Jupiter Hollow – “Odyssey” (2017)
Independente
#ProgRock, #ProgMetal
Nota: 8,5
Confesso que me surpreendi com a qualidade deste EP de estréia do duo canadense Jupiter Hollow, que vai além da simples referência ao passado da música progressiva, promovendo um diálogo direto dos classicismos setentistas com a engenhosa construção moderna.
Fugindo do inchaço técnico que muitas vezes assola o gênero, os músicos Grant MacKenzie (guitarra, baixo e teclados) e Kenny Parry (vocais, bateria, e teclados) consegue fugir dos elásticos movimentos auto-indulgentes em cinco composições curtas (para o padrão progressivo), de arranjos intrincados, pesados e dinâmicos, mas bem contextualizado às diversas formas dentro da estética musical progressiva, remetendo a nomes como Tool, Rush (principalmente nos vocais de Kenny), A Perfect Circle, Pink Floyd, e TesseracT.
Enquanto “Deep In Space” abre o trabalho dando movimentos modernos ao molde setentista, “Ascending” e “Hades Heart” cativam com suas melodias, abrindo espaço para as peças mais ousadas do repertório: “Over 50 Years” (com dissonantes, matemáticos e agressivos flertes com o Metal Extremo) e a caleidoscópica faixa-título.
Os poucos aspectos negativos, no geral, são relativos a impetuosidade consequente da inexperiência, principalmente nas transições dos arranjos e andamentos, que estão truncadas e bruscas.
Acredito que o duo poderia investir um pouco mais nas linhas melódicas e climáticas, até mesmo como pausa para assimilar tudo o que está ocorrendo, pois fica a impressão de admirar uma paisagem belíssima enquanto se movimenta numa vertiginosa montanha-russa. Talvez a mão de um produtor (o EP é produzido pelos próprios músicos) mais experiente possa ajudar muito neste sentido.
No geral, este material cumpre o papel de cartão de visitas, deixando-nos curiosos para o que virá em seu prometido primeiro full lenght, que já tem até título: “AHDOMN”.
Marcelo Lopes Vieira





