
Banda principal: Iron Maiden
Banda de abertura: The Raven Age
Local: Estádio do Morumbi, São Paulo/SP
Data: 06/10/2019
Produção: Move Concerts Brasil
Assessoria de imprensa: Midiorama
Texto por Johnny Z.
Fotos por Johnny Z. e Rafael Chinini
Quem me conhece sabe o quanto o Iron Maiden fez e ainda faz parte da minha vida. Comecei muito jovem a escutar a banda, no longínquo ano de 1986, com o álbum que mudou a minha vida para melhor, “Somewhere In Time”. De lá para cá, minha paixão pela banda aumentou, teve alguns altos e baixos, depois se renovou de novo, voltou a ter uns “ranços” por conta de uns álbuns muito ruins, mas não adianta, os caras podem fazer mambo que eu vou estar ali sempre presente (risos). Já tive a honra de cobrir muitos shows da banda quando eu ainda escrevia para a revista Roadie Crew, mas agora, pela primeira vez, com meu próprio veículo, o Metal Na Lata. Confesso que ao receber a resposta de credenciamento a palpitação aqui chegou a níveis alarmantes, pois das outras vezes, quando ainda estávamos engatinhando, não foi possível. Tudo é fruto de um trabalho bem feito e agora estamos colhendo os frutos. Rock In Rio (duas vezes), shows de bandas grandes e pouquíssimas negativas de credenciamento, tudo isso me deixa muito orgulhoso de toda a equipe que tenho junto comigo. À todos eles, bem como à todos os assessores de imprensa e produtores de eventos que confiam em nosso trabalho, o meu muito obrigado. Gratidão!

Agradecimentos pontuais à Move Concerts Brasil e a Midiorama pelo credenciamento. Pena que nosso fotógrafo não pode ser credenciado para que essa matéria ficasse ainda mais prazerosa ao leitor, mas entendemos perfeitamente. Por conta disso, me virei nos trinta e algumas fotos de meu celular e de amigos espalhados pela pista premium ajudaram a montar essa resenha.
Dois dias após o fantástico e abarrotado show que o Iron Maiden fez no festival Rock In Rio, eis que os reis supremos do Heavy Metal mundial aportam mais uma vez em São Paulo e novamente no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, vulgo Morumbi. Num dia nublado e frio, com chances de 20% de chuva de acordo com os dados da meteorologia, mais de 61 mil pessoas compareceram ao “culto” que foi aberto pela apresentação dos jovens do The Raven Age.

Para quem não sabe, o The Raven Age conta com dez anos de estrada e com o filho de Steve Harris, George Harris, em uma das guitarras, dando sequência ao nepotismo habitual dos donos da festa para a abertura de seus shows. Ninguém reclamou, pois além de a banda ser até que interessante, bem pesada e moderna, não teve nenhuma alma ali presente que torceu o nariz puramente por dois motivos: ou gostou da banda ou por empatia (creio que uma maior parte) em relação ao “patrão” e pai do rapaz (risos). Se fosse outra banda, creio que o brasileiro (infelizmente) mostraria sua “educação” habitual e costumeira em relação a bandas de abertura que destoam totalmente do foco principal.
Pontualmente as 18hs40, entraram no palco com seu Melodic Groove Metal, mezzo pesadão mezzo modernoso, numa mistura de Avenged Sevenfold, Trivium, um pouco de In Flames atual e com um pé fincado no Metalcore mais cadenciado, só que sem berros ou gritarias, pois o atual vocalista Matt James tem um timbre totalmente limpo (da mesma forma que o cantor anterior). O som estava impecável, nítido e até a iluminação estava além do esperado por ser uma banda de abertura, mas acho que todos sabem o motivo, certo? (risos)
Confesso que não conhecia a banda, mas fui atrás de seus trabalhos para entender melhor sua proposta e feito isso continuo com a mesma impressão que tive lá na hora do show: é uma banda muito boa, técnica e com excelentes músicos, só que para fãs mais jovens, ou seja, essa geração mais cheia de “nove hora” que coloca a melodia a níveis estratosféricos beirando coisas mais pop e acessíveis. Não é ruim, pois gosto de muitas bandas com essa proposta, mas o vocal realmente para mim não se encaixou. O segundo guitarrista, Dan Wright, que fazia também ótimos backing vocals mais “extremos” e “monstruosos” se encaixaria muito melhor, ao meu ver. É a mesma sensação se víssemos um Godzilla usando roupa de Hello Kitty soltando “berros” iguais a uma Peppa Pig. Canta bem o garoto? Sim, mas, ao vivo ali para mim destoou um pouco de todo o peso que saia das duas guitarras. Vou dar mais chances ouvindo seus trabalhos, em especial o mais recente “Conspiracy”, na qual a banda vem divulgando.
Setlist The Raven Age:
Betrayal of the Mind
Promised Land
Surrogate
The Day the World Stood Still
The Face that Launched a Thousand Ships
Fleur de Lis
Grave of the Fireflies
Seventh Heaven
Angel in Disgrace
Após o show do “filho do omi”, uma garoa chata começou a cair, mas foi tão “besta” que não chegou nem a molhar a roupa. E nesse chove e não molha, que as 20hs os donos da “porra toda” colocam no PA a introdução de “Transylvania” junto a imagens de seu jogo de celular com o mesmo nome da atual turnê, “Legacy Of The Beast”, nos telões nas laterais do palco. A melodia dessa faixa é tão cativante que todos presentes pulavam e “cantavam” os versos das guitarras instantaneamente numa sincronia perfeita. Um detalhe que me saltou aos olhos durante todo o show foi que, mesmo tendo a pista premium totalmente abarrotada de fãs, ninguém se espremia ou se empurrava, dando até um certo conforto para os que ali estavam. Não sei como estava no restante da pista normal, mas creio que, por algumas fotos vistas, deviam estar mais “apertados”. Pois bem, a introdução segui-se com “Doctor, Doctor”, do UFO, e creio que essa seja a música para os fãs a mais Iron Maiden e que não é do Iron Maiden de todas. Mesmo sendo tocada mecanicamente, todo mundo cantava e pulava como se a Donzela de Ferro estivesse ali executando-a. Uma dúvida minha fica no ar, por querer entender o motivo de não tocarem essa mesma música, mesmo que mecanicamente, mas na versão que o próprio Iron Maiden gravou em estúdio em 1995, ainda com Blaze Bayley nos vocais, e lançada primeiramente no single de “Lord Of The Flies”. Ao meu ver, mesmo que você não goste do vocal dele, seria uma forma de mostrar respeito a quem deu o sangue naqueles tempos “negros”, não acham?
Após esse “tempo todo” de introdução, eis que a maior e melhor abertura de show da face da Terra começa a rolar precedido pelo famoso discurso proferido por Winston Churchill em 1940:
“We shall go on to the end
We shall fight in france
We shall fightover the seas and oceans
We shall fight with growing confidence and growing strength in the air
We shall defend our island whatever the cost may be
We shall fight on beaches, we shall fight on the landing grounds
We shall fight in the fields and in the streets
We shall fight on the hills
We shall never surrender”
Sim, “Aces High”, com seu início ainda em som mecânico, até a parte do riff principal onde a banda entra rasgando e chutando tudo que tem a sua frente. O impacto que essa música causa nos fãs e em mim é algo indescritível. Pelo menos para mim sinto tanta emoção que SEMPRE me vem as lágrimas nessa hora. Na cabeça o show deslumbrante do “Live After Death”, muitas lembranças da adolescência, de outros shows, da fase que estive envolvido com o site Seventh Page, no embrião da internet no Brasil, amigos que se foram, outros que reencontrei, enfim, é uma adrenalina que se o corpo não está preparado para isso com certeza a pressão vai lá pra baixo.
Na pista premium, onde eu estava, como disse anteriormente, estava abarrotada, mas por incrível que pareça tranquila mesmo com o calor da apresentação, o que foi um ótimo ponto positivo durante todo o show. Será que mais da metade do pessoal ali está envelhecendo junto com a banda ao ponto de querer “curtir mais na boa”? Não sei, só sei que de todos shows que assisti da banda esse foi um dos mais prazerosos e que deu para prestar a atenção em todos os detalhes sem ter que ficar de “empurra-empurra” ou tomando da carteira para não cair do bolso.
O que falar do Spitfire (avião de caça britânico da Segunda Guerra Mundial) em tamanho real sobre a banda durante “Aces High”, só para aumentar ainda mais a emoção? Vendo pela televisão, no Rock In Rio, já foi algo impressionante, mas ao vivo e a poucos metros de distância é deslumbrante. Acertaram em cheio nisso, pois causa um impacto ainda maior no público. O tanto de celulares para cima filmando-o era algo assustador. A gritaria foi tão grande que mal ouvíamos os vocais de Bruce Dickinson! E olha que tanto o vocal quanto todos os outros instrumentos estavam absolutamente altos, equalizados e nítidos, principalmente a bateria de Nicko McBrain e do baixo do patrão Steve Harris. Meus caros, o som da bateria de Nicko chegava a tremer os órgãos de dentro do nosso corpo e as “estilingadas” de Steve os jogavam-os de um lado para o outro.
Nitidamente, com a “Legacy Of The Beast Tour”, a banda está mais focada na teatralidade, onde até mesmo o baixinho-gigante Bruce Dickinson encenou muitas partes durante todo o set. SE fantasiou de piloto de caça, empunhou espada lutando contra o Eddie, usou roupa de Conde Drácula e mago, máscara, atirou com uma falsa escopeta (contra o Eddie), usou um lança-chamas, lanterna, carregou uma cruz, simulou depressão e um quase suicídio por enforcamento e etc. Isso sem contar toda a parafernália de palco, explosões, fogo, decoração com lustres medievais, panos de fundo lindíssimos a cada música tocada, sendo alguns simulando belíssimos vitrais de catedrais antigas e o melhor de tudo, numa performance que, na minha opinião e sem querer soar bairrista ou coisa do tipo, foi melhor que o Rock In Rio, mesmo sendo executada na risca como o mesmo. Talvez por estar lá presente o fator “melhor” tenha ganhado mais força, quem sabe?
Bruce deixou um pouco o lado “doido” dele ao correr e pular pelo palco como fazia nas turnês passadas para dar mais espaço a encenação. Mesmo que pensemos na idade de 61 anos que o baixinho sustenta e tudo que passou nos últimos anos (como vencer um câncer na garganta e língua), nós sabemos que ele não é de ficar mais contido. Eu, particularmente, gostei muito desse formato mais “visual”, mas mesmo mais contido ele fez suas estripulias como, por exemplo, “enforcar” os guitarristas Dave Murray e Janick Gers com os cabos de suas guitarras de uma forma que até um roadie teve que entrar lá no meio da música para desenrola-los, num momento muito engraçado.
Outro ponto bastante comemorado por todos ali presentes foi o som da bateria em “Where Eagles Dare”! Meu Deus do céu, o que foi aquilo?? Aquela virada inicial já é linda por si só, mas com esse volume e equalização ao vivo eu nunca tinha presenciado! Por todos os lados eu ouvia o pessoal gritando “Puta que pariu!!!”. É, quem não foi perdeu!
Adrian Smith e Dave Murray! Como é bom ver esses cidadãos tocando com todas suas classes, técnicas, sabedorias, concentrações e presenças de palco, especialmente Adrian que é um verdadeiro “Sir” no palco e cada nota que saí de sua guitarra é um “colírio” para nossos ouvidos. Eles não são de ficar correndo feito loucos ou parecendo idiotas como o outro parceiro costuma fazer e pagar mico. Sim meus caros, eu não gosto de Janick Gers no palco, pois ele estraga os solos antigos com muita sujeira, notas jogadas a esmo e mais parece uma mistura de bailarina de quinta categoria com macaco de circo correndo atrás de uma banana. Como compositor sim, ele compõe muitíssimo bem e tenho algumas músicas de sua autoria como prediletas, mas no palco ele me irrita. Sinceramente, acho que ele está na banda somente pelo lado compositor, pois ao vivo não acrescenta nada, aliás coloca a mão onde não devia. Mais uma vez eu digo é minha opinião e costumo dizer que Janick é como miojo, está lá na prateleira sempre, vem tudo embolado e depois de solto continua embolado, não presta para nada pois não tem gosto e faz mal para saúde. O choro é livre (risos).
A energia e o vigor que todos passavam no palco era descomunal, mesmo com o peso da idade visível nos rotos de todos. Até mesmo Janick com suas papagaiadas, pois jovem ele também não é (risos).
Muitos destaques inesquecíveis devem ser citados como, por exemplo, o discurso de Bruce antes da execução brilhante de “The Clansman”, onde ele disse que o show do Rock In Rio foi eleito o melhor de todas as edições do festival, mas o show em São Paulo seria diferente, pois seria o melhor no Brasil, causando um alvoroço gigantesco. A luta de espadas de Bruce e Eddie em “The Trooper”, a execução magnífica de “Revelations”, com direito a solo de Adrian Smith no telão (o que não aconteceu no Rock I Rio, pois a filmagem não entendia bulhufas do que estava acontecendo e filmou outras coisas), “Flight Of Icarus”, uma das faixas mais esperadas com direito a Bruce usando um lança-chamas e um enorme Ícaro pendurado atrás da bateria que ao final de sua execução cai com as asas fechadas (coisa mais linda!), os celulares acesos por toda pista e arquibancada durante “Fear Of The Dark”, faixa essa que muita gente torce o nariz mas quando chega na hora do show canta igual um serelepe (risos), “Sign Of The Cross”, que definitivamente fica perfeita na voz de Bruce, e toda sua encenação de palco, o gigante Eddie em formato demoníaco atrás da bateria de Nicko durante a arrasa-quarteirão “Iron Maiden” e os muitos “Scream For Me São Paulo” que arrepiava todas as vezes quando vociferados por Bruce e o fechamento avassalador (não costumo usar essa palavra, mas aqui não tem outra a se encaixar) com “Hallowed Be thy Name” e “Run To The Hills” deixando-nos sem voz por dias!
Uma outra observação pessoal minha é que a ótima “The Wicker Man” ficou um pouco deslocada na posição que ficou, talvez se ela fosse colocada junto com outras faixas mais rápidas, ou trocasse de posição com “The Evil That Men Do” causaria outro impacto, pois é uma faixa muito impactante e não conheço ninguém que não se lembre dela no Rock In Rio de 2001, com Adrian entrando no palco e tocando aquele riff inicial (risos).
Show perfeito, cirurgicamente ensaiado, vibrante, músicos esbanjando saúde, vigor e alegria por estar ali tantos anos, setlist muito bem montado (até a faixa “For the Greater Good of God”, de “A Matter Of Life And Death” (2006), que eu achava que ficaria deslocada ali no meio de todos os clássicos, me surpreendeu)
Todo mundo fala em “idade pesa” ou “velhice”, mas eu afirmo que esses caras tem muita lenha para queimar ainda, pois o preparo físico e a energia de TODOS ali causam inveja branca total! Vitalidade pura! Duvida disso? Ok, então fique aqui com o outro discurso de Bruce e engula a sua língua (risos).
“Enquanto vocês estiverem aqui, nós voltaremos a tocar até cairmos mortos em cima do palco. Então até a próxima turnê e um novo álbum em breve.”
Setlist Iron Maiden:
Intro 1: Transylvania
Intro 2: Doctor, Doctor (UFO)
Aces High
Where Eagles Dare
2 Minutes to Midnight
The Clansman
The Trooper
Revelations
For the Greater Good of God
The Wicker Man
Sign of the Cross
Flight of Icarus
Fear of the Dark
The Number of the Beast
Iron Maiden
The Evil That Men Do
Hallowed Be Thy Name
Run to the Hills
































