In Absenthia – “Thou Shalt Not Forgive Fate” (2021)

cover
Compartilhe

In Absenthia“Thou Shalt Not Forgive Fate” (2021)
Eclipsys Lunarys Productions
#GothicDoomMetal, #MelodicDoomMetal, #DarkMetal

Para fãs de: Helevorn, Saturnus, The Foreshadowing, Draconian

Nota: 8,5

A Eclipsys Lunarys Productions segue com seu sólido apoio e suporte às bandas oriundas do Underground, e vem, gradualmente se tornando um dos mais notáveis e dedicados selos na cena. Elogio esse que pode ser justificado pela qualidade alta dos materiais lançados pela mesma e por levar como regra a máxima que diz: “menos palavras e mais ações”. O selo destaca-se pela coragem de apostar em jovens bandas e projetos como: Denial Of Light, Lelantos, Samanttha e The Taciturn, e também por resgatar grandes álbuns que por revezes diversos, não tiveram suas qualidades exaltadas da maneira como mereciam em suas épocas.

Nesse último caso entram as gaúchas M26 e In Absenthia, ambas com trabalhos de estreia belíssimos — o primeiro com o poético “Misantropia” — e o segundo com o denso e melodioso “Thou Shalt Not Forgive Fate”. Lançados respectivamente em 2014 e 2017 e relançados pelo supracitado selo em 2020.

“Thou Shalt Not Forgive Fate” era um disco muito aguardado pelos fãs do In Absenthia e Doom Metal em geral. A banda formada em 2013 já havia lançado dois EPs: “Amongst The Lovers” concebido no ano de sua fundação e “A Subtle Teardrop Part 1: Lonely Sinking” no ano seguinte, a coletânea “The Peaceful Lotus” foi lançada em 2016. Em todo caso, esses registros serviram para sublinhar o talento da banda e também para aguçar a curiosidade acerca de um álbum completo, algo que parcialmente aconteceu em 2017 seguido por um hiato que durou três anos.

O disco tem uma produção levemente suja e rustica, por assim dizer, o que de forma alguma lhe extrai qualidade. Na verdade, penso que produções limpas e cristalinas demais tiram e muito da beleza e encanto de trabalhos que tem o Doom Metal em seu DNA. No disco a produção escolhida preserva a alma do gênero, climatizando as composições e conferindo as mesmas mais organicidade e charme — aqueles pequenos e substanciais detalhes que faziam dos registros lançados em 1990 e 2000 tão especiais.

“Gentle Streams” cria todo uma ambientação bucólica e solitária com teclados elegantes e  sutis, dedilhados, vocalizações misteriosas e singelas, e uma bateria discreta. A partir dela o disco se desenvolve ora intenso e ruidoso — ora sereno, melancólico e viajante. “Brienne” é peso e melodia amalgamados com sofisticação. Bruno Braga e Nany Yates se completam simetricamente nos vocais; as guitarras brilham em riffs bem construídos e melodias refinadas, os teclados vão de adornos a indispensáveis, não apenas na faixa em questão, mas em todo disco. “Abiding Strain” é um clássico instantâneo, sendo sem dúvida alguma um dos pontos mais elevados do repertório: “A Heart for Nothingness” resgata a estética do Gothic Metal noventista antes da saturação e repetição de fórmulas, nela, os pontos centrais são as dinâmicas, os riffs pesados e bem encaixados e os vocais de Bruno. Por fim a épica “To Covet The Requiem” — robusta, emocional, repleta de nuances e sutilezas com a banda explorando ao máximo suas faculdades e características. Tudo que foi degustado nas faixas anteriores é maximizado nela. Que a banda, agora ativa novamente nos ofereça quanto antes um segundo trabalho.

Um disco que precisa urgentemente figurar nas coleções de todos os bons fãs de Doom Metal e também dos ditos e reais apoiadores das bandas nacionais. Você que fica em redes sociais reclamando da cena ou decretando sua falência e morte, não precisa, você tem todo um acervo de ego e ignorância para ouvir. O som da própria presunção quando toca o fundo do poço.

Fábio Miloch

 

 

Compartilhe
Assuntos

Veja também