Iron Maiden – Arena Eurobike, Ribeirão Preto/SP (30/08/2022)

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Headliner: Iron Maiden
Local: Arena Eurobike, Ribeirão Preto, São Paulo
Data: 30/08/2022
Produção: Move Concerts Brasil

Texto por Rafael Chinini

Acredito que não é mais novidade para maioria dos fãs a proposta que Iron Maiden trouxe com a Legacy of the Beast Tour, que começou em 2017 e dura até 2022, mesmo com o lançamento do álbum “Senjutsu” ano passado em meio a pandemia e aos planos da banda.

Isso causou certa confusão nos fãs que acompanham a banda mais de perto, mas “lógica” é uma palavra que não existe no vocabulário do Iron Maiden ou pelo menos para quem está de fora às vezes é difícil entender o que passa na cabeça de Rod Smallwood (empresário), Steve Harris e companhia limitada, e o resultado foi uma junção de algumas músicas novas com a “antiga” Legacy of the Beast, tornando quase uma turnê promocional do “Senjutsu” disfarçada de Legacy.

Desde que decidi por assistir ao show de 2022 em Ribeirão Preto, eu ouvia e me perguntava a mesma coisa por diversas vezes: “por que assistir de novo um show que assisti em 2019” e “por que ir até Ribeirão Preto ao invés de ir até o Morumbi que é próximo de casa?”.

De forma resumida e prática pensei: “Porque o Morumbi é um LIXO para shows”. Ok, vou explicar. O estádio que recebe shows desde os anos 80, na cabeça de quem organiza, é um evento maior, que atende mais pessoas e vale mais a pena financeiramente. Porém, para nós, meros populares, é um grande sacrifício de logística e transporte, acústica ruim, visão péssima para quem está nos setores mais distantes e áudio com atraso em relação ao que a banda está tocando e ao que aparece no telão. Entendo que são pontos quase inevitáveis para eventos desse porte, mas devido a grande demanda pagamos um preço alto (literalmente) por um serviço que deixa a desejar.

Por isso, decidi ir até Ribeirão Preto, há mais de 300km de São Paulo, e aconselho, a experiência de assistir shows em cidades menores (aproximadamente 20 mil pessoas contra mais de 50 mil no Morumbi) pode ser muito gratificante. Fora da multidão das capitais, preços mais acessíveis, público menor e uma relação mais “íntima” como evento nos dias anteriores. Cidades menores se voltam para esses grandes eventos, é possível ficar mais próximo do lugar do show e sentir/ver o clima de festa crescer durantes os dias anteriores, além do turismo por si só.

Nos dias anteriores ao show foi possível visitar os arredores do estádio, do hotel que hospedaria a banda e até ver a montagem de palco no dia anterior graças ao bar Hard Rock que fica dentro do estádio, ou seja, algo bem mais informal do que se encontra nas capitais.

O ponto negativo nesse caso é que as grandes bandas são 100% protocolares e não tem motivo para ficar mais que o necessário na cidade, que muitas vezes não tem estrutura e/ou pontos atrativos suficientes para mantê-las por aqui, tirando qualquer possibilidade de cruzar com membros da banda pela cidade em seus dias de folga. O Iron Maiden chegou na terça feira, no dia do show, e na manhã seguinte já seguiu em direção ao Rio de Janeiro, quase sem deixar rastros.

A primeira pergunta pode ser um pouco mais pessoal. Como fã da banda eu iria ao show (ou mais de um) todos os anos, mesmo se tocassem as mesma músicas, simplesmente pelo prazer que é ir há um show de Rock/Metal. As bandas clássicas não vão durar para sempre e cada oportunidade pode ter sido a última.

Mas, indo mais além, a turnê de 2022 prometia algumas “surpresas”, que nesse caso ficaram por conta da inclusão de 3 músicas do “novo” álbum e uma troca estratégica na ordem de algumas faixas.

Abrindo com a faixa título “Senjutsu”, longe de ser a pior música de abertura que a banda já fez, porém não funciona tão bem para abrir o show. Bem cadenciada, com refrão comprido e difícil de cantar, torna-se até um pouco maçante. Contrapõe-se ao que espera-se de uma entrada explosiva e triunfal. A jogada de mestre aqui foi chamar atenção dos fãs com aparição do novo Eddie Samurai logo na primeira música.

Assim como no álbum, a sequência traz a música “Stratego”, que fez um papel muito melhor, onde vi muitos fãs que não conheciam a música se empolgarem de imediato com a cavalgada típica de abertura e claro mais velocidade, soando como esperado, melhor do que a versão de estúdio.

Seguida pela bem mais divulgada “The Writing on The Wall”, aqui o show ganhou a cara de um show do Iron Maiden, com cortes do videoclipe nos telões, refrão sendo cantado por todo estádio, duetos de guitarra e o solo marcante de Adrian Smith com tanto feeling quanto a gravação original.

Uma pequena pausa e o palco se transforma por inteiro, abandonando a temática oriental para os vitrais de “Revelations”, com Eddies junto com backdrop que, para mim, faz um dos cenários mais bonitos e coloridos que o Iron Maiden já fez. É realmente impressionante e lindo. Vale ressaltar o trabalho da equipe de palco, que faz mágica em segundos, com truques de luz e muita organização trocando cenários por completo quase sem notarmos.

A banda segue com um momento mais calmo e emotivo com a quase balada “Blood Brothers”, que parece meio perdida no setlist, colocada sem motivo aparente da sua escolha, já que não faz nem parte da trilha sonora do jogo que nomeia a turnê. Enfim, a “lógica” Iron Maiden que não tem explicações.

Daqui para frente, você não verá mais novidades do que vem sido feito desde o início da Legacy Of The Beast, em 2018. Você verá os mesmo truques, fogos, explosões, piadas e teatralidade do que já foi apresentado.

Bruce Dickinson não tem mais seus 25 anos, por isso sabe seus limites e desafios, usando sua experiência para equilibrar entre agudos, graves e momentos rasgados sem tentar chegar mais alto do que pode, como fez Ícarus e foi queimado na metade do show.

A bateria de Nicko sempre impressionante, o “veínho” ainda consegue bater com força, tendo uma equalização de som junto ao baixo impressionante. A dupla com certeza é um dos pontos altos do show, vale a pena prestar atenção nas viradas e na pegada.

Adrian Smith é um guitarrista a parte. Apelidado por mim mesmo – e mais da metade de seus fãs – de “Dave Gilmour do metal”, sua precisão é impressionante. Cada nota é muito bem pensada e elaborada. Para mim, o guitarrista tem se destacado nos shows, composições e trabalhos paralelos. Infelizmente não se pode dizer o mesmo dos outros dois.

Dave tem sido burocrático. Longe de tocar mal, pois ainda é um ícone que está desde início na banda e tem seus momentos clássicos, fazendo seu feijão com arroz com perfeição, mas ao meu ver não tem se destacado.

E Janick com seu estilo ‘ame ou odeie’. É verdade que ele tem uma energia impressionante para seus 65 anos, mas que é inversamente proporcional a qualidade dos seus solos (salvos alguns momentos em “Blood Brothers”).

A banda volta com tema de guerra para fechar o show, dessa vez sem o cenário com trincheiras e arames farpados, com “The Trooper”, “The Clansman”, “Run to the Hills” e a antiga abertura dos shows com “Aces High” vindo para o final do show, infelizmente ainda com a introdução rolando nos PAs ao invés de uma execução ao vivo como tiveram coragem de fazer com “Moonchild”, nas turnês anteriores.

Tenho que ressaltar que me impressionou a qualidade de som e da execução das músicas no geral, posso dizer que até melhor que 2019. Alguns críticos “entendedores” por ai estão dizendo que a banda usa truques para compensar a idade e o cansaço devido ao andamento mais lento de algumas músicas. Eu digo que é mais do que isso, isso é experiência e excelência! Não há necessidade de acelerar as músicas como nos anos 80. Dar uma freada no andamento traz muito mais qualidade a música e pede muito mais precisão para ser executada. Ponto positivo para banda que vem investindo cada vez mais em teatralidade com performance e não precisam ser como cachorros loucos tocando a mil por hora.

Para finalizar, colocando pimenta nos boatos de um possível tema da nova turnê de 2023, Bruce faz a despedida “see you in Rock in Rio…., maybe São Paulo…. or SOMEWHERE else….” entoado com uma risada no canto da boca.

Entendedores entenderão, ou já entenderam!

Nota: vale ressaltar a repulsa e ODIO da quantidade de pessoas preocupadas em gravar o show com seu celulares ao invés de aproveitar o momento. Além de atrapalhar a visão dos outros, para mim é algo repugnante, ridículo e patético. Bons tempos em que celulares e câmeras eram raros nos espetáculos.

SETLIST:

Senjutsu
Stratego
The Writing On The Wall
Revelations
Blood Brothers
Sign Of The Cross
Flight Of Icarus
Fear Of The Dark
Hallowed Be Thy Name
The Number Of The Beast
Iron Maiden
The Trooper
The Clansman
Run To The Hills
Aces High

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