. O peso que se arrasta por todo o disco é algo intimidador, chegando a causar calafrios na base da espinha dorsal, servindo como base substancial da música mais maldita que se tem notícia. Percebe-se um acento mais Stoner em determinados momentos, bem como um vocal menos aflito (mas não menos abrasivo) de Mike Williams, mas quem avisa amigo é: mantenha ajustada a dose do seu antidepressivo preferido.

“A History of Nomadic Behavior” é basicamente um álbum cadenciado, como já era de se esperar, mas sensivelmente mais fragmentado que seus antecessores. As mudanças climáticas são mais acentuadas, onde num determinado momento beiramos o Funeral Doom Metal (“The Outer Banks” contextualiza bem isso), e logo em seguida emendamos um Hardcore daqueles de encerrar o baile a força.

A lentidão é quase patológica, pois temos a impressão de que a qualquer instante teremos uma parada brusca, como é o caso em “Fake What’s Yours”, onde o peso é de um vigor poucas vezes observado. Estava sentindo falta das microfonias propositalmente irritantes? Não se aflija, pois “Current Situation” está aí para sanar o problema, além de ser outro destaque acachapante do trabalho.

Considerações finais: o Eyehategod ainda está em excelente forma, nunca soando datado ou ultrapassado (nem tem como, pois são um dos pais desse subgênero), além de conduzir e trabalhar como ninguém as mais sombrias emoções humanas para dentro de uma música rude e visceral por excelência. Para ilustrar, coloque a crueza de “In The Name of Suffering” pra bater de frente com o dinamismo denso e sufocante de “Eyehategod” e absorva um disco dos mais interessantes.

Ricardo L. Costa

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