Kiko Shred – “Royal Art” (2019)

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Kiko Shred  “Royal Art” (2019)
Heavy Metal Rock
#HeavyMetal#HardRock

Para fãs de: Axel Rudi PellYngwie MalmsteenKiko Loureiro

Nota: 9,5

As vezes, nós brasileiros temos a tal “síndrome de vira-lata”, onde achamos que tudo que vem de foram é bom, é importante ou, falando o bom e claro português, É FODA. Com tudo isso, deixamos uma incrível cena morrer (não, a culpa dos shows vazios não é só do público) por deixarmos de olhar um pouco para nosso lado.

Lançando o seu terceiro álbum, “Royal Art”, o talentoso guitarrista Kiko Shred aparentemente resolveu mostrar para os leigos no instrumento como é “fácil” tocar guitarra e como as músicas instrumentais presentes no álbum podem muito bem se tornar prediletas de muitas pessoas, mesmo que não tenham letras ou um “louco” berrando ao microfone para passar alguma mensagem. E você, caro leitor, sabe o porquê? Tudo isso por causa do ‘feeling’ que um dos nossos maiores e promissores guitar heroes coloca em suas mãos, seja com os solos muitos bem construídos, cheios de emoção e sem querer aparecer colocando milhões de notas por segundos. Os licks grudentos e um talento sobrenatural para riffs que te levarão aos melhores momentos dos anos 80, onde tínhamos pessoas que comandavam as 6 cordas com maestria, passando ao público a vontade de pegar um instrumento e montar uma banda de Heavy Metal.

Mesmo que você ache legal ter toda a teoria nas pontas dos dedos, que estude 8 horas por dia, o que você precisa de verdade é expor suas ideias, precisa sair da jaula e muitas das vezes a melhor forma é ter alguém interpretando suas criações musicais. Pois bem, em “Royal Art” temos um disco metade instrumental e metade com dois dos melhores vocalistas dentro do estio que amamos e esse detalhe acaba fazendo toda a diferença, ficando de lado aquela coisa que o som foi feito de músico para músico, que pode soar preconceituoso, mas acaba rolando em álbuns com sua totalidade instrumental.

Primeiramente, falar do americano, Michael Vescera, no Brasil, é voltar no tempo e lembrar do disco II, um dos melhores álbuns da banda Dr. Sin. A música em que o músico coloca seu dom ,“Straight Ahead”, poderia estar presente em algum trabalho dos irmãos Busic. Bem pesada, cadenciada e com linhas vocais “simples”. porém de muito bom gosto.

As outras 4 músicas que contam com alguém dirigindo o microfone são “I Will Cast No More (Pearls Before The Swine) “, “Alchemy’s Fire”, “Over The Edge” e “Mortal”, com a presença de um dos principais vocalistas do Brasil, Mario Pastore. Falar do Pastore é chover no molhado. Você pode ama-lo ou odiá-lo, mas independente do lado que você esteja na conversa, poucas vezes vai conseguir critica-lo por sua performance ou algum exagero musical. Mesmo passando dos 50 anos de idade, ele continua esbanjando técnica, potência e ainda me arrisco a dizer que com o Kiko Shred e trabalhando com os grandes músicos/produtores Andria e Ivan Busic, Mário Pastore teve uma das suas melhores performances de sua carreira. Bom, o mocinho do filme e o centro das atenções aqui é outro.

Antes de terminar esta resenha, seria injusto não citar os nomes de Lucas Tagliari Miranda (Bateria) e Will Costa (Baixo), que fizeram uma cozinha competente e com bastante ‘punch’, em destaque nas faixas “Merlin’s Magic” e “Cagliostro”, onde a dupla brilha intensamente.

“Royal Art”, é um álbum surpreendente, podendo muito bem colocar em cheque o lado projeto de um guitarrista acima da média e virar uma super-banda, com uma possibilidade real de figurar entre as principais do pais.

Ah, sabe aquela coisa de ouvir as músicas e querer tocar um instrumento? Vou ali tirar o pó do meu violão e guardar dinheiro para comprar uma guitarra. Compre o álbum!

William Ivan Kotzo Ribas

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