Katatonia – “Nightmares as Extensions of the Waking State” (2025)
Napalm Records
#ProgMetal
Para fãs de: Opeth, Paradise Lost, October Tide
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 8,0
Dois anos após o interessante Sky Void of Stars (2023), os suecos do Katatonia lançaram sua mais nova obra, Nightmares as Extensions of the Waking State (2025), via Napalm Records, seu décimo terceiro disco de estúdio. O álbum é o primeiro lançamento da banda após o fim da parceria entre Jonas Renkse e Anders Nyström, que estavam juntos há décadas, desde o início até o começo deste ano.
Uma das bandas mais aclamadas da atualidade, o Katatonia foi formado em 1991 por Jonas Renkse (vocal) e Anders Nyström (guitarra). Passeando pelo Death/Doom de época nos discos Dance of December Souls (1993) e Brave Murder Day (1996), até a virada de chave em sua musicalidade no Discouraged Ones (1998), eles se tornaram uma banda muito única dentro do Metal, com sua música profundamente melancólica e cativante.
Viu seu período mais prolífico a partir do quinto álbum, Last Fair Deal Gone Down (2001), que consolidou uma formação estável com os irmãos Fredrik e Mattias Norrman (guitarra e baixo, respectivamente) e o baterista Daniel Liljekvist, perdurando até o excelente Dead End Kings (2012). Após seu último disco, Sky Void of Stars (2023), que já dava claros sinais de que a música do Katatonia seguiria por um outro caminho, veio a notícia que os fãs mais desejavam que não acontecesse: Anders, que já não se apresentava com a banda há algum tempo, optou por se desligar, alegando descontentamento com a mudança musical. Com isso, a expectativa para o novo disco gerou um misto de curiosidade e desconfiança, tanto pelo rumo que as coisas já vinham tomando quanto pelo fato de que um de seus pilares não faria mais parte disso.
“Thrice”, que abre o disco, já mostra que o que estaria por vir não era o que vinha acontecendo nos últimos anos, chamando a atenção com camadas progressivas mais complexas, além de riffs mais pesados — algo que era uma ausência muito sentida nos dois últimos discos da banda — soando um pouco até como o Opeth, o que por si só já é um elogio e tanto. “The Liquid Eye” já traz um pouco da vibe do que foi apresentado no último disco, Sky Void of Stars, mas, ainda assim, um tanto esquecível. “Wind of no Change”, ao contrário do que o nome sugere, realmente acabou sendo um vento de mudança no som da banda. A voz inconfundível de Jonas soa como um deleite durante a música, aliada a coros e boas doses de peso, sendo um dos pontos altos do disco.
“Lilac”, primeiro single do álbum e que mostrou as caras do “novo Katatonia”, traz um sentimento da época do The Great Cold Distance (2006), sendo provavelmente a melhor música de todo o álbum, justificando ter sido apresentada logo de cara ao público. Essa sensação boa segue na faixa seguinte, “Temporal”, outro momento recheado de progressões soturnas e com um ótimo e intenso solo de guitarra.
“Departure Trails”, momento mais melancólico do disco, é muito boa, com uma construção técnica impecável e, mesmo assim, totalmente acessível. Isso acaba sendo contrastado pela faixa seguinte, “Warden”, que também é outro momento esquecível, soando um tanto como “The Liquid Eye”, ou seja, flertando com o que a banda já vinha fazendo. “The Light Which I Bleed” coloca as coisas nos trilhos novamente, em uma faixa mais diferenciada, com cadências mais variadas e interessantes. “Efter Solen” é um desperdício, soando totalmente deslocada no disco, em um momento praticamente solo de Jonas. Os efeitos eletrônicos na faixa a deixam meio fora de contexto com a obra, em uma pegada muito darkwave, que talvez fizesse sentido se Jonas a usasse em um disco solo, mas aqui, pensando como Katatonia, ficou estranha.
Finalizando, “In The Event Of” também traz aquele Katatonia do meio dos anos 2000, e talvez tenha sido um pouco injusto ser a última música, pois ela é realmente muito boa, tendo que passar por alguns momentos menos intensos até chegar nela.
Nightmares as Extensions of the Waking State tem um gosto meio agridoce. Sua primeira metade é realmente excelente, trazendo de volta todo um som que fez falta por muitos anos, sem abrir mão totalmente do que foi desenvolvido no mesmo período. Mesmo assim, algumas músicas realmente deixaram a desejar, talvez por conta da expectativa criada, e ver que o que é bom é realmente muito bom, e o que não é, não precisava estar ali.
Ainda assim, é preciso dizer: há vida no Katatonia sem Anders. Esse disco, só levando em consideração os pontos altos, é o melhor desde The Fall of Hearts, e até mesmo superando este em alguns momentos, o que o faz esbarrar na fase áurea vivida até o Dead End Kings.





