Knotfest Brasil 2024 – Allianz Parque, São Paulo/SP (19/10/2024)
Produção: 30E – Thirty Entertainment
Assessoria: Trovoa Comunicação
Texto por Lucas David
Fotos por Flashbang Co. (@flashbang) e 30e (@30ebr)
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Mais um grande festival aconteceu no Brasil, e o Metal Na Lata esteve presente fazendo a cobertura dessas datas que prometeram ser históricas para a música pesada. Com dois dias de apresentações, a segunda edição do Knotfest Brasil trouxe bandas de diversos gêneros, agradando tanto a velha quanto a nova geração de headbangers presentes no Allianz Parque no último final de semana.
Com bandas vindo pela primeira vez ao país, como Orbit Culture, Mudvayne e Babymetal, além de velhas conhecidas como Amon Amarth, Meshuggah e os monstros do metal nacional Korzus, Black Pantera, Ratos de Porão e Krisiun, o festival reuniu uma legião de fãs. Além desses nomes, os presentes puderam ver o baterista Eloy Casagrande fazendo sua estreia com o Slipknot no Brasil, em duas apresentações diferentes, uma em cada dia.
Mais do que uma noite especial para a banda, que está em turnê comemorando seus 25 anos de carreira, os nove de Iowa puderam sentir o calor e a paixão dos brasileiros pela banda e por seu novo integrante, que certamente está representando todos com maestria no palco.
LOCAL E PRODUÇÃO:
O local escolhido para esta edição mostrou-se melhor em alguns aspectos, principalmente na questão da localização dos palcos, que estavam um ao lado do outro. Diferente do ano passado, quando os palcos estavam distantes, dificultando a locomoção para assistir aos diferentes shows. Com essa proximidade, tanto no Maggot Stage quanto no Knotstage (palco principal), o tempo de espera entre uma apresentação e outra foi bem reduzido, com a maioria delas obedecendo os horários previamente anunciados pela produção.
Outro ponto positivo é que, por se tratar de um estádio, o público pôde optar entre a pista ou as cadeiras, o que ofereceu mais conforto para aqueles que não estavam dispostos a passar várias horas em pé.
A estrutura estava muito bem montada, porém, havia enormes filas nos banheiros, bares e área de merchandising. Quem decidisse ir a algum desses lugares no intervalo entre shows corria o risco de perder o início ou parte da próxima apresentação. O som e a iluminação apresentaram alguns problemas, como será comentado mais adiante na resenha, mas na maior parte do tempo foram muito bons.
Agora, vamos ao que interessa: os shows!
ESKRÖTA:
Abrindo o festival, o visceral Thrash/Hardcore do Eskröta — formado por Yasmin Amaral (vocal e guitarra), Tamyris Leopoldo (vocal e baixo) e Jhon França (bateria) — dominou o Maggot Stage, mesmo com a chuva forte durante a apresentação. As músicas, cantadas em português, ajudaram na interação com o público, que acompanhou todas as faixas, especialmente “Cena Tóxica”, com seu refrão marcante.
“Massacre” contou com um excelente solo de guitarra, enquanto “Mosh Feminista” agitou ainda mais o público, com a banda convidando as mulheres a formarem o primeiro mosh pit. A faixa ainda contou com a participação especial do grupo The Mönic, que subiu ao palco para cantar junto. Foi uma ótima maneira de aquecer a galera para o dia que estava apenas começando.
Setlist:
Grita
Eticamente Questionável
Cena Tóxica
Playbosta
Não Entre em Pânico
Exorcist in The Pit
Filha do Satanás
Massacre
Mosh Feminista (com participação de The Mönic)
Mulheres




ORBIT CULTURE:
Trazendo o peso do Death Metal Melódico com toques de Industrial para o Knotstage, os suíços do Orbit Culture, formado por Niklas Karlsson (vocal, guitarra), Richard Hansson (guitarra), Fredrik Lennartsson (baixo) e Christopher Wallerstedt (bateria), começaram sua apresentação com tudo, ganhando a atenção dos presentes logo de cara.
Com “Strangler” o público já estava pulando, batendo cabeça e fazendo as primeiras rodas. “North Star of Nija” conquistou de vez as pessoas, contando com um solo incrível e o encerramento com as clássicas “While We Serve” e “Vultures of North”, que conta com um ataque de pedal duplo insano, não deixou dúvidas de que essa era uma das bandas mais esperadas do festival, e fez jus a essa expectativa, tendo cravado seu nome nas atrações que devem voltar ao país para mais shows.
Setlist:
Descent
Strangler
North Star of Nija
The Shadowing
Carvings
A Sailor’s Tale
From The Inside
Saw
While We Serve
Vultures of North




KRYOUR:
O grupo, formado por Gustavo Iandoli (vocal e guitarra), Wesley Peira (guitarra), Gustavo Muniz (baixo) e Matheus Carrilho (bateria), trouxe muito peso, técnica e melodias ao palco. Mesmo com alguns problemas no som, conseguiram manter a atenção total do público.
Com bastante interação entre a banda e o público, faixas como “Why Should I Know?” e “Anxiety” foram muito bem executadas, com todos os integrantes mostrando pleno domínio de seus instrumentos. “Timeless” trouxe uma dose extra de peso, enquanto “When We Got to Go” encerrou o set curto, mas cativante, fazendo deste um show memorável.
Setlist:
Why Should I Know?
Anxiety
Chrysalism
Restless Silence
Colorful
When We Got to Go




DRAGONFORCE:
Com um som bem diferente dos demais e carregado de bom humor, o Dragonforce — formado por Marc Hudson (vocal), Herman Li, Sam Totman e Billy Wilkins (guitarras), Alicia Vigil (baixo) e Gee Anzalone (bateria) — abriu o show com “Cry Thunder”, que já animou o público. “Fury of The Storm” veio mais acelerada, com a famosa dupla de guitarras entregando solos e riffs incríveis, recebendo uma grande reação positiva da plateia.
“Power of The Triforce”, do novo álbum Warp Speed Warriors (2024), foi uma homenagem aos jogos da série The Legend of Zelda, com o telão exibindo cenas dos jogos e até galinhas correndo (sim, isso mesmo que você leu) enquanto a banda tocava. “Doomsday Party”, também do novo disco, teve um ritmo mais dançante, com Hudson convidando todos a fazerem seus piores passos de dança.
A banda ainda surpreendeu com dois covers: o primeiro foi “My Heart Will Go On”, de Celine Dion, seguido por “Wildest Dreams”, de Taylor Swift, enquanto o telão exibia imagens da cantora pop e até algumas do guitarrista Herman Li vestido de empregada.
Claro que o encerramento veio com “Through The Fire and Flames”, emocionando muitos dos presentes, inclusive quem escreve, trazendo lembranças do jogo Guitar Hero, onde a música é destaque. O bom humor, aliado à técnica impressionante de todos os membros da banda, fez deste um dos melhores shows do festival.
Setlist:
Cry Thunder
Fury of The Storm
Power of The Triforce
Soldiers of The Wasteland
Doomsday Party
My Heart Will Go On
Wildest Dreams
Through The Fire and Flames




EMINENCE:
Com um dos shows mais pesados do dia, o Eminence — formado por Bruno Paraguay (vocal), Alan Wallace (guitarra), Davidson Mainart (baixo) e Alexandre Oliveira (bateria) — enfrentou alguns problemas de som, que em certos momentos deixaram os vocais de Bruno um pouco encobertos pelos instrumentos. Mesmo assim, o vocalista demonstrou uma potência incrível ao longo da apresentação.
“Dark Echoes” foi executada de forma impecável, com a banda conseguindo traduzir no palco tudo o que fazem no estúdio. “Unfold” destacou a versatilidade vocal de Bruno, alternando entre guturais, vocais limpos e até alguns “pig squeals”. O set foi encerrado com “Day 7”, uma faixa rápida, pesada e técnica. Definitivamente, vale a pena conhecer mais sobre o som da banda — altamente recomendável.
Setlist:
Burn it Again
The God of All Mistakes
Dark Echoes
Wake Up The Blind
Unfold
Day 7




MESHUGGAH:
Uma das bandas mais aguardadas do dia, os suecos do Meshuggah chegaram como um verdadeiro trator para colocar o Knotfest abaixo. Com um som extremamente pesado e técnico, a banda — formada por Jens Kidman (vocal), Fredrik Thordendal e Mårten Hagström (guitarras), Dick Lövgren (baixo) e Tomas Haake (bateria) — abriu o set com “Broken Cog”, uma faixa mais lenta e cheia de groove. Em seguida, “Rational Gaze” levou todos a baterem cabeça e pular, com sua levada igualmente groovada. “Kaleidoscope” foi um verdadeiro arrasa-quarteirão, enquanto “God He Sees in Mirrors” se destacou como a mais pesada entre todas as bandas até então. Que som foda!
Com muita interação, Kidman agradeceu repetidamente ao público pela recepção calorosa, e a resposta foi sempre de muita empolgação. Muitos presentes comentaram que o show do Meshuggah foi o melhor do festival até aquele momento, elogiando sem parar a banda. A trinca final foi matadora: “Future Breed Machine”, carregada de peso e velocidade; “Bleed”, que fez todos lembrarem do icônico videoclipe e das expressões inconfundíveis de Kidman; e “Demiurge”, que encerrou o set com o público aplaudindo e gritando intensamente. Ficou claro que o Meshuggah é uma banda imperdível ao vivo, mesmo para quem ainda não conhece bem o som deles.
Setlist:
Broken Cog
Rational Gaze
Perpetual Black Second
Kaleidoscope
God He Sees in Mirrors
Born in Dissonance
Future Breed Machine
Bleed
Demiurge




PROJECT 46:
Cheios de energia e atitude, os brasileiros do Project46 — formado por Caio MacBeserra (vocal), Vini Castellari (guitarra), Baffo Neto (baixo) e Japa (bateria) — entregaram um show intenso, apesar do set ter sido cortado devido a um atraso causado por problemas técnicos, que continuaram durante a apresentação, principalmente no som. Mesmo assim, o público não ficou parado e agitou muito do início ao fim.
“Violência Gratuita” foi um verdadeiro soco na cara, com peso e agressividade impressionantes. “4six”, lançada recentemente, foi tocada pela primeira vez no festival. Já “Pode Pá”, apesar de um problema que deixou a guitarra de Castellari sem som, fez o público pular e cantar o refrão a plenos pulmões. O set foi encerrado com “Foda-se (Se Depender de Nós)”, que, apesar dos contratempos, manteve a energia em alta. Mesmo prejudicada pelos problemas técnicos, a banda não perdeu seu brilho e, para mim, foi uma das grandes surpresas do festival. Vale muito a pena conferir mais vezes!
Setlist:
Atrás das Linhas Inimigas
Violência Gratuita
4six
Erro +55
Pode Pá
Foda-se (Se Depender de Nós)




AMON AMARTH:
A hora dos vikings chegou, e o Amon Amarth trouxe ao Knotfest uma estrutura impressionante. Duas estátuas gigantes adornavam os lados do Knotstage, enquanto a base da bateria simulava um barco viking. Com muito carisma e paixão, Johan Hegg (vocal), Olavi Mikkonen e Johan Söderberg (guitarras), Ted Lundström (baixo) e Jocke Wallgren (bateria) dominaram o palco principal, sendo uma das bandas mais aguardadas do festival.
“Guardians of Asgaard” já conquistou o público de cara, uma faixa incrível e cheia de energia. “The Pursuit of Vikings” elevou ainda mais a empolgação, com seu ritmo envolvente, enquanto “Deceiver of The Gods” acelerou o ritmo, trazendo um Death Metal impecável e incendiando os mosh pits. “Put Your Back Into The Oar” foi o momento em que o famoso row pit aconteceu, com o público sentado no chão, simulando uma remada em sincronia com o ritmo da música — uma experiência única (porém meio vergonha alheia, diga-se), que destacou a paixão dos fãs pela banda e tornou o show ainda mais especial.
“Shield Wall” trouxe muito peso e fez todos baterem cabeça, mas foi “Raise Your Horns” que criou o momento mais épico do festival. Com a chuva caindo enquanto o público entoava o poderoso “ooooohhhhh” e a iluminação do palco complementava a cena, essa certamente foi uma lembrança marcante para todos presentes.
Setlist:
Guardians of Asgaard
Raven’s Flight
The Pursuit of Vikings
Deceiver of The Gods
Heidrun
Put Your Back Into The Oar
The Way of Vikings
First Kill
Shield War
Raise Your Horns
Crack The Sky
Twilight of The Thunder God








KRISIUN:
Sem perder tempo, os gigantes do Death Metal nacional — Alex Camargo (vocal, baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria) — começaram seu show com muito barulho, entregando “Ominous” e “Combustion Inferno” com uma perfeição técnica impressionante, mesmo em meio a todo o caos sonoro.
“Blood of Lions” trouxe ainda mais peso ao festival, destacando-se como a melhor faixa do setlist e animando os mosh pits próximos ao palco. Max é uma verdadeira máquina, e sua habilidade atrás do kit de bateria é surreal. Moyses interagiu bastante com o público, agradecendo a presença de todos, falando sobre a honra de representar o metal nacional no festival e incentivando a formação de mais moshs.
“Scourge of The Enthroned” e “Serpent Messiah” encerraram o setlist com uma avalanche sonora, não deixando pedra sobre pedra e proporcionando uma verdadeira aula de Death Metal.
Setlist:
Ominous
Combustion Inferno
Blood of Lions
Scourge of The Enthroned
Serpent Messiah








MUDVAYNE:
O Mudvayne, formado por Chad Gray (vocal), Marcus Rafferty (guitarra), Ryan Martinie (baixo), Matthew McDonough (bateria) e um guitarrista cuja identidade não foi revelada, fez sua estreia no Brasil, atendendo a muitos pedidos dos fãs, no Knotstage. O show começou com todos cantando junto a clássica “Not Falling”. O peso aumentou com “Internal Primates Forever”, que fez todo o estádio vibrar enquanto o público pulava e batia cabeça.
“Fall Into Sleep” foi outra faixa que surpreendeu pelo peso ao vivo, destacando o trabalho vocal impressionante de Chad. “Death Blooms” trouxe uma carga emocional intensa, com o baixo de Martinie dominando a faixa e Chad mostrando um alcance vocal impressionante, tanto nos momentos mais gritados quanto nos mais limpos. Vale ressaltar a maquiagem de Chad, que marcou o início da banda e se mostrou ainda mais impactante ao vivo. O restante da banda também estava bem trajado, com Rafferty e McDonough usando as cores da bandeira brasileira no rosto.
Na sequência, “Dull Boy” e “Determined” cravaram a expectativa pela vinda da banda ao país, que foi recebida com muita paixão pelos fãs. Em “Nothing to Gein”, Chad deu tudo de si em uma apresentação carregada de emoção, que ficará marcada na memória. Rumo ao final, e com todos em êxtase, eles entregaram um épico na forma de “World So Cold”, com Chad pedindo a todos que ligassem as lanternas dos celulares (e alguns isqueiros, mesmo sob a fina chuva), iluminando todo o estádio.
Para fechar, nada melhor do que a arrebatadora “Happy?”, com cada nota sendo ovacionada pelo público, que já se encontrava sem voz, seguida de “Dig”, com seu baixo característico, bateria insana e vocais que embalaram um mosh pit gigante, com muitas cabeças batendo e pulos por todo o lugar.
O Mudvayne entregou tudo e mais um pouco aos fãs que tanto pediram pela sua vinda ao país. Chad agradeceu pela presença de todos, dizendo que o metal o salvou incontáveis vezes (assim como muitos dos que estavam presentes), elogiando a comunidade do rock e prometendo retornar ao Brasil para mais apresentações. Uma noite épica, meus caros!
Setlist:
Not Falling
Silenced
Internal Primates Forever
Fall Into Sleep
-1
Death Blooms
Dull Boy
Determined
Under My Skin
Nothing to Gein
World So Cold
Happy?
Dig








RATOS DE PORÃO:
Uma das maiores bandas punks do país chegou ao Maggot Stage sem iluminação, deixando muitos confusos sobre o que poderia estar acontecendo. No entanto, mesmo com essa falha técnica, que levou a banda a brincar em diversos momentos, João Gordo (vocal), Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) entregaram um show brutal, veloz e cheio de atitude.
“Alerta Antifascista” aqueceu os motores, e na sequência “Aglomeração” manteve o público em movimento. Ambas as faixas são do disco mais recente da banda, Necropolítica (2022), e foram muito bem encaixadas no setlist entre tantos clássicos. João Gordo até brincou que estavam tocando sem iluminação porque era seu aniversário, arrancando risadas do público. Em determinado momento, as luzes do palco principal foram acesas, melhorando a visibilidade da banda, mas não resolveram completamente a questão da iluminação.
“Morrer” e “Mad Society” são pedradas que, ao vivo, ficam ainda melhores, mostrando a garra da banda, que, mesmo após tantos anos, ainda tem muita vontade de estar no palco, tocando como malucos. “Beber Até Morrer” e “Aids, Pop, Repressão” colocaram o palco abaixo mais uma vez, com Boka se destacando muito na bateria. Sua precisão e velocidade impressionam, servindo como uma verdadeira aula de como tocar Punk/Hardcore.
Apesar dos percalços, o Ratos de Porão fez jus à sua fama e entregou uma apresentação marcante. Minha segunda vez assistindo à banda só fez aumentar meu fanatismo por eles.
Setlist:
Alerta Antifascista
Aglomeração
Amazônia Nunca Mais
Farsa Nacionalista
Lei do Silêncio
Morrer
Mad Society
Crianças Sem Futuro
Sofrer
Crucificados Pelo Sistema
Conflito Violento
Beber Até Morrer
Aids, Pop, Repressão
Crise Geral








SLIPKNOT:
Chegou o momento mais esperado da noite: a primeira apresentação do Slipknot com o baterista Eloy Casagrande no Brasil. O clima no show anterior já estava tenso, com todos guardando energia e expectativa para o início do show, que era palpável no ar.
Por volta das 21h20, os primeiros sons começaram a sair dos amplificadores, e Corey Taylor (vocal), Shawn “Clown” Crahan (percussão), Mick Thomson (guitarra), Jim Root (guitarra), Sid Wilson (DJ), Alessandro Venturella (baixo), Michael “Tortilla Man” Pfaff (percussão), o “New Guy” (samples) e Eloy Casagrande (bateria) subiram ao palco. O público gritou incansavelmente o nome do baterista, e a banda já mandou o petardo “(sic)”, com o grito “here comes the pain” explodindo no estádio. “Eyeless” começou a formar os primeiros mosh pits, que se expandiram a cada nota tocada pela banda. O refrão da música, extremamente forte, foi cantado por todos, mas ainda assim era possível sentir a potência vocal de Corey, que está em uma de suas melhores formas ultimamente.
Quando “Wait and Bleed” começou, a chuva, que alternou entre parar e se manter constante durante o dia, caiu com força. Aliado aos moshs e às pessoas pulando, tudo se transformou em um grande caos. Porém, entenda-se o caos como uma das melhores experiências que um fã de metal, do Slipknot e de shows pode presenciar. O êxtase e a emoção de estar presente naquele momento eram tão grandes que ninguém se importava com a fumaça dos sinalizadores, a chuva ou o espaço cada vez mais apertado… tudo ali era festa e alegria. No final da faixa, o público gritou o nome de Corey, que agradeceu pela presença de todos naquela primeira noite.
“Before I Forget” fez o estádio todo pular e cantar, com o refrão soando como uma bomba atingindo o solo. Depois, uma sequência matadora: “Disasterpiece”, “Psychosocial” (uma das minhas favoritas), a mais cadenciada “The Devil in I”, a ultra pesada “The Heretic Anthem”, que foi um dos pontos altos do show, com o refrão novamente soando como uma explosão, e “Unsainted”, também cantada em uníssono.
Corey cantarolou o início de “Custer”, que trouxe Eloy destruindo o kit, com batidas parecidas com marretas acertando a bateria. Presenciamos o porquê de a banda ter acertado na escolha e como ele se encaixou perfeitamente no som insano e técnico do Slipknot. “Prosthetics” chegou com sua levada mais estranha e pesada, e enquanto isso, uma “torre humana” começou a se formar no meio do público. Embora não tenha sido muito alta, foi um momento que chamou a atenção de todos, e “Vermilion”, cantada com muita força e paixão por todos, fechou essa primeira parte do show.
Enquanto a banda deixava o palco para retornar para o encore, o público continuou a gritar o nome de Eloy Casagrande. Corey interagiu mais com o público, dizendo que era lindo estar de volta ao país, perguntou se todos haviam se divertido com as bandas que se apresentaram no dia e pediu silêncio a todos para abrir espaço para o começo memorável de “Duality”, que foi cantado por todos.
Esse, para mim, foi o ponto alto do festival. Todos estavam na mesma sintonia, cantando, pulando, correndo no mosh e vivendo o melhor momento possível. Em especial, lembrei-me de um primo que faleceu recentemente e que era muito próximo a mim. Costumávamos assistir ao clipe dessa música quando éramos crianças (decoramos sem saber falar inglês direito), e estar presente naquele momento foi uma emoção sem tamanho, uma forma de homenageá-lo.
Se aproximando do fim, “Spit It Out” tirou do fundo de nossas almas a energia suficiente para cantar e pular, enquanto a banda tocava insanamente no palco, com Corey comandando a todos como um maestro do caos. Não tivemos a famosa paradinha para o “jumpdafuckup”, mas o público o fez mesmo assim. Encerrando a apresentação, “Surfacing” chegou como nosso novo hino nacional, mandando todos se foderem e destruindo o que restava do Knotfest. No fim, toda a banda foi ovacionada pelo público, especialmente Eloy, que agradeceu o carinho dos fãs.
Chegava ao fim o primeiro dia do festival, que teve um saldo muito positivo e entregou tudo o que os fãs pediram. Eu, como fã da maioria das bandas e conhecendo algumas pela primeira vez no dia, senti que foi a realização de um sonho, mais do que poderia imaginar. Viva o Slipknot!!
Setlist:
(sic)
Eyeless
Wait and Bleed
Before I Forget
Disasterpiece
Psychosocial
The Devil in I
The Heretic Anthem
Unsainted
Custer
Prosthetics
Vermilion
Duality
Spit It Out
Surfacing















