
Funeral Tears – “The Only Way Out” (2018/2019) (Relançamento)
Ksenza Records | Cold Art Industry
#FuneralDoomMetal, #FuneralDoomDeathMetal
Para fãs de: Frowning, Aphonic Threnody, Abstract Spirit, Ennui
Nota: 9,0
Independente da banda que tenha criado o Funeral Doom, um fato é irrefutável, a Rússia é uma potência dentro do mesmo e um verdadeiro relicário, o país possuí um acervo de gigantesca significância para o gênero; bandas, discos – músicos que tem por seu labor maior, manter e honrar o legado, o culto ao mais extremo dos extremos.
A despeito de nomes como: Station Dysthymia, Вой, Septic Mind, Comatose Vigil, Abstract Spirit, Who Dies In Siberian Slush e The Extinct Dreams; Sísifos e nomes emblemáticos dessa tão taciturna e seletiva arte, a devida interpretação musical do morrer/a ausência de vontade pela vida e de sua interpretação da mesma.
“The Only Way Out” é o quarto registro completo do Funeral Tears, outro grande expoente russo a se destacar no panteão das grandes banda de Funeral Doom, que tem no músico/multi-instrumentista, Nikolay Seredov, seu coração e cérebro.
Divido em cinco liturgias, sendo que seu prefácio se dá em “Be Humane”, uma mergulho em melodias tensas e transitórias – ora delicadas e misteriosas, noutras, agonizantes, furiosas. Os vocais intercalam trechos narrados com guturais e gritos agônicos; um misto de opressão e desespero; insanidade dosada por psicotrópicos. “Look In The Mirror” é um miserável vulto travestido em música, fúnebre, negativa e solene, assim como sua sucessora, a “nietzscheniana”, “Become The God”, faixa essa que vai dá trégua ao pandemônio, a esfinge da amargura a fitar os olhos sem brilho que habitam a face.
A faixa título e penúltima, oculta por completo todo e qualquer vestígio de esperança e luz – tudo morre e tudo deve morrer; felicidades plásticas, conquistas e anestesiados sofrimentos são, na verdade, apenas alegóricos intervalos de entretenimento e de ilusão autoimposta. “Outro” como o próprio nome indica, é um poslúdio, os minutos finais para o derradeiro corte, certeiro e na horizontal, torne-se um deus ou em silêncio, aceite seu fardo.
Fábio Miloch





