Iron Maiden – Especial “Senjutsu” (AREA 51)

Iron-Maiden cópia
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Iron Maiden“Senjutsu” (2021)
Texto por Johnny Z.

Confesso a vocês que estava cético em relação ao que viria a ser um novo trabalho do Iron Maiden. Nada me impressionava mais desde “Brave New World”, mesmo eu tendo gostado do “The Book Of Souls”, por exemplo. Algumas faixas sortidas aqui e ali, mas o conjunto das obras deixaram a desejar para meu gosto pessoal. Mas sejamos coerentes e realistas, não temos que ficar toda hora querendo que eles façam um “Powerslave”, “The Number Of The Beast”, “Seventh Son Of A Seventh Son” ou “Killers”, isso não vai acontecer nunca mais. A banda mudou, envelheceu, não deve nada a ninguém e faz o que der na telha. Com essa premissa, não devemos cair na besteira de ficar somente enaltecendo os clássicos antigos para sucumbir o material novo, pois esses não tem discussão, mas devemos ver – e ouvir – a banda de 2000 para cá com outros olhos/ouvidos.

“Brave New World” teve “The Wicker Man”, “Ghost Of The Navigator”, “Brave New World”, “Blood Brothers”, “The Fallen Angel” e “Nomad”

“Dance Of Death” teve “Rainmaker”, “Montsegur”, “Dance Of Death” e “Paschendale”

“A Matter Of Life And Death” teve “The Reincarnation Of Benjamin Breeg” e “For The Greater Good Of God”

(O pavoroso) “The Final Frontier” teve (com muito otimismo de minha parte) “El Dorado” e “Mother Of Mercy”

“The Book Of Souls” teve (com otimismo, mas não muito sufocante que o anterior) “If Eternity Should Fail”, “Death Or Glory” e The Great Unknown”.

Perceberam a queda e uma levíssima e sorrateira subidinha? 5, 4, 2, 2 e 3

Pois bem, analisando o que a banda vêm fazendo nas últimas duas décadas, pularei o maravilhoso “Brave New World” pelo simples fato que é muito superior a tudo que veio depois. Não tem como discordar, a não ser que você seja um fanático sócio torcedor que não tem senso crítico ou não sabe falar mal de sua bandinha predileta porquê dói, machuca, nem te deixa dormir a noite. “Senjutsu” veio cheio de expectativas, num clima totalmente escroto da humanidade, onde todos ficaram sem shows, sem absolutamente nada consistente em se tratando de Iron Maiden, nada de lives, vídeos, notícias, ZERO. Sim, isso mesmo, aqueles ao vivos “The Book Of Souls Live Chapter” (bacaninha) e “Nights of the Dead – Legacy of the Beast” (esgoto de produção) estão na prateleira e DUVIDO que você nem sequer se lembra deles. Aí, todo o (genial) marketing envolvendo algo a ser lançado esse ano simplesmente criou-se uma frenética caça a qualquer rumor, curiosidade ou até ‘fake news’ sobre o maldito “Belshazzar’s Feast”, que depois que descobrimos o que era não serviu para droga nenhuma. Bom, vou pular direito para “Senjutsu”, o novo álbum, pois todos acompanharam tudo minuto a minuto.

Adorei a capa com um “Eddie” samurai, de verdade, mas outra capa com fundo preto e mais nada? É preguiça, desleixo ou contenção de custos? Um fundo daria outra dimensão a capa e, com certeza, entraria no hall das melhores da banda. Cagada hein senhores? Muita cagada! Mas, livro não se define pela capa. Vamos as músicas.

“Senjutsu”
Boa faixa de abertura, com certa vibe épica, as vezes meio sombria como as faixas do “The X Factor”. Fugindo de algo acelerado como trivial, traz alguns riffs pesados que gostei muito, mesmo sendo uma faixa mais cadenciada. O lado progressivo não me incomodou, pois têm um certo peso, alguns sintetizados, o que já ganha pontos comigo. No mais, é um pouco longa demais, mas os vocais e os solos de guitarra são de arrepiar. Aliás, Sir Bruce Dickinson e Sir Adrian Smith são os grandes destaques do álbum TODO. Minha crítica vai para a produção pasteurizada e aveludada (isso é no disco todo!) de Kevin Shirley que me chateia e cansa um pouco.

“Stratego”
Excelente! Vigorosa! Galopada! Bem mais rápida e cativante que a anterior, com cara e vibe “Brave New World” mesclada a coisas mais lado B de um “Piece Of Mind”, por exemplo, por conta dos vocais e melodias/riffs das guitarras. A única coisa que me chateia é a maldita mania do senhor Janick “Desnecessário ao vivo” Gers de tocar curtos solos e melodias acompanhando o refrão! Já deu no saco! Deixa o homem cantar (brilhantemente) sossegado?! No mais, acredito que com o tempo o pessoal vai passar a gostar cada vez mais dela e será bem aceita se for tocada ao vivo. Acredito que irá, pois seu andamento é digno de show de arena.

“The Writting On The Wall”
Como vocês podem ver aqui na live que eu e uns grandes amigos fãs da banda (Area 51) fizemos ao vivo no dia do lançamento do álbum (3 de setembro), eu odiei essa faixa, não gostei da vibe meio Folk e Southern Rock. Continuo achando-a fraca, desnecessária, besta, sem pé nem cabeça, perdida e que não acrescenta absolutamente nada, exceto um dos solos mais lindos de, mais uma vez claro, Sir Adrian Smith! Mas, depois de umas boas ouvidas, passei a gostar do refrão pois Bruce realmente dá uma tenacidade nos médios e graves que realmente não tem como não elogiar. Resumindo, um baita refrão e um estupendo solo desperdiçado em uma faixa fraca. Muito marketing (mais uma vez, genial) para algo besta.

“Lost In A Lost World”
Seu começo é meio cansativo e bem melancólico, com violão e voz grave que Bruce vem usando bastante ultimamente. Ao entrar a parte pesada, a música toma outro rumo me remetendo rapidamente as coisas mais pesadas do “The X Factor” (de novo), com riffs no estilo tradicional de antigamente e guitarras dobradas que, além de eu gostar muito, são marca registrada (e de volta!). O baixo de Steve Harris está estalando de forma marcante e eis que, mais uma vez, temos um ‘solinho’ junto com Bruce cantando, pelo menos de Dave agora. A parte do refrão é muito boa! Outra coisa que identifiquei nessa faixa são as triviais ‘paradinhas’, quem acompanha a banda há mais de 30 anos sabe o que estou falando. Teclados e orquestrações foram inseridos levemente, mas não atrapalham em nada, as estruturas de guitarras dobradas (semelhantes a muitas outras músicas antigas, diga-se de passagem – não estou reclamando, ok?) soam um pouco repetitivas, mas não desqualifica o trabalho.

“Days Of Future Past”
Riff com peso e que me lembrou rapidamente “The Wicker Man” em seu início. Não tem muito o que comentar, pois é uma faixa para frente, bem na cara e cheio de energia. Excelente e uma das melhores do álbum, mesmo não tendo tantos adjetivos para classifica-la, a energia diz por si só.

“The Time Machine”
Introdução lenta (outra), meio sacal, que se enquadraria perfeitamente no bizonho “The Final Frontier”, só que com mais testosterona. Nas primeira audições não fedeu, ne cheirou, apenas um ‘tapa buraco’, mas depois de ouvir mais vezes, ela vai subindo no nosso conceito por conta da excelente interpretação de Bruce, que subiu bastante o seu tom no ótimo refrão. As guitarras dobradas se duelando na parte do meio, soando até quase ‘oriental’ é um dos destaques da faixa. Me lembrou “Paschendale”, talvez por conta de seu final apoteótico. Aconselho aos fãs ouvirem-na repetidas vezes para compreende-la melhor, mas não digo que isso a tornará um clássico ou uma das melhores, longe disso.

“Darkest Hour”
Sombria, densa, calma, cansativa, sem energia e enjoativa. Podia estar escondida ou jogada as moscas no final do tracklist de um “The Book Of Souls”, ou até mesmo no “Tyranny Of Souls”, último álbum solo de Bruce, que ninguém ligaria. O que se salva é apenas a voz magistral de Bruce, sejamos honestos.

Notaram que eu não citei nada relacionado a Nicko McBrain ou Dave Murray até agora? Pois bem, achei eles muito contidos e apagados nesse trabalho. No caso do Nicko não temos viradas, exceto algo mais elaborado na faixa título, nem mesmo aquele pegada tipicamente mais certeira que ele sempre mostrava. Já Dave, um ou outro solo apenas se destacam, mas nada que leve muitos elogios.

“Death Of The Celts”
Muito semelhante a “The Clansman”, inclusive sua melodia e compassos de baixo. Não dá para falar mal, já que a “original” é linda e épica, essa também é. Belíssimo trabalho de composição (para aqueles que preferem não ‘ver’ a semelhança) de Steve Harris, mas eu pergunto: Onde está esse produtor para falar “Harris, você já fez isso antes, mude isso”? A falta de alguém como Martin Birch comandando as coisas para melhor realmente é sentido aqui em doses cavalares. A parte do meio nos remete muito aos clássicos do passado, como por exemplo algumas passagens do “Killers”! Suas orquestrações grandiosas dão mais vigor e corpo a faixa, e seus duelos de solos são brilhantes! Excelente faixa e mais uma aula de Bruce.

“The Parchment”
Outra composta por Steve Harris, com as guitarras andando de mãos dadas a orquestrações ao fundo, meio como uma marcha. Aparentemente interessante, mas não embala. Depois de 10 minutos de marasmo, a banda engata a segunda marcha e sai da monotonia, mas o tempo enorme desperdiçado deixa-a muito chata. A pior de todas, disparada. Nessa você mandou mal, Steve.

“Hell On Earth”
Terceira composta somente por Steve Harris, e tudo que ‘errou’ na anterior, acertou em cheio aqui numa versão mais eletrizante de “Sign Of The Cross”! Excelente! Talvez a melhor do álbum! Aqui tudo se encaixa perfeitamente: solo, vocal, bateria, riffs, velocidade, desempenho. Simplesmente vibrante e acredito que se tornará muito querida por todos, principalmente nos shows.

Em resumo, para mim “Senjutsu” é, SIM, o melhor álbum pós “Brave New World”, e quem discordar disso não está somente errado, como com algum problema psíquico intelectual. Existem faixas longas? Sim, mas em praticamente todos os álbuns da banda existem faixas assim. Poderiam encurta-las para melhorar o desempenho na audição? Sim! Fato! Aí que entra, mais uma vez, o lance do produtor para jogar no time da música, da arte, não do “quem manda aqui sou eu, faz o que estou mandando”. Não julgue! Respeite e agradeça por ter nascido na mesma época que existiu um tal de IRON MAIDEN!

Iron Maiden – “Senjutsu” (2021)
Texto por Sérgio Santos

Depois de nada menos que SEIS anos do anterior, após a confirmação oficial de que finalmente teríamos um novo trabalho de estúdio até que o tempo ajudou e passou rápido. Parece que foi ontem que começaram rumores, pistas e especulações e teorias mirabolantes sobre o que estava vindo, na maior campanha de marketing viral já realizada pela banda.

Nem precisaria. Todo lançamento de álbum do Iron Maiden é naturalmente assim mesmo, uma expectativa monstruosa, mundial e diferente de tudo: NÃO EXISTE outra banda de metal que provoque uma repercussão nesse nível em trabalhos novos (o Metallica é diferente, um receio e apreensão iguais ao de pais frescos quando precisam ver o que o bebê deixou de presente na fralda).

A minha primeira audição de “Senjutsu” foi frustrante. Havia gostado de “The Writing On The Wall” (a única que escutei antes de ter o álbum completo), mas o que ocorre: com uma banda assim, que se acompanha há mais de 30 anos, quando a mente se depara com músicas novas e que não vão pelo caminho que você já se acostumou (ou, na verdade, caminhos que gostaria, quando entra em campo a chamada memória afetiva) a primeira tendência é rejeitar, depois assimilar e por fim, eventualmente, passar a gostar. Muitos álbuns clássicos são assim, vários do IM mesmo comigo foi exatamente desse jeito. Ainda mais os recentes, que são longos, às vezes arrastados, morosos.

Muito se fala que o Iron Maiden não muda, que se repete ao longo dos anos. É uma meia verdade: quando se compara um “Killers” com um “Somewhere in Time” e depois com um “The X Factor” nem parece a mesma banda e quem não admite isso é de uma ignorância que beira a desonestidade intelectual. Por outro lado, também é notório que a partir de algum momento na carreira eles se tornaram super conservadores e com fórmulas que se são usadas exaustivamente. E a frustração tem aí a sua raiz: o fã que cresceu se apaixonando por obras definitivas, enxutas e, por que não, perfeitas dos primeiros sete álbuns, sempre terá essa referência inicial ao se deparar com algo novo, por mais que tente evitar. É como se acostumar com um novo colega de trabalho ou quando muda o dublador de um filme clássico. Foi assim comigo com praticamente todos os álbuns dos últimos vinte anos. A propósito: parece que “Brave New World” já tem essa idade toda?

Mas enfim, lá pela terceira ou quarta audição completa já estava amigo do “Senjutsu” (que amigo de nome… estranho!). Como antecipado, a faixa-título realmente tem algo de Tool na parte rítmica, com um “jingado” que nem parece o Nicko. Pesadaça, mas também não é aquele petardo rápido que costumava iniciar os discos dos anos 80, e os tecladinhos já provocam a primeira surpresa (talvez uma das que o Bruce comentou em uma entrevista). Alguns fãs reclamam de ser uma faixa de abertura cadenciada porque sempre fica a expectativa de uma nova “Aces High”, “Moonchild” ou “The Wicker Man”, mas isso em tempos recentes nem sempre funciona: “Wildest Dreams” e “Different World” seguiram a receita e não surtiram o mesmo efeito. Já “Satellite 15…The Final Frontier”, “If Eternity Should Fail” e agora “Senjutsu” são muito mais marcantes e melhores para iniciar uma apresentação atual sem o risco do Bruce arrebentar a voz tão cedo. Já é possível imaginá-la com todo mundo cantando junto na abertura de futuros shows.

Por falar em shows, está na cara que “Stratego” será incluída nos sets. Bem mais “cara de Maiden” ela tem uma cavalgada herdada de “El Dorado” e a mesma função de “Speed Of Light”, mas ganha fácil das duas. E o tecladinho surpreendeu, deu um toque diferente e até radiofônico, gostei. Sem dúvida a mais acessível. Simples e eficiente.

“The Writing On The Wall” é a mais ousada, a que mais foge da fórmula atual. A grosso modo não é a primeira vez que eles se inspiram em algo vagamente Southern Rock: “Prodigal Son’ e “Journeyman” também tinham algo assim, mas aqui usaram mais claramente essa influência nas guitarras e riffs. É um dos sons mais americanizados que já fizeram, com clima de som para se ouvir na estrada no meio do deserto (o sensacional vídeo com a animação captou isso muito bem). Com certeza é uma forte candidata a ser o maior hit ou clássico de “Senjutsu”, aquela que os fãs lembrarão onde estavam quando o vídeo foi liberado e todo mundo o assistiu, com uma expectativa digna de blockbuster.

Na quarta faixa começa a parte mais intrincada: “Lost In A Lost World” (esse título deu calafrios de imaginar que poderia ser uma nova repetição colossal e torturante do refrão, como em algumas pérolas do “Virtual XI”, você sabe a qual estou me referindo!). A introdução é lindíssima, fiquei dias tentando pegar a referência (provavelmente Uriah Heep da fase David Byron) e é uma das mais progressivas, com outra parte rítmica bem esquisita (olha o tal lado prog aí!). Poderia tranquilamente ser uma remanescente do “The X Factor” gravada para o “Brave New World”, assim como “Dream Of Mirrors”. E a parte final, com o Bruce acompanhando uns arpejos, é um dos momentos mais bonitos e emocionantes do disco (só para não perder a piada: dá a impressão que o Sr. Steve ‘Intro’ Harris queria colocar esse trecho no começo mas como já tinha um ocupando a vaga então ele mandou o apertador de botões mais bem pago do mundo usar no final da gravação).

“Days Of Future Past” é um raro momento do IM atual que já começa pesado (um dos melhores riffs) e acelera. Nada de intros climáticas aqui, então aproveite! E ainda bem que é muito boa sim. É também o momento em que o Bruce mais força a voz em tons altos, meio como ele fez em “Talisman”. Na metade há uma queda de ritmo, um “respiro” que me lembrou a “Out In The Fields”, clássico dos saudosos Phil Lynott/Gary Moore.

Em seguida, “Time Machine” foi uma das que na primeira audição eu não dei atenção e que agora considero uma das melhores. Que música sensacional! Depois da inevitável introdução climática vem a parte majoritária dela, com clima de classic rock grandioso dos anos 70, parecendo até uma sequência de “The Writting On The Wall” (repare como nessa parte elas parecem ter alguma ligação de sonoridade), quando de repente uma quebrada muda o ritmo para um incrível riff que é puro Maiden, com cavalgada e tudo. E depois muda novamente, com um outro riff e uma rápida passagem que lembra “Starblind” (há outros momentos trazidos de “The Final Frontier” ao longo do álbum, pode procurar!) e por fim chega o solo principal, muito bom. Uma das minhas preferidas e um épico escondido: se ela tivesse um título e letra mais pomposos certamente seria vista assim.

O CD 2 abre com a mais fraca do disco: “Darkest Hour” é uma power ballad OK, que fica melhor quanto mais se escuta, mas que perde para “Coming Home”, por exemplo. Pelo tema (quem assistiu ao filme do Churchill sabe) esperava algo com uma pegada mais militar e tensa, como em “Longest Day”, essa sim um verdadeiro relato dramático do momento mais decisivo da Segunda Guerra Mundial (ao menos para os britânicos). É como se “Darkest Hour” fosse o filme homônimo e “Longest Day” O Resgate do Soldado Ryan (ou Dunkirk). Há também uma leve inspiração em Dream Theater na parte logo antes do solo espetacular de Adrian Smith, sem dúvidas a melhor qualidade da música. O som de ondas e andorinhas ao final não funcionou, ficando até meio… brega?

E aí vem os esperados três épicos em sequência do Sr. Steve Harris. É como se até aqui o álbum fosse dividido democraticamente com a aclamada dupla Dickinson/Smith e Janick Gers (que em estúdio costuma mandar bem), só que a partir desse momento virasse o “quintal do Steve Harris em “Senjutsu”, onde ele pudesse fazer o que quisesse sem ser incomodado. Se quisesse incluir cinco minutos do som do vento batendo em folhas de um bonsai ele teria permissão.

E esse é o ponto mais delicado do álbum, porque, ainda que seja o compositor das magistrais épicas “Rime Of The Ancient Mariner’, “Alexander The Great” e “Seventh Son Of A Seventh Son” (só citando os exemplos mais emblemáticos, lógico que há outras), nem o mais delirante dos fãs imaginaria que essa nova trinca traria obras tão geniais, definitivas e, sem medo de errar, PERFEITAS. Na prática isso é até humanamente impossível: até para a genialidade artística existe um limite e é esse o perigo que ronda os álbuns recentes: como não existe produtor DE FATO, também não há limites onde nitidamente deveria (ou poderia) haver. Quando o limite é bem usado ele não tolhe a criatividade, mas colabora: é aliado da objetividade, você deixa as coisas mais enxutas e palatáveis sem destruir a essência da criatividade. É isso o que todas as bandas de rock progressivo tentaram desesperadamente no final dos anos 70, num ciclo inevitável de simplificação que, se pode descambar para o comercialismo de quinta categoria quando mal usado, se aplicado com inteligência pode deixar uma ideia muito mais eficiente. Só que isso depende tanto do artista ter essa consciência quanto ser humilde para permitir que uma outra cabeça tenha carta branca para opinar, para avisá-lo sempre que necessário, feito um amigo sincero. Papel de um produtor também inclui essa tarefa, uma análise crítica que vai muito além de apenas deslizar botões em uma mesa de som ou opinar sobre afinações de instrumentos.

Steve Harris certamente se inspirou na relação George Martin e Beatles quando respeitava e aprendia com o saudoso Martin Birch, um produtor à moda antiga. Mas ele tinha seus vinte e poucos anos e as coisas mudam.

“Death Of The Celts”, que foi vendida como “a nova Clansman”, para mim não chega a tanto. Boa, épica, agradável, mas nem se compara com o impacto de uma das sobreviventes da era Blaze Bayley. E Sr. Harris, eu percebi a inspiração da “Ghost Love Score”, do Nightwish, na melodia. TENHO PROVAS! Mas tudo bem.

“The Parchment” é a nova irmã de “Nomad” e “The Book of Souls”, com um início oriental CINEMATOGRÁFICO, em que você se sente entrando em uma pirâmide ou vendo alguma miragem perdido no meio do Saara. Pena que essa seja uma das vítimas do que comentei logo acima: não havia necessidade de quase treze minutos de duração. Em “Rime Of The Ancient Mariner” e nas outras que citei não há um segundo sequer desperdiçado, o tempo passa voando e você chega ao final delas empolgado, querendo ouvir de novo. Já aqui, sinto dizer, é inevitável o cansaço. Uma edição simples deixaria essa música perfeita.

E o fim chega com a ultramelódica “Hell On Earth”, mantendo a tradição de deixar o encerramento com alguma faixa com algo especial (pode conferir aí, desde o “The X Factor” é assim). Essa foi outra que eu só passei a entender melhor e curtir depois de ouvir várias vezes (talvez o fato dela vir depois de outras duas que exigem bastante acabe prejudicando). Hoje, com cerca de uma semana ouvindo, para mim é a melhor das três e um dos destaques da “Senjutsu”. Melodias MUITO bonitas, com um show particular do Bruce e das guitarras. É certeza que, se incluírem no set, há momentos prontinhos para todo mundo cantar junto. O Maiden atual é praticamente uma mini orquestra progressiva com raízes no heavy metal, que ele respeita mas não faz questão nenhuma de ficar usando toda hora. Não é uma banda focada em riffs, como são por exemplo o Judas Priest, o Saxon e o Accept: as canções são baseadas em arranjos, muitas e muitas harmonias de guitarra com voz, e “Hell On Earth” é muito isso: não é tão pesada, não é tão metal, mas é extremamente forte quando o objetivo é fazer o ouvinte se apaixonar pela melodia, se emocionar e querer sair cantando junto com o Bruce (tente não acompanhar o que ele faz lá pelos 8:50).

Estou plenamente satisfeito. Se for o último álbum então é certeza que essa banda NUNCA me fez passar vergonha com algum disco, mesmo quando vacilou em alguns momentos, mesmo com os problemas que todo fã está cansado de discutir, idealizando algo que não existe mais. O Iron Maiden está velho, está mais lento, está prolixo igual eu nesse texto, a produção é uma casa da mãe Steve Harris, mas quer saber? Ainda é A MELHOR banda de Heavy Metal de todos os tempos, a minha preferida de todas e estou muito feliz de poder acompanhar mais um momento assim. Banzai, “Senjutsu”! (ô nome difícil de acostumar, estou me sentindo o Dwight Schrute falando!).

Iron Maiden – “Senjutsu” (2021)
Texto por Eduardo Miguez

“Senjutsu” finalmente lançado com 2 anos de atraso . E podemos já concluir que apesar da longa espera tudo valeu muito a pena. Então vamos logo ao que interessa é sem delongas ao faixa a faixa.

“Senjutsu”: O álbum não poderia começar melhor . Batidas de tambores e aquele suspense do que vira. Eis que surge um riff bem ‘sabbathico’ e aquela pegada bem característica de Adrian Smith. A música segue com Bruce mandando em um tom médio o que deixa a música em uma linha bem acessível e sem aqueles exageros que já o vimos antes. A música segue praticamente na mesma abordagem sem muitas mudanças rítmicas. Solos muito bem encaixados , principalmente o segundo solo de Smith que na minha visão é um dos melhores do álbum principalmente por ser diferente do habitual. Música brilhante do começo ao fim.

“Stratego” vem na sequência e aqui temos as cavalgadas típicas de volta. Música forte, rápida e característica do que víamos no passado. Janick Gers assume o solo que, para mim, particularmente não agradou (já escutamos isso em diversos outros solos do guitarrista), mas não tira a qualidade da música que é excelente.

“The Writing On The Wall”: começa com uma linha folk/western que deixou os fãs perplexos de diferentes maneiras. No meu caso, não impactou na primeira vez que a escutei, mas com audições repetidas essa música cresceu muito rapidamente sendo para mim um dos pontos mais altos do álbum. O riff de Adrian começa cadenciado, logo a banda inteira entra e por último Bruce entrega uma excelente passagem vocal. É, também, uma música direta sem grandes mudanças de andamento. Destaque total para o excelente solo de Dave e em seguida o belíssimo solo do Adrian, que para muitos é o melhor ou um dos melhores do álbum.

“Lost In A Lost World”: PRimeira das 4 megas composições de Steve Harris. Introdução longa de violão e narrativa de Bruce. Eis que surge o tradicional galope, mas a música já começa meio arrastada. Pouco antes do refrão entra aquela famosa guitarrinha que já virou praxe seguindo Bruce no vocal (dessa vez Dave). O refrão é o ponto alto da música. Algumas mudanças de andamento bem ao estilo “The X Factor “, bons solos de Dave Murray e Adrian Smith. Refrão e aquelas repetidas formas de finalizar a música com o mesmo tema de abertura. Boa música que pode melhorar (ou não) com o tempo .

“Days Of Future Past”: A música mais curta e direta do álbum e  com os 3 guitarristas em ação. Logo rola um breque e somente a guitarra de Adrian desferindo um riff típico. Novamente entra a banda com Bruce mandando muito bem. O ponto fraco é a parada que a banda da após o solo de Adrian, que já fizeram isso em “Wildest Dreams”. De qualquer forma, É uma ótima música.

“The Time Machine”: Uma das músicas mais elogiadas pelo que tenho lido. Início cadenciado com uma bela melodia. Rapidamente as guitarras entram e a música traz uma pegada diferente que achei muito criativa. Tudo vai indo muito bem, mas depois dessa “Primeira parte” a música se perde um pouco com um riff mais rápido que já fizeram antes. Segue um solo estranhíssimo de Adrian Smith, e em seguida 2 bons solos de Dave Murray e Janick Gers. Enfim, a música segue com a primeira abordagem até chegar ao final melancólico que já conhecemos bem. Essa música ainda não me cativou de jeito, mas longe de ser ruim.

“Darkest Hour”: Uma boa balada que está cada vez melhor. Muitos dedilhado e nenhum riff impactante, mas tudo isso é compensado com uma interpretação incrível de Bruce, e não parando por aí entra um solo magistral de Adrian Smith, seguido de um solo de Dave que não deixa a qualidade cair. Música que irá crescer muito com o tempo.

“Death Of The Celts”: Introdução de mais de 2 minutos. Daí explode, mas não chega a empolgar. Muitas mudanças de tempo, 4 solos pela frente e dá-lhe instrumental, finalizando com aquela narrativa da introdução. Não me empolgou muito não.

“The Parchment”: Introdução muito bacana e bem diferente. A música explode muito bem com um riff pesado e com uma pegada bem Iron Maiden. Temos novamente aquele solinho acompanhando o vocal, mas que não compromete em nada dessa vez. E dá-lhe solos um atrás do outro. 3 do Janick Gers, 2 do Adrian Smith e um do Dave Murray que mostra um dos seus melhores momentos. Uma música que tinha tudo pra ser incrível começa a se perder depois do primeiro solo de Adrian Smith, onde inicia aí sim um solinho insuportável acompanhando o vocal por 2 minutos. A música se perde a partir daí, infelizmente.

“Hell On Earth”: Assim como tivemos um início incrível com “Senjutsu”, aqui não é diferente, com uma música brilhante. A música cadenciada com alguns licks muito bacanas logo cresce com um belo instrumental e Bruce muito inspirado. Dave Murray inicia seu solo, logo emendado por Adrian Smith que ao finalizar cria uma melodia que provavelmente é a mais linda do álbum. A música entra novamente numa cadência com uma narrativa de Bruce que logo em seguida canta um verso lindo, com uma explosão vocal ímpar. E assim entra novamente o riff e mais solos, dessa vez de Janick Gers. Novamente entra o verso de Bruce com sua explosão vocal. Melodia linda de Adrian Smith para assim a música cair de forma cadenciada e então encerrar a saga de “Senjutsu”.

Destaques individuais:

Bruce cantou num tom um pouco mais baixo praticamente o álbum inteiro, o que foi maravilhoso. Ele foi incrível em todas as suas performances.

Steve, como é bom vê-lo novamente com suas galopadas e mostrando que o Iron Maiden é ainda sua maior paixão na vida, afinal escreveu 4 músicas sozinho, sendo uma delas a impecável “Hell On Earth”.

Janick provando sempre que é um ótimo compositor. Está bastante participativo nos solos dessa vez. Seu maior destaque está como solista em “Parchment”, mas de uma maneira geral continua me desagradando muito com solos repetitivos (vide “Stratego”) e muito mal elaborados.

Dave posso falar que voltou a brilhar, não como antigamente, mas pelo menos deixou a chatisse que foi como solista em “The Book Of Souls”. Aqui ele elaborou bons solos como em “The Writing On The Wall”, “Lost In A Lost World” e “Death Of The Celts”. Pena não ter composto nenhuma música.

Adrian está a vários degraus acima dos outros, em larga escala. Compôs 4 músicas. Solos refinados, criativos e sempre trazendo novos arranjos. A melodia dele (praticamente seguindo o solo) em “Hell On Earth” é uma das linhas de guitarra mais lindas criadas nas últimas décadas.

Nicko triunfou com o a muito tempo não se via . O que ele fez na música de abertura já vale o álbum. A equalização da sua bateria está incrível.

PRODUÇÃO sim, eu sou um fã que sempre reclamou muito do Kevin Shirley e do Steve, mas se não foi um primor é de longe a melhor produção desde o “Brave New World”.

Enfim, um álbum incrível que agradou grande parte dos fãs. E que venha turnês e shows incríveis em 2022.

Iron Maiden – “Senjutsu” (2021)
Texto por Ivan Oliveira

Depois de longos seis anos, finalmente um novo lançamento da Donzela de Ferro. E como todo novo disco deles, o mundo “metálico” começa a girar em torno. O disco foi gravado em 2019, portanto, antes do início da pandemia e a apreensão é sempre grande. Todos querendo saber se irão continuar com a mesma fórmula da última década, como soaria Bruce depois de passar pelo câncer, etc. Então, vamos as músicas.

A abertura, com aqueles tambores de guerra marca o início da faixa título, “Senjutsu”. De primeira, achei a levada densa e atmosférica, um climão e riffs pesados. E Bruce mostra uma performance excelente, algo que será destacado ao longo de todo o disco. Na primeira vez que ouvi me remeteu muito a carreira solo dele. As vozes dobradas, algo que também é constante no álbum foram muito bem usadas. Não poderia começar melhor.

“Stratego”, segundo single do disco, é a música “identidade” do Maiden, contém todas as características que estamos acostumados na banda, principalmente o baixão galopante. Curti na primeira vez, depois ela caiu um pouco no meu conceito, pois comecei achar uma versão não tão inspirada de “El Dorado”, entretanto, quando a escutei no álbum, entrando na sequência de “Senjutsu”, a faixa fez todo o sentido, melhorando muito no conjunto da obra. As duas obrigatoriamente tem que ser tocadas nessa ordem.

O Maiden, em minha opinião, não usa muito bem as redes sociais, extremamente burocráticos e sem criatividade, ou até mesmo o fator emocional fica em dívida. Porém, para o lançamento de “The Writing On The Wall”, conseguiram causar um pouco de alvoroço com as pistas lançadas no Twitter ao longo de alguns dias, que culminaram no lançamento mundial do single no You Tube, com um belo clipe em animação, diga-se. E quanto a música? Diferente de quase tudo que a banda fez na carreira, um início meio “country” ou “folk” no violão, que eu sinceramente lembrei um pouco de Bon Jovi, e isso foi um elogio. Gostei de se arriscarem em algo novo, sair da zona de conforto, uma música cadenciada, uma levada mais rock e para mim o destaque absoluto, os dois belos solos, mas o segundo, do Adrian Smith é algo que dava pra deixar no repeat por 100 vezes. Que inspiração.

Seguindo, temos “Lost In The Lost Word”. Começam as introduções e as músicas longas, falarei sobre isso mais para frente. Mas essa foi ok. O som, de primeira, achei legal, mas sem me chamar muita atenção. Depois de escutar algumas vezes, melhorou e para mim é como se o Bruce estivesse cantando um som inédito do “The X Factor”. Quase todas as características desse álbum estão presentes aqui, o clima meio sombrio e dark, sons mais arrastados, a bateria muito parecida, até mesmo dá quase para imaginar o Blaze cantando. Particularmente, eu gostei muito do primeiro solo dessa música, Dave Murray faz um trabalho diferente, um solo que quebra o ritmo, moderno. E finaliza com Bruce quase recitando, algo que também irei focar na análise final.

“Days Of The Future Past” deveria ter sido um single. A música mais curta do disco é direta, sem enrolação. Quando começa tem aquela pequena parte introdutória e aí o som da guitarra se isola em um riff do Adrian, fazendo sentirmos aquela sensação “É isso!” Até lembrou o timbre de ;”The Wicker Man”. O refrão é muito legal e fácil de pegar, tornando-a uma música que funcionará bem nas arenas, inclusive na parte mais lenta.

A última música do disco 1 é “The Time Machine”, que para mim, com uma semana de audição é a minha segunda faixa favorita. Começa (de novo) com uma introdução, dessa vez não tão longa, que emenda com um riff bacana. Bruce canta os versos de uma maneira interessante e a música vai seguindo até que próximo dos 3 minutos ela começa a mudar, crescer, e ficar melhor, e assim segue melhorando, com quebradas de ritmo bruscas, solos muito interessantes e com estilos completamente opostos. Até que volta o riff, com Bruce cantando muito! Excelente, menos… bom, deixa para depois.

A “balada” do disco, “Darkest Hour” é baseada no ótimo filme sobre Winston Churchill (O Destino da Nação) e as horas antes da histórica decisão da Inglaterra se decide confrontar Hitler ou aceita o acordo de paz. Confesso que na primeira audição pensei “isso é Bruce solo!”, mas não tão inspirada quanto as lindas baladas dos discos dele. Demorou um pouco para eu começar a gostar desse som, mas agora já acho uma bela música. A performance de Bruce é emocionante em alguns momentos! Eu particularmente gostei da bateria do Nicko, mas principalmente, os solos de guitarra da metade para o final da música são mais vistosos e maravilhosos. Um trabalho de guitarras impressionante, sendo inclusive um grande destaque do disco num todo. O trabalho dos três guitarristas chamou muito a atenção como há anos não era escutado.

Iniciamos a trilogia final de Steve Harris. A próxima faixa é a ‘The Clansman século XXI’, ou melhor “Death Of The Celts”. Só que não é bem assim, apesar de lembrar bastante em alguns momentos, não tem a mesma inspiração de sua prima e nem o mesmo refrão empolgante. Porém, algumas passagens do som, principalmente na metade, quando acelera, são muito interessantes e poderiam ser melhor trabalhados. A música não é ruim, mas talvez seja uma das que caiam no meu esquecimento daqui algum tempo.

“The Parchment”, a mais longa do disco, tem uma introdução das mais interessantes, diferentes, e de que gostei. Começa bem o som, com bons riffs, meio orientais, mas esse é aquele típico som que teria o maior potencial para ser muito bom se não tivesse algumas passagens repetidas desnecessárias, ainda mais com o final da música sendo tão bom, pesado, inspirado. Infelizmente, muito longa e não agradou tanto quanto deveria.

“Hell On Earth”, última faixa do álbum, provavelmente já devo ter escutado umas 20 vezes. A música tem o DNA do Maiden, é longa sem ser enjoativa, a introdução é bonita (mas poderia ser menor), baixo de Steve Harris conduzindo muito bem, um solo excelente do Dave Murray e Bruce se destacando muito, mas cantando muito mesmo. Após uma parte lenta, onde ele recita alguns versos, retorna com “Love in anger, life in danger. Lost in anger, life in danger” numa entonação diferente e de arrepiar. Perfeito.

Chegado ao final do disco, e após dezenas de audições, o saldo é mais do que positivo. Entretanto, serei mais um a criticar a mesma coisa que tantos outros. Introduções em alguns casos desnecessárias, ou então, muito longas. Faz falta um produtor para falar isso ao patrão, teria melhorado muito a qualidade do disco. O final de “Time Machine”, com aquela parte do Bruce quase sussurrando é totalmente dispensável, assim como em “Lost In A Lost World”. As gaivotas em “Darkest Hour” também não precisavam ter todo esse espaço, enfim, são detalhes que poderiam tornar a audição do disco mais fácil e agradável.

O Iron Maiden é minha banda favorita há mais de 25 anos, tenho marcado na minha pele esse amor, e acho que sempre será, portanto, ao final de mais um disco, a felicidade é muito maior que qualquer tipo de descontentamento e a alegria de saber que esses senhores, 40 anos depois, ainda estão fazendo música, original, sem se render a modismos, ou apenas tours caça niqueis tocando as mesmas coisas do passado me deixa muito satisfeito.

E para finalizar, curiosidades que nem todos se interessam, mas, uma banda de um estilo dito como “morto” por muitos, com quase meio século de carreira, consegue lançar um disco e entrar nas classificações dos álbuns mais vendidos do mundo inteiro, brigando com nomes ultra mega populares, como Drake e Kayne West, e ainda assim, em alguns lugares estar em primeiro é algo fenomenal.

UP THE IRONS!!! Vida longa aos reis do heavy metal!

Iron Maiden – “Senjutsu” (2021)
Texto por Wellington “Zué”

Todo lançamento do Iron Maiden gera uma expectativa enorme nos fãs da banda e este novo álbum não foi diferente. O que esperar? Uma volta às raízes da banda? Uma continuação do que já estão fazendo nos últimos anos? A seguir saberemos; mas antes, vamos falar do Eddie da capa. Essa versão samurai e os outros desenhos que a banda lançou ficaram muito bons, méritos ao artista que soube fazer a conexão coma temática apresentada em algumas faixas.

“Senjutsu”, a primeira do disco e faixa título, tem como destaque as batidas que marcam o ritmo da música. Música longa, diferente e que deve abrir a tour do álbum. Ótimo início.

“Stratego”, a que mais se aproxima do som tradicional do Maiden. Excelente música, uma das melhores do álbum. Baixo galopante, maior velocidade e aquele final com backings do Adrian; bem que podia ter esses backings em mais músicas da banda. Fica a dica, Steve!

“The Writing On The Wall” que refrão chiclete hein? Ouviu uma vez, já sabe cantar. Méritos a banda. Música diferente também. Interessante! E com clipe muito legal de animação.

“Lost In A Lost World”, uma das favoritas do álbum para mim. Música longa, que em algumas passagens lembram a fase “The X Factor”, no final cheguei a lembrar um pouco de uma passagem da “Lord Of Light”, e com um refrão muito bacana. Tomara que entre no setlist da tour.

“Days Of The Future Past”, direta e reta. Ficou uma expectativa por ser uma música tradicional da banda e foi. Só não sei se ficará marcante na longa discografia da banda.

“The Time Machine”, algumas partes dos riffs lá paro meio da música lembram a “Dance Of Death” (mesmos compositores). Música que vai crescendo a cada audição, no começo não cativou muito, mas ultimamente tem melhorado.

“Darkest Hour”, barulho de mar e gaivotas no começo? Lembrei na hora do filme “O Farol”, já viu? Corre para ver, pois é um dos filmes mais estranhos já feitos! Quanto a música, uma baladinha que não compromete, mas não empolga.

“Death Of The Celts”, todos vão lembrar-se de “The Clansman”, não tem jeito. Partes dos solos do meio da música empolgam, daria pra cortar um pouco a duração.

“The Parchment”, que música longa (risos). Na metade da música tem uma parte legal com o Bruce. Problema que chega no final, você nem lembra muito da música. Deveria ter uns 4 a 5 minutos a menos.

“Hell On Earth”, a que pelo nome me chamou mais atenção quando foi divulgado o tracklist. Introdução longa, a música vai crescendo e encerra de forma épica este álbum. Uma das favoritas do disco.

Chegamos a conclusão que a maioria das faixas são boas, tornando um bom disco da banda mas que algumas faixas pecam no excesso da duração. Cadê o produtor para dar uma limada numas passagens aqui, numas introduções ali? Ficou com medo de falar paro Steve? Vai saber! (risos)

Iron Maiden – “Senjutsu” (2021)
Texto por Rafael Chinini

Para começar, precisamos relembrar da máxima, GOSTO É RELATIVO! E CADA UM TEM O SEU.

Eu recomendo essa resenha a quem já ouviu o álbum, não ficarei descrevendo músicas para que se imagine como ela é, e sim trazer impressões do que já foi ouvido.

Gostar ou não de uma música ou álbum é uma experiência influenciada por tudo ao seu redor. Suas vontades, expectativas, seu momento de vida, seu possível stress do trabalho, em casa entre outros fatores vão influenciar esse momento.

Não sou (ou não era, pois lá se vão 21 anos) um fã das antigas! (anos 80 e 90). Peguei o lançamento do “Brave New World”, que devido as influências que citei acima considero um dos meus favoritos da banda (favorito não significa melhor!!).

Desse tempo pra cá já tive sites da banda, banda cover, fui há diversos shows, e acompanhei com fanatismo todos esses 21 anos de trabalhos e lançamentos da banda.

Semanas antes do lançamento do “Senjutsu”, passei a fazer quase um treino mental para controlar as expectativas e aceitar que a banda mudou, levando em conta que “The Book Of Souls” e “The Final Frontier” foram grandes decepções devido a essa nova “fórmula”. Essa nova fase que considero pós “Brave New World” ou até pós “Dance Of Death”, iniciou uma mudança acentuada na sua proposta musical desde o “A Matter Of Life And Death”.

Dito isso, vou aqui descrever minhas impressões do álbum com base no meu gosto pessoal, na minha experiência como descrevi acima, nas audições que fiz e nas entrevistas e resenhas que também li antes do seu lançamento.

Fiz 4 audições que considero principais, pois para cada mídia há detalhes na sonoridade que podem mudar:

1 – Spotify no computador com fones de ouvido
2 – Spotify no celular com fones de ouvido
3 – Mídia física (CD) no som do carro
4 – Spotify na TV usando soundround 5.1

Título e capa: pra mim foi uma grande surpresa um título “japonês”, saindo do padrão e chamando a atenção pra temática e que conseguiu levantar um dos pontos fortes desse disco desde o começo: a curiosidade!!

A capa segue um pouco o estilo do antecessor “The Book Of Souls”, com fundo preto, quase como uma foto 3×4, de um mascote que ao longo do tempo vem se modificando e tomando formas “estranhas” em relação ao Eddie tradicional. E não é pra dizer que sou algum devoto de Derek Riggs, mas particularmente não sou fã desse tipo de arte: as letras do logo ‘Iron Maiden’ em 3d, quase um “wordart” também são incomuns (para não dizer inéditas) em uma capa sem riqueza de detalhes, que ao invés de fazer alguns fãs passarem algum tempo analisando e apreciando sua arte, os fez gastar tempo fazendo capas e artes alternativas na tentativa de dizer “poderia ser melhor”. É uma capa simples e agressiva, mas tenho preferência pelos desenhos mais tradicionais como as artes do CD e as flâmulas divulgadas posteriormente.

“Senjutsu”: Ponto positivo ao início do álbum que depois de uma introdução climática de 15s começa para valer. Que me perdoem “The Final Frontier’ e “The Book Of Souls” com introduções exageradas, que funcionam para entrar no clima do álbum e do show, mas que você quer pular quando vai ouvir as faixas separadamente.

A música título tem uma levada mais lenta, pesada e com clima tenso. Expectativa criada com sucesso, música tem uma pegada diferente, inovadora que prende a atenção. Um quase refrão com clima melancólico, parte instrumental caprichada e onde já se nota um melhor trabalho de vozes com dobras e ecos. Em certo momento a música da um sinal de longa demais, não há mudanças de ritmo ou na levada, o que me fez baixar o entusiasmo no exato momento que ela te prepara pro final e você entende que aquilo foi uma bela porrada de peso e inovação, e um aquecimento em melhor estilo que funciona muitíssimo bem com a música que vem na sequência e abre o álbum quase como uma 2 em 1.

“Stratego”: segundo single lançado, seu início com a típica cavalgada me deu um alívio imediato, com mesmo efeitos de guitarra usados na música “El Dorado”, porem com um certo clima oriental e grandioso. O vocal do Bruce começa leve e em tom baixo, e mostra que a produção ainda deixa a desejar em alguns momentos. A melodia típica de Janick Gers seguindo o vocal durante o verso chega a ser infantil e desnecessária lembrando sonoridade de um Karaokê, mas que relevei na minha primeira audição. Efeitos de sintetizadores ou teclados ao fundo colocaram um sabor especial na música principalmente na levada após o solo e terminando de maneira forte!

“The Writing On The Wall”: o Iron Maiden que não faz um trabalho nas redes sociais dos mais exemplares, passou dias na campanha de marketing para seu primeiro single. Tanta falação e teorias da conspiração não fizeram a banda sair do básico e anunciar “somente” sua nova música single e clip. Quem achou que viria algo a mais ficou na vontade e reforçou a ideia de que a banda é metódica e tradicional. Essa música não me cativou de primeira, aliás foi até um pouco decepcionante. Eu sempre acho que um single, uma abertura de show, tem que ser algo estrondoso, que te leva pra cima, que chega rasgando. E “The Writing On The Wall” depois de criar grande expectativa trouxe algo calmo e contido. Só fui dar valor a essa música depois do lançamento do segundo single, e mais ainda na audição do álbum. A animação é sensacional, os duetos funcionam bem assim como o clima melancólico, e tem pra mim um solo de arrepiar, falarei disso mais pra frente.

“Lost In A Lost World”: Bruce disse em uma entrevista que “..você acreditaria que acidentalmente entrou em um álbum do Moody Blues ou do Pink Floyd fazendo algo por volta de 1973, com os vocais em camadas e coisas assim..”. Guardadas as devidas proporções é verdade, a intro lenta e acústica, presente em TODAS as músicas feitas por Harris já era esperado, porém eu gostei muito desse trabalho de voz e do clima, apesar da fórmula repetitiva, é possível acertar a mão tentando algumas inovações ou elementos diferentes, que foi o caso. Temos o mesmo tecladinho que acompanha as 2 primeiras músicas e é algo marcante pelo álbum. A música me levou DIRETO para o “The X Factor”. Acho que essa opinião foi quase uma unanimidade, todos os elementos daquele álbuns estão aqui, a tensão, o clima e as passagens de guitarra, refrão, tudo! Eu que esperava pelo pior, apesar das introduções e final lento acústico, me rendi a esse bom som trazido direto da era Blaze.

“Days Of The Future Past”: A maioria cruzava os dedos pra ouvir a música mais curta e direta do álbum, que vamos ser sinceros também não tem sido o forte da banda nos últimos lançamentos. Esse som junto com “Stratego” completa perfeitamente o equilíbrio entre duas músicas rápidas de estilos diferentes, essa com um riff mais marcante, um refrão fácil e também um único solo. Mas, por que cara**** a música tem uma pausa? Anticlímax total, que ok vai ficar “bonitinho” ao vivo mas era totalmente desnecessário numa primeira impressão!! A mudança de andamento no refrão final da um gás especial! Essa música seria facilmente uma música de abertura de álbum solo do Bruce.

“The Time Machine”: A traumática lembrança de composições dessa dupla me fez tremer na base antes de começar a audição. O início praticamente IDÊNTICO a “The Talisman” e “The Legacy” faz você querer se jogar na frente de um caminhão logo nos primeiros 15s, mas a virtude da paciência é compensada com uma das músicas mais interessantes do álbum. Riff bem diferente, uma levada mais leve mas ao mesmo tempo cativante. Que bela música com mudanças de ritmo, um refrão climático, trabalho de guitarras em evidências e backing vocals funcionando. Essa sim peca com um final lento e desnecessário aos 6:40.

“The Darkest Hour”: Dizem que a expectativa é a mãe da merda. Foi o caso na primeira audição do disco dois. Começando com o que prometia ser a balada das baladas, começa com uma sonoridade estranha da guitarra. Tenho impressão que o tema da música não encaixou bem com o clima que ela queria passar. Você percebe que a intenção era ser uma power ballad, que apesar de um refrão interessante e um solo absurdamente inspirado de Adrian, não funcionou tão bem pra mim. Poderia dizer que se encaixaria como uma balada lado B do “Chemical Wedding” ou aquelas versões esquecidas que vem em versões bônus japonesas. O que essa música merecia era terminar em um efeito fade out em looping no seu refrão. Seu final com sons de gaivotas é dispensável.

“Death Of The Celts”: Um bonito começo com baixo acústico, que desceu bem. Mas todos caímos na armadilha do “The Clansman 2”. Não tem como separar uma coisa da outra já que a sonoridade da intro é intencional e citada em todos os reviews, porém as semelhanças terminam ai!! Não temos o lindo refrão, a narração dramática em busca de liberdade ou os riffs memoráveis. Ora ora, se o senhor se propôs a fazer algo pra te levar direto a um clássico de batalha como “The Clansman”, nada mais justo do que esperar por algo tão grandioso quanto, mas que não funciona. Cheguei a dizer na primeira audição “essa música é RUIM!”. E ela tem piora na qualidade de produção durante o decorrer da música, observem aos (8:04). Infelizmente música pouquíssimo inspirada onde nem a parte instrumental trouxe algo grandioso ou marcante. Uma das mais fracas do álbum.

“The Parchment”: Essa música tem um início misterioso que promete prometia ser um épico dramático e poderoso, junto com riff egípcio e pesado, por um momento trouxe um clima do que poderia ser uma porrada estilo “Alexander The Great”. Após alguns versos, a música traz um riff sensacional quee leva a uma pequena viagem que me lembra momentos de “The Nomad”. Assim a música até funciona bem até os seus 6:50 minutos quando entra uma narrativa chata e cansativa, e volta a dar um bom andamento só aos 10min, para no final voltar a mesma melodia do início e terminar sem impacto nenhum. Como alguém consegue errar a mão usando uma das escaladas mais instigantes do Rock/Metal? Essa música poderia ser um instrumental de 6 min talvez. Até Bruce chegou a criticar essa composição como uma sequência instrumental “repetitiva”.

“Hell On Earth”: Essa é a nova queridinha dos fãs, então preciso de cuidado nas palavras. Confesso na primeira audição cheguei nessa faixa já cansado e com certa tristeza provocado pela queda de qualidade e novidades do disco 1 para o disco 2. Precisei de algumas audições para entrar no clima de uma nova e longa introdução acústica. A introdução traz uma guitarra em com uma cadência rítmica de um…relógio? Algo que me remeteu a passagem de tempo. O fim da introdução ainda me trouxe referências de “The Reincarnation Of Benjamin Breeg” (aos 1:40) e acredite, “The Clansman” aos 0:49. Apenas detalhes de boas referências, é uma boa mistura que mais para frente irá remeter a outro épico sobre fim do mundo que é “When The Wild Wind Blows”. Essa música entra num ótimo ritmo tanto instrumental e vocal, e finalmente uma música que CRESCE na sua narrativa. Já na metade, a música traz o que seria o melhor refrão do álbum aos 5:20! Me empolguei e fiquei esperando a conclusão da música para voltar a esse canto maravilho que INFELIZMENTE NÃO VOLTA!!! Mesmo assim, a música continua em uma ótima sequencia instrumental, solos e tem uma pausa para um clímax lento e denso. Quando você nem se da conta de quantos minutos se passaram ela simplesmente ACABA como num perverso coito interrompido, se perguntando “POR QUE DIABOS???” De volta, temos a mesma melodia da introdução em um fade out de mais de 1 min que poderia ser melhor utilizado para dar um desfecho em alto nível, repetindo o canto “I wish I could go back…” , eu também queria voltar nessa passagem que daria um ótimo refrão.

3 Guitarras: Adrian Smith lidera o trio de guitarras nesse álbum, tanto em composições como em marketing. Foi o único dos 3 a dar as caras desde o anúncio do álbum. Acredito que esse seja até agora o álbum que melhor se aproveitou da opção 3 guitarras! Acredito que os arranjos foram bem mais pensados e preparados para essa formação, do que apenas fazer dobras! Porém individualmente as impressões são outras. Dave Murray faz bons solos, mas passa impressão de ter ficando distante da criação do álbum como um todo. Janick Gers com sua sonoridade mais crua e de gosto discutível, que já compôs músicas incríveis e solos emblemáticos, também fica um pouco abaixo da média. Adrian Smith rouba a cena. Me lembro do vídeo que circulou na internet dele tocando o solo de “Comfortably Numb” e ao contrário do que álbuns anteriores relataram pressa nas gravações, dessa vez o cara sentou com calma e escreveu nota por nota com precisão. Tudo ali foi muito bem pensado, e temos momento incríveis como em “The Writing On The Wall” e “Darkest Hour”.

Bruce: show à parte para o vocal de Bruce! seu vocal é exigido de maneiras diferentes durante o álbum (graves, agudos, interpretações), e seu trabalho de mais dobras e backing chamou minha atenção.

Nicko: apesar de ser muito citado principalmente por Bruce em algumas entrevistas, o baterista cumpriu seu papel, com destaque para “Senjutsu”, mas não tirou nenhum grande coelho da cartola. Em algumas entrevistas ainda deu entender que não estava 100% confortável quando foi chamado para gravar. Seu novo kit de bateria desde o “The Book Of Souls” trouxe uma ótima mudança de sonoridade, mas nessa gravação passou um tanto despercebido.

Harris e sua trilogia: Sabe quando dizem que você mesmo é seu maior inimigo? Essa a impressão tenho de Harris em relação ao Iron Maiden. Chefão da banda, responsável pelos maiores épicos, parece agora também ser seu maior inimigo. Insiste há anos em introduções lentas, exageros sem sentido e parece boicotar momentos que seriam grandiosos deixando os apenas bons. Fora sua notável influência negativa na produção dos discos.
Uma recente entrevista de Nicko me fez franzir a testa quando dito “foi tudo escrito por ele. Ninguém apareceu com mais nada” e Steve disse “Eu tenho uma ideia para esta melodia”. O relato “Ninguém apareceu com mais nada” me deu uma péssima impressão de “já que ninguém tem mais nada vou inventar isso aqui mesmo”. Seus 3 épicos são longas narrativas, sem refrões, sem estrutura e quase sem identidade, salvo por “Hell On Earth” que tem potencial.

Kevin: o que dizer de um produtor que em todos esses anos NUNCA teve um destaque positivo?? Nesse álbum parece ter feito um trabalho melhor em termos de mixagem, mas que simplesmente não dá pitacos (talvez nem possa) no trabalho da banda e a falta de um bom produtor é evidente faz anos. Parece não passar de um “apertador de botões” para o chefe Steve.

Visão geral: Para mim o saldo final de “Senjutsu” é muito positivo! Trouxe músicas de alta qualidade, diferentes e até inovadoras . Conseguiu cativar minha curiosidade para ouvir diversas vezes mesmo as músicas que menos gostei, algo que nos álbuns anteriores o faz você querer mudar logo de faixa e concentrar apenas nas que você realmente gostou. O disco um passa em um piscar de olhos e faria um ótimo álbum único com mais duas faixas do disco dois, sem necessidade de ser duplo.

Digo que o Maiden ainda peca pelo excesso de músicas longas. A banda ainda não aprendeu que muitas vezes o menos é mais!! Para mim, todos os últimos 5 álbuns poderiam ter 2 ou 3 faixas a menos evitando os excessos.

Achei “Senjutsu” mais consistente e o que provavelmente trouxe de forma mais honesta o que a banda vem tentando há anos em termos de som progressivo, mais cadenciado e pesado. O que eu sinto há algum tempo é a falta de um grande clássico e de uma melodia pegajosa como “Dance Of Death”. Acredito que os 3 ou 4 álbuns anteriores estejam abaixo de “Senjutsu”, mas que por vezes trouxeram faixas individualmente mais marcantes e superiores a este.

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