
Jason Bieler – “Jason Bieler” (2017)
Independente
#Rock
Para fãs de: Saigon Kick, Mike Tramp, Mark Slaughter
Nota: 9,5
Jason Bieler é guitarrista e membro fundador do Saigon Kick — “love is on the way, I can see it in your eyes…” —; tocou no Talisman, compôs a trilha sonora de “American Pie – A Primeira Vez é Inesquecível” — aposto que a famosa cena da torta de maçã veio à mente —, abriu o próprio estúdio, criou o próprio selo, trabalhou com Jennifer Lopez e Justin Bieber… Obviamente, o cara não sabe o que é tirar férias há bastante tempo. Mas, mesmo atuando em um milhão de coisas — incluindo modelo de mão, cirurgião amador e diretor de frivolidades, segundo consta no site oficial —, Bieler encontrou tempo para realizar seu primeiro álbum solo.
“Jason Bieler” chegou às plataformas digitais no último dia 20 de outubro — ainda não há previsão de lançamento em formatos físicos —, meio que na surdina, super que de repente. Muito fã de Saigon Kick, que aguarda há 18 anos um sucessor para “Bastards”, certamente foi pego de surpresa (eu inclusive). Surpresa boa, surpresa ótima. O certame tem início em clima de good vibes com o mantra/estampa de camiseta “Keep Calm And Carry On”. De cara, dá pra notar que a voz de Jason sobreviveu ilesa às últimas duas décadas, e as harmonias vocais tão marca registrada do Saigon Kick permanecem impecáveis. Mais que um recurso, são um diferencial. O timbre cru e áspero da guitarra contrasta com o cristalino do conjunto. Parafraseando o Tayrone do Programa Eliana: “Interessante.”
Em seguida temos “Satellite”, som capaz de rivalizar em matéria de letra e música com o que o Saigon Kick produziu de melhor em sua época mais criativa. O refrão dessa balada de caráter messiânico se instala na mente e fica reproduzindo em loop a mensagem otimista de recomeço, sempre bem-vinda e muitíssimo necessária. Já “Disarmed & Disowned” não faria feio no repertório do saudoso Tom Petty, e “Violent World” dialoga com “Fields Of Rape”, canção que quase deu nome ao terceiro do Saigon Kick, “Water” (1993).
A segunda metade do álbum é tomada por uma variedade de gêneros: do upbeat pop de “Space Debris” ao country rock setentista de “Mighty Hammer”; da dilacerante e transcendente “Led By Voices” à longa e blueseira “Broken Bad”, na qual o braço da guitarra é explorado com perícia e um sem-fim de técnicas é aplicado. O ponto final tem som de piano e mais uma vez a letra sobressai: “True North” é lição total, e “Jason Bieler” desvanece tranquilo como um ancião que sucumbe em paz rodeado de entes queridos. Ouça este, um dos melhores discos de 2017, agora mesmo!
Marcelo Vieira





