Impureza – “Alcázares” (2025)
Season Of Mist
#DeathMetal #ExtremeMetal #BrutalFlamencoDeathMetal
Para fãs de: Nile, Hate Eternal, Behemoth, Fleshgod Apocalypse
Texto por Lucas David
Nota: 9,0
A mistura de gêneros fora do metal ao som que ouvimos no nosso dia a dia não é novidade. Muitas bandas fazem isso, algumas não conseguindo encaixar tão bem os instrumentos ou o ritmo em suas composições, enquanto outras acertam em cheio, como é o caso do Impureza. A banda franco-espanhola, formada em 2004 pelo guitarrista Lionel Cano Muñoz, pratica uma fusão única de música extrema com sons espanhóis inspirados na cultura andaluza e no flamenco, criando um estilo atípico conhecido como “Hispanic Extreme Metal”.
Toda essa mistura e experimentação estão mais do que explícitas em seu novo material, “Alcázares”. O álbum apresenta uma atmosfera latina com a brutalidade do Death Metal e da cultura e história espanhola, tudo extremamente bem executado por Esteban Martín nos vocais, Lionel Cano Muñoz nas guitarras, Florian Saillard no baixo fretless e Guilhem Auge na bateria, com participação de Xavier Hamon na percussão e Louis Viallet nas orquestrações.
A introdução puramente flamenca de “Verdiales” nos transporta para o mundo da banda antes de atacar com “Bajo las Tizonas de Toledo”, com Lionel entregando riffs e solos marcantes fundidos com sons espanhóis enquanto Guilhem martela sua bateria e Esteban entrega vocais rasgados e potentes. “Covadonga” mantém a pegada mais extrema e épica, com Lionel mais uma vez roubando a cena com seus riffs técnicos e sujos apoiados pelo baixo pulsante de Florian.
“Pestilencia” começa com uma ótima demonstração de técnica no violão e nos sons espanhóis, com a percussão de Xavier ditando o ritmo antes de desencadear um riff de guitarra matador e os vocais explodirem nos falantes, em um ótimo exemplo de Death Metal Progressivo.
“Reconquistar Al-Ándalus” é outra fusão perfeita da música extrema e cultura andaluza, destacando a bateria punitiva e os vocais infernais presentes aqui. Enquanto “Murallas” é uma peça instrumental com um belíssimo trabalho de cordas, “El Ejército de Los Fallecidos de Alarcos” chega como uma avalanche, trazendo vocais potentes, uma levada mais cadenciada e muito peso da cozinha com uma bateria que não para um minuto.
Frequentemente apelidado de “Nile Francês” devido às suas principais influências, que obviamente incluem Nile, além de Hate Eternal, Behemoth e Fleshgod Apocalypse, entre muitos outros, bem como vários artistas espanhóis como o guitarrista flamenco Paco de Lucía e o cantor cigano Camarón de la Isla, o Impureza uniu de forma precisa o folclore hispânico tradicional e o metal extremo em seu novo álbum, apresentando a dualidade entre esses dois gêneros musicais aparentemente opostos de forma extremamente convincente. Em resumo, não apenas o Impureza é o pioneiro indiscutível do Metal Extremo Hispânico, mas “Alcázares” certamente os ajudará a esculpir seu nome na história da música pesada, deixando-nos ansiosos por mais em um futuro não tão distante.





