Shakra – “Just Live Loud!” (2026)
Frontiers Music | Shinigami Records
#HardRock #HeavyMetal #HardNHeavy
Para fãs de: Tesla, Gotthard, Steel Panther, Mötley Crüe
Texto por: Caio Siqueira Iocohama
Nota: 8,0
Com mais de 30 anos de estrada, o Shakra continua firme em sua trajetória no Hard Rock. Em Just Live Loud!, décimo quarto álbum de estúdio da banda suíça e primeiro pela Frontiers Music, a fórmula permanece bastante conhecida. Afinal, não faltam bons riffs, refrões melódicos e passagens que se aproximam do Heavy Metal tradicional. Embora não tente reinventar o gênero, o grupo mostra que ainda sabe compor músicas cativantes.
“Let The Show Begin” abre o álbum muito bem, com um Hard Rock direto, um riff interessante e um refrão que gruda logo na primeira audição. Por isso, é uma ótima escolha para iniciar o disco. Na sequência, “Wasteland Warriors” chega com um riff mais pesado, bem próximo do Heavy Metal tradicional. Ao mesmo tempo, alguns trechos remetem ao Tesla. Essa combinação de peso e melodia funciona muito bem e faz da música outro destaque.
A faixa-título, “Just Live Loud!”, aposta em um riff simples, mas consideravelmente pesado. Em alguns momentos, a composição lembra o estilo do Steel Panther, porém sem os exageros e o humor escrachado da banda norte-americana. Já “Left Outside Alone” segue por um caminho mais melódico e conta com a participação de Seraina Telli. O dueto funciona muito bem, principalmente porque a voz da cantora combina com a de Mark Fox.
Em seguida, “Demon Of The Night” coloca novamente o peso em primeiro plano. A música começa com outro riff forte e apresenta um refrão excelente. Para mim, é um dos melhores momentos do álbum. Logo depois, “Legends Never Die” segue por um caminho mais próximo de uma balada. Infelizmente, a composição perde força em comparação com as anteriores e acaba interrompendo um pouco o ritmo que o disco vinha construindo.
Felizmente, “Lost Generation” recupera a intensidade logo no riff inicial. A música funciona muito bem, sobretudo pela combinação entre a guitarra pesada e o refrão marcante. Na sequência, “When We Were Young” apresenta uma pegada que lembra o Mötley Crüe, especialmente no riff de abertura. Mais uma vez, o Shakra acerta ao apostar em uma composição que mantém viva aquela sonoridade característica do Hard Rock dos anos 1980.
Por outro lado, “Another Day In The Universe” apresenta guitarras mais próximas do Hard Rock tradicional. A batida animada e o clima descontraído tornam a faixa uma boa variação dentro do repertório. Já “New Tattoo” parece buscar inspiração diretamente no AC/DC. O riff inicial remete imediatamente ao estilo dos australianos, enquanto a bateria acompanha essa mesma linha. Embora a referência seja evidente desde os primeiros segundos, a música funciona bem dentro da proposta do álbum.
Na reta final, surge “High Above The Storm”, mais uma balada. Curiosamente, o Shakra já havia encerrado Mad World (2020) com “New Tomorrow”, uma música que também seguia por um caminho diferente do restante do álbum. Dessa vez, porém, a balada aparece como penúltima faixa e destoa bastante das boas composições anteriores. Afinal, algumas bandas parecem fazer questão de incluir uma balada em todo disco, mesmo quando as guitarras pesadas funcionam muito melhor.
Felizmente, o Shakra não repete essa escolha no encerramento. “Screaming Silence” fecha o álbum com um riff pesado e quase oito minutos de duração. Além disso, mantém a intensidade durante toda a execução, sem abandonar a força das guitarras. É uma decisão muito mais interessante para concluir o trabalho e recuperar a energia interrompida pela faixa anterior.
Just Live Loud! não pretende reinventar o Hard Rock, e nem precisa. O Shakra continua mostrando sua força quando aposta em riffs marcantes, refrões cativantes e na mistura de peso e melodia que se tornou sua assinatura.
Embora as baladas sejam os momentos menos interessantes do repertório, elas não comprometem o resultado geral. Pelo contrário, as boas composições sustentam um álbum que entrega qualidade e personalidade. Depois de três décadas de carreira, o Shakra continua fazendo Hard Rock de respeito, sem perder sua identidade.





