Killing of a Sacred Deer – “Encephalic Angels” (2026)

Killing of a Sacred Deer
Compartilhe

Killing of a Sacred Deer – “Encephalic Angels” (2026)

Wax Vessel Records
#Deathcore #Hardcore #BrutalDeathMetal

Para fãs de: Suicide Silence, Psycho-Frame e Bodysnatcher

Texto por: Lucas David

Nota: 10

O Deathcore vive uma ótima fase, impulsionado pelo ressurgimento de bandas que apostam tanto na sonoridade clássica quanto em elementos que ampliam a brutalidade e a técnica do estilo. Entretanto, como acontece com qualquer gênero em alta, o cenário rapidamente se viu inundado por material medíocre. Muitas bandas parecem interessadas apenas em lucrar com o sucesso de grupos que realmente entregam música de qualidade e com alma. Não é a primeira vez que abordo esse problema, mas, infelizmente, ele se torna cada vez mais frequente.

Felizmente, ainda existem bandas que mantêm essa chama acesa. São grupos que respeitam a história do gênero e entregam trabalhos capazes de impressionar tanto os olhos quanto os ouvidos. Esse é justamente o caso do Killing of a Sacred Deer.

A banda conta com Colter Cuthbertson, vocalista do Psycho-Frame, e já lançou dois álbuns com propostas distintas. O primeiro, autointitulado, chegou em 2024 e apostou em uma abordagem mais próxima do Hardcore. Já A Visage of a Mangled Body (2025) acrescentou boas doses de Metal à mistura.

Agora, com Encephalic Angels, o grupo segue por outro caminho. As batidas estão mais explosivas, enquanto os riffs ganharam ainda mais potência. Ao mesmo tempo, a banda combina elementos dos trabalhos anteriores e amplia a complexidade técnica das composições. O resultado é um som insano, violento e repleto de detalhes.

Logo de cara, Encephalic Angels entrega violência pura ao longo de seus 23 minutos. Não há espaço para descanso. “A Congealed Miasma” explode nos alto-falantes com riffs velozes, batidas ensurdecedoras e vocais poderosos. Cuthbertson alterna entre interpretações mais diretas e ataques rasgados, aumentando a intensidade da faixa. Além disso, o groove convida à prática do headbanging enquanto castiga os ouvidos mais sensíveis.

Na sequência, “Of Melded Flesh” acelera ainda mais o massacre. As constantes mudanças de andamento parecem capazes de quebrar a coluna de qualquer um. A bateria ganha destaque com batidas extremamente punitivas, blast beats estrondosos e viradas marcantes. Para completar, Nick Chance (Beautiful Child of God) participa da faixa e contracena com Cuthbertson. Juntos, os dois entregam vocais maníacos que elevam a agressividade da composição.

Por outro lado, “Cerebral Data Extraction” explora mais diretamente a influência do Hardcore. O ritmo two-step é viciante, enquanto os vocais rasgados parecem penetrar na pele. Entretanto, a banda não abandona a brutalidade característica do trabalho. Pelo contrário, os breakdowns rápidos complementam o caos sonoro com precisão e impedem que a poeira baixe.

Já “Cognitive Reconfiguration Procedure” apresenta uma abordagem mais cadenciada. A mudança reduz um pouco o ritmo frenético e caótico das faixas anteriores. Ainda assim, o peso extremo permanece intacto, mostrando que o grupo não depende apenas da velocidade para causar impacto.

Por fim, a faixa-título resume perfeitamente tudo o que o álbum oferece. Repleta de riffs, bass drops insanos, elementos eletrônicos, bateria estrondosa e vocais igualmente poderosos, a composição reúne as principais características do disco. Além disso, a participação de Kellan King (Fromjoy) acrescenta outro elemento de destaque à música.

Com isso, “Encephalic Angels” se transforma em uma verdadeira joia dentro de um repertório já impressionante. A faixa sintetiza a proposta do álbum sem perder a força individual, funcionando como um encerramento marcante para essa sequência de ataques sonoros.

Com seu terceiro trabalho, o Killing of a Sacred Deer prova que não é apenas um compilado de sobras do Psycho-Frame. Pelo contrário, a banda demonstra ter identidade sonora própria e acrescenta uma nova conquista à trajetória de Cuthbertson.

Enfim, Encephalic Angels surpreende pela potência musical e pela maneira como combina brutalidade, técnica e influências distintas. Enquanto muitos grupos parecem apostar apenas no hype, o Killing of a Sacred Deer entrega um trabalho consistente, intenso e cheio de personalidade. Assim, o álbum eleva o nível do Deathcore e reafirma que ainda há espaço para inovação e autenticidade dentro do gênero.

Compartilhe
Assuntos

Veja também