
Kardinal Sin – “Victorious” (2017)
Bengans Skivbutik
#PowerMetal, #HeavyMetal
Para fãs de: Brother Firetribe, Altaria
Nota: 3,0
Um argumento para os que dizem que o power metal morreu: A ingenuidade é um pecado até para quem não tem pretensão alguma de revolucionar. “Victorious”, primeira álbum dos suecos do “Kardinal Sin”, carrega uma clara premissa nostálgica em seu DNA. Porém, não se pode confundir homenagem ao passado com “chover no molhado” e transformar o que seria uma ode aos anos oitenta com pinceladas de power metal em quase uma hora de uma zona de conforto quase ingênua de difícil digestão.
As 12 faixas nos levam por uma estrada tranquila, sem altos nem baixos e sem muitas emoções, trazendo um marasmo que não desperta muitos sentimentos. No começo de tudo, vem a música “Patria”, trazendo uma linha melódica Hammerfall ou Sabaton. Porém, a limitação do vocalista Danne Wikerman impede que a música ganhe em qualidade. Ele não incorpora nenhum arquétipo do gênero, não se identificando com os agudos, rasgados ou timbres límpidos dos grandes mestres do power metal.
A mixagem leve é um sintoma dessa aversão ao moderno, o que por si só não é uma coisa ruim quando bem explorada. O grande mérito de Victorious foi nadar contra os bumbos duplos e guitarras de sete cordas que imperam nas bandas de power modernas, mas apenas negar o status quo sem apontar para uma direção com convicção não leva ninguém a lugar nenhum.
“Walls of Stone” segue a linha de timbres de teclado anos 80 embora somente na homônima “Victorious” que o tecladista Thomas Geson Gustafsson ganhe mais destaque. É nessa faixa também que o primeiro pedal duplo do disco aparece e até um solo de Thomas com timbre de lead surge. Esses vislumbres de ousadia dão a falsa esperança de que a banda vai entregar algo a mais, mas não é bem o que acontece.
“Secrets of the Pantomine” tem um dos versos mais inspirados do álbum e a voz de Danne sobressai com um timbre mais encorpado. Os instrumentos acompanham com um arranjo bem bonito e a banda ganha pontos pela coletividade. “Raven Quote” traz outra benvinda reviravolta (ainda que pequena) ao começar com o som de um violino triste que vai se transformando de novo naquela vibe-padrão que insiste em voltar ao primeiro plano.
A melhor música do disco vem em seguida: “Attack”. A introdução vem com um som de órgão bem criativo e a guitarra de Jocke Vähätalo ganha peso principalmente durante o verso. Jocke ainda guardava para essa música um bonito solo gostoso de se ouvir. Em seguida, “Bells of Notre Dame” começa com o som de sinos (obviamente) e um coral que parece vindo dos campos de Hylure (quem já jogou Zelda sabe). A maior música do disco com quase 7 minutos traz uma sacada interessante, com Danne imitando o sotaque francês e uma passagem no melhor estilo minueto dançante.
A única balada do disco é a bônus chamada “For The Heroes”. Chega a ser uma triste piada o fato de um disco tão uniforme deixar justamente o que poderia ser um ponto fora da curva para o final, contribuindo para o clima sem surpresas durante toda a gravação.
“Victorious” é um bom argumento para ser usado por quem defende que o power metal morreu: não consegue se encontrar musicalmente; tenta fazer uma homenagem aos anos 80, mas se perde em caricaturas e não traz os elementos que todo mundo ama no estilo: velocidade, duelos de instrumentos ou letras e passagens épicas. Um som ingênuo que não fede e nem cheira com poucos momentos inspirados que realmente prendam a atenção.
Gustavo Maiato





