Iced Earth – “Incorruptible” (2017)

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Iced Earth“Incorruptible” (2017)
Century Media Records

Nota: 10

É claramente perceptível quando se há algo de diferente em uma obra. Quando todo o clima, ambientação e composições colaboram para um resultado final tão bem feito seu corpo reage com a sensação de êxtase, adrenalina e empolgação.

Peça chave para isso com certeza foi a produção acertada e bem inspirada de Chris Zeuss Harris, que não deixou passar uma oportunidade se quer para construir excelentes ambientações, preenchimentos e timbres. Na primeira faixa, “Great Heathen Army”, somos recebidos com uma introdução épica digna dos tempos da trilogia “Something Wicked” e, logo em seguida, toda a energia previamente emanada em “Dystopia” (2011) e de pedradas como “Ten Thousand Strong” e “Setian Massacre”, de 2007, explodem em nossos ouvidos nesse novo álbum.

Com essa fórmula energética, épica e reforçada de melodia, a banda abusa dos detalhes nos pedais na bateria destacada de Brent Smedley, enquanto Jon Schaffer reforça seus riffs robustos e abafados de costume, com uma dose letal de velocidade nas palhetadas. É fácil se pegar surpreso com as execuções individuais aqui, pois a banda voltou realmente vigorosa ao estúdio. Stu Block está largamente mais maduro em seus timbres graves e explora sua versatilidade com grande maestria. Jon, que além de ter suas palhetadas intimamente reproduzidas pelos pedais monstruosos de Smedley, recebe também em seus fraseados o reforço do novo guitarrista Jake Dreyer, que desce a mão sem dó nas músicas colocando solos ágeis e melodias bem escritas, agregando muito à banda. Por fim, Luke Appleton concede o peso preciso de seu baixo para deixar a obra bem preenchida e equilibrada.

O álbum possui verdadeiros bons títulos, mas os destaques indiscutíveis vêm com a presença do passado. “Seven Headed Whore”, por exemplo, canaliza todo o peso e a violência descomunal de “The Last Laugh” e “Violate”, do álbum “The Dark Saga” (1996). “Defiance” explora os vocais graves de Stu e a mão pesada de Jon, com direcionamento a um passo apenas de “Disciples of the Lie” e “My Own Savior”, ambas de “Something Wicked” (1999). Outro bom nome, “Black Flag”, já representa a proposta equilibrada do próprio “Incorruptible” e “Clear the Way (December 13th, 1862)” é a única faixa seguindo a linha “The Glorious Burden” (2004), com aquele triunfante ar de vitória e muito peso. Por fim, a beleza imensurável de “Raven Wings” a destaca como uma das melhores baladas da banda. Algo tão esmagador que não poderia ser associado a menos do que  clássicos como “A Question of Heaven”, “The Clouding”, “Bleesed Are You”, “Wathing Over Me” e muitas outras.

Em “Incorrupible”, o Iced Earth pareceu pular diretamente de “Dystopia” para o momento atual. Eficientemente, seus fraseados e energia nos remetem aos momentos agressivos e épicos de “The Dark Saga” e “Something Wicked This Way Comes”, onde nem fórmula nem execução deixam um único detalhe a desejar. A parceria com Chris Zeuss e a junção de Jake Dreyer à banda foram tão acertivas que o potencial clássico é evidente, e desde já este esboça o momento de plenitude de uma nova era.

Max Costa

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