Killer Be Killed – “Killer Be Killed” (2014) (Relançamento 2025)

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Killer Be Killed – “Killer Be Killed” (2014) (Relançamento 2025)

Nuclear Blast | Shinigami Records
#AlternativeMetal #GrooveMetal #ThrashMetal #Hardcore

Para fãs de: Sepultura, Mastodon, Lamb Of God, Cavalera Conspiracy

Texto por Johnny Z.

Nota: 9,0

Quando músicos consagrados de diferentes cenas se reúnem para lançar um disco, a desconfiança costuma vir antes da empolgação. Projetos de supergrupos frequentemente soam como experimentos temporários, sem grande consistência. Mas não é o caso aqui. O Killer Be Killed — união de Max Cavalera (Sepultura, Soulfly), Greg Puciato (The Dillinger Escape Plan), Troy Sanders (Mastodon) e Dave Elitch (The Mars Volta) — conseguiu algo raro: criar uma identidade própria já no primeiro álbum, lançado em maio de 2014 pela Nuclear Blast e relançado no Brasil pela Shinigami Records agora em 2025.

O disco autointitulado traz 11 faixas que transitam com naturalidade entre groove metal, thrash moderno, hardcore e nuances de metal alternativo. Já na abertura com “Wings of Feather and Wax”, a força da proposta fica evidente: riffs de peso cavalar, refrão memorável e a alternância vocal entre Puciato, Sanders e Cavalera, que juntos criam uma dinâmica instigante e imprevisível. É uma combinação perfeita, um som que transborda energia do começo ao fim.

Outro ponto que impressiona é o equilíbrio entre agressividade e melodia. Faixas como “Face Down” e “Snakes of Jehova” evocam o lado mais brutal do Soulfly, enquanto “Melting of My Marrow” e “Dust Into Darkness” revelam uma faceta mais atmosférica e trabalhada. As músicas são energéticas, tocadas com paixão e convicção, com composições inteligentes, entrega coesa e uma produção poderosa que valoriza cada detalhe.

O trabalho de Dave Elitch na bateria merece atenção especial, pois funciona como o elo que costura os diferentes universos de seus colegas. Sua versatilidade e seus grooves precisos mantêm os riffs coesos, não importa de qual direção eles partem. Essa coesão também se reflete na produção cristalina de Josh Wilbur (Lamb of God, Gojira), que valoriza tanto os momentos mais explosivos quanto as passagens quase etéreas, como no encerramento surpreendente de “Forbidden Fire”, com sua introdução calma e flutuante que se transforma num final épico.

Outro ponto alto são as letras, que alternam críticas sociais, reflexões pessoais e raiva incontida — um reflexo da mistura de backgrounds e personalidades dos integrantes. É quase como se esse grupo estivesse junto há anos, tamanha a naturalidade das composições. Nada aqui soa repetitivo ou previsível, e há uma sensação de liberdade criativa que dá identidade ao álbum.

Esse álbum me conquistou por sua autenticidade e energia, além de seu peso, claro, pois as partes dos riffs me representam! Poucas reuniões de nomes grandes soam tão verdadeiras e afiadas. A fusão entre thrash, groove e melodias envolventes acontece sem esforço e demonstra uma química rara.

Se há algo que o debut do Killer Be Killed comprova, é que somar talentos não significa, necessariamente, diluir identidade. Ao contrário, aqui, a união dos músicos rendeu um trabalho contemporâneo, visceral e carregado de personalidade — daqueles que envelhecem bem e revelam detalhes novos a cada audição.

Lembram do projeto Nailbomb, de 1994, que veio como um soco na cara dos fãs? Então, esse projeto de Max aqui também veio com a mesma intensidade!

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