Judas Priest – “Firepower” (2018)

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Judas Priest
 – “Firepower” (2018)

Epic Records
#HeavyMetal

Para fãs de: Iron MaidenSaxon

Nota: 10

E eis que o verdadeiro Judas Priest está de volta! Depois do meia bomba “Angel Of Retribution” (2004), do fraquíssimo “Nostradamus” (2008) e do bom “Reedemer of Souls” (2014), o grupo mostra que a idade parece não interferir em nada e nos apresenta seu melhor trabalho desde “Painkiller” (1990). Sim, estamos diante de um álbum que pode sim ser considerado um dos melhores da carreira da banda. Tudo, mas tudo nesse trabalho soa perfeito! As composições, a produção, a capa, tudo aqui tem aquele velho e legítimo espírito que só as verdadeiras bandas de Heavy Metal classudas podem nos proporcionar. E estamos falando de um dos pilares do estilo.

Muito provavelmente este seja o último disco lançado pelo grupo, e 44 anos após o lançamento do seu primeiro trabalho, o Judas Priest prova (mesmo que não precise), que ainda é uma das maiores bandas do estilo. “Firepower” é uma aula de HEAVY METAL!

Produzido por Andy Sneap, o álbum abre com a faixa título, um verdadeiro clássico instantâneo. Disponibilizada pela banda anteriormente, a faixa é uma verdadeira cartilha de como criar um clássico. A dupla Glenn Tipton e Richie Faulkner parece tocar junto há muito tempo, tamanha a sincronia e entrosamento mostrado aqui. O quase nunca lembrado Ian Hill consegue manter a mão pesada, deixando tudo mais agressivo, enquanto Scott Travis destrói seu kit e esmurra sem piedade. Rob Halford, o veterano vocalista, parece não sentir os efeitos da passagem do tempo pois está cantando uma barbaridade! Isso fica ainda mais nítido na faixa seguinte, a poderosa ” Lightning Strike”, uma música com aquela pegada “tipicamente Judas”, com destaque absoluto para as guitarras e na composição por trazer um certo resgate da sonoridade mais “old school” da banda, mas agregando todo o peso e “modernidade” (em relação a produção, que fique claro).

Na sequência, temos a melhor faixa de todo o álbum: “Evil Never Dies”! Que música meus amigos. Que música! Com uma levada mais cadenciada (que nos remete á clássica “Grinder”, presente em “British Steel” de 1980), a faixa tem tudo o que um fã do grupo e de Heavy Metal podem querer. Os riffs de Tipton e Faulkner são simplesmente fantásticos, além dos solos soberbos que acompanham a linha adotada na faixa. Halford canta de forma ainda mais agressiva em alguns momentos, enquanto a cozinha deixa tudo brutal e agressivo. Genial! “Never The Heroes”, também havia sido disponibilizada anteriormente pela banda e, perdoem minha repetição, é outro petardo fantástico! Halford é um show à parte, pois canta de forma bem variada, enquanto a banda mostra toda classe e categoria que só que tem experiência pode apresentar. E o refrão é daqueles para cerrar o punho e cantar junto nos shows…

A pesadíssima “Necromancer” vem na sequência, mostrando para muita bandinha que se acha “heavy” por aí o que é o verdadeiro metal. Assim como, também, “Children of the Sun”, uma faixa mais arrastada, mas com uma bela linha de guitarras. Como escrevi lá no começo, Tipton encontrou em Faulkner um parceiro digno de nota, incorporando de vez o espírito do Priest, o guitarrista que está na banda desde 2011, se mostra uma escolha acertada, digna e perfeita. “Guardians” é uma introdução (desnecessária a meu ver) para “Rising From Ruins”, uma faixa que nos remete à carreira solo do Metal God, principalmente pela melodia. “Flame Thrower” é outro belo exemplo de como o metal pode soar moderno sem ser chato, pois as guitarras adotam uma pegada mais atual, mas não esquecem da essência da banda, ou seja, temos a junção perfeita entre o ontem e o hoje. “Spectre”, mais cadenciada, tem em Ian Hil e Scott Travis seu destaque, pois a dupla senta a mão em bases sólidas e consistentes.

“Traitors Gate” é mais um momento pesado e agressivo, com destaque para Halford. Impressiona o fato do vocalista de 66 anos cantar de forma agressiva sem que isso lhe prejudique a performance. Ok, obviamente que estamos falando de estúdio, mas sejamos sinceros, tem muito vocalista por aí que nem estúdio consegue cantar dessa forma. “No Surrender” tem uma linha mais cadenciada, mas nem por isso menos empolgante. O refrão e a melodia grudam na cabeça de forma que no fim da faixa você se pega cantando a música sem perceber. “Lone Wolf” pesada e, também, arrastada me trouxe à mente o que Halford fez no Fight, mas com as guitarras típicas do Judas. “Sea of Red” fecha o álbum de forma perfeita. Uma “balada” linda no melhor estilo Priest!

“Firepower” vem para mostrar que o Judas Priest consegue ser relevante mesmo depois de tantos anos de carreira. Sinceramente, não sei o que o futuro reserva à banda devido aos últimos acontecimentos envolvendo a doença de Glenn Tipton (mal de Parkinson).

Provavelmente, esse disco seja o “canto do cisne” do grupo, mas que tenho a mais absoluta certeza é que esse é um daqueles trabalhos que quando você terminar de ouvir, a única frase que pode vir à cabeça é ” I’M MADE OF METAL”. E isso, para quem conhece e entende, significa muita coisa! Para encerrar, posso dizer, também com convicção, que a vaga de segundo melhor álbum de 2018 ainda está em aberto, pois a primeira já tem dono!

Sergiomar Menezes

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