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Fear Factory – “Mechanize” (2010) (Relançamento 2023)

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Fear Factory – “Mechanize” (2010) (Relançamento 2023)

Nuclear Blast | Shinigami Records
#IndustrialMetal

Para fãs de: Nailbomb, Rammstein, Strapping Young Lad, Sybreed, Mnemic

Texto por Johnny Z.

Nota: 9,5

A recepção nada calorosa do insosso “Transgression” em 2005 ecoava na comunidade metal e principalmente nos fãs do Fear Factory, pois a banda ainda estava sem Dino Cazares, algo até então impensável desde o ótimo “Archetype” em 2004. Era praticamente unânime a ânsia por uma redenção, mas após esse álbum, a banda deu uma pausa, com seus membros desenvolvendo outros projetos, deixando o futuro incerto para a máquina do medo.

Foi em 2009 que o mundo do metal recebeu a notícia que todos esperavam no campo do Fear Factory: Bell e Dino deixaram de lado suas diferenças e se uniram novamente (o que hoje, infelizmente, não mais), mas, lamentavelmente, por conta de disputas internas, Raymond Herrera (bateria) e Christian Olde Wolbers (baixo na formação clássica/guitarra na fase sem Dino) resolveram deixar a banda, o que seria um fardo para o grupo até os dias de hoje.

Para o baixo, mantiveram Byron Stroud, mas para a bateria, ninguém menos que o monstro Gene Hoglan foi chamado, acalmando um pouco os ânimos dos fãs.

Com essa formação, soltaram a cacetada “Mechanize” em 2010, resgatando aquela força e peso de “Demanufacture” (1995) e “Obsolete” (1998) com a vitalidade de “Archetype”, elevando ainda mais o fator técnico em algo que já era altamente caprichado.

Nas 10 faixas regulares de “Mechanize”, temos realmente um resgate da força, fúria e agressividade que a banda um dia esbanjava e tinha de sobra aos quatro cantos do mundo.

“Industrial Discipline” manteve os elementos ásperos e os vocais limpos que há muito definiam o som característico do Fear Factory desde os dias de “Demanufacture”. Os vocais incisivos de Bell, aqui impregnados de uma agressividade renovada, juntamente com os inconfundíveis grooves de Dino, assinalaram o retorno triunfante da banda ao lugar onde nunca deveriam ter saído.

Dino trouxe de volta os pulsantes riffs que moldaram sua identidade musical única, fazendo com que soassem como verdadeiras marteladas, que junto à bateria “ignorante” de Hoglan transformou cada compasso numa sessão de puro ódio. Stroud continuou a desempenhar um papel crucial na coesão da seção rítmica em estúdio, mas ao vivo faltava algo chamado “Wolbers”. Outro destaque em “Mechanize” vai para Rhys Fulber, que com sua habilidade na programação eletrônica adicionou ambiências, camadas intricadas e industriais bem mais evidentes que nos álbuns anteriores.

Bell expressa muita agressividade, especialmente em faixas como “Final Exit”, onde a emoção transborda de maneira palpável. A guitarra de Dino, embora mantenha sua familiaridade, injeta uma vitalidade renovada, e é perceptível que o cara estava endiabrado! A coesão exemplar de Stroud com Hoglan foi aqui impressionante e um dos grandes destaques do álbum.

O segundo retorno do Fear Factory não foi apenas uma retomada; foi uma afirmação audaciosa. “Mechanize” elevou sua sonoridade de maneira direta, dissipando as dúvidas dos fãs. A banda não só pareceu revitalizada, mas ficou pronta para estabelecer uma presença duradoura. Pena que durou apenas uns 10 anos com a saída definitiva de Bell.

Resumindo, “Mechanize” é puro furor incontrolável, feroz e irado, emergindo como um assalto sonoro de brutalidade. Embora ocasionalmente apresente algumas faixas mais melódicas, o álbum como um todo é um turbilhão onde a banda adotou uma guinada distintamente orientada para o thrash, repleto de velocidade agressiva e riffs frenéticos. Acredito que a nota está explicada, certo?

Escute alto “Mechanize”, “Fear Campaign”, “Oxidizer” (esta poderia facilmente estar em “Obsolete”!), “Industrial Discipline”, “Powershifter” e “Controlled Demolition” (com cara de Nailbomb!). O caos imperará na sua vida!

Ah, temos 3 faixas bônus nessa reedição, as regravações dos clássicos “Martyr”, que aqui ficou simplesmente maravilhosa e ainda mais agressiva que a original, “Crash Test” (de “Soul Of A New Machine’, 1992) e “Sangre de Niños” (de “Concrete”, lançado em 2002, mas foi gravado antes do ‘primeiro’ álbum oficial da banda).

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