Jaw Bones – “Wrongs On A Right Turn” (2017)
Independente
#Grunge, #StonerRock
Nota: 1,0
Segunda maior cidade da Grécia, Tessalônica é conhecida por ter sido palco do famoso massacre ocorrido em 388, onde 7 mil pessoas foram assassinadas a mando do imperador Teodósio I. Mal sabiam os romanos que passados bons séculos, um novo massacre tomaria forma por aquelas terras na forma de “Wrongs On A Right Turn”, estreia em disco do Jaw Bones, lançado no último dia 31 de maio. ‘Trocadalhos do carilho’ à parte, o CD desses gregos é um baita presente de grego.
O conjunto da obra é pior que abraçar a mãe de pau duro: um vocalista que tenta ser Tom Araya e Ian Astbury ao mesmo tempo em gritos contundentes que indicam desespero pessoal fajuto; guitarras que parecem repetir eternamente o mesmo riff em afinação baixa e incômoda tonalidade grave; baixo e bateria atirados para o segundo plano — por mais que o batera seja o destaque individual por aqui — e a impressão geral de colcha de retalhos alinhavada com desleixo, como se a costura estivesse sempre prestes a ceder.
Em “Fear”, momento mais medonho do álbum, a cantora Androniki Chaostar faz participação especial como uma feiticeira invocando alguma entidade maligna no meio da floresta. Já “Sugar Daddy” não seria completamente ruim se privada da quantidade bizarra de pausas inadequadas. Obviamente, faltou um produtor mais atento, mais antenado ao metal de hoje em dia, mais pé no chão nas escolhas. Faltou também um engenheiro de som que evitasse a impressão de que há um abismo entre a voz e o instrumental. O único acerto em matéria de estúdio foi a harmonia vocal em “Ego Tripper”, um lance meio Alice In Chains, batido, mas bem-vindo.
Por mais Dream Theater que seja a banda — não é o caso aqui, mas tudo bem —, é preciso se levar o fator carisma em conta. Rock quando é “do bom” conquista o ouvinte de primeira, tem ligação direta com a cabeça, com os pés e ativa o air-guitarist que existe em cada um de nós. O que a simplicidade tem de mais valoroso é alcançar o imprescindível com poucos recursos. É isso que torna um AC/DC tão bom. E a falta disso é mais uma das coisas que ajuda a estreia do Jaw Bones a ser tão ruim.
Marcelo Vieira





