L.A. Guns – “The Devil You Know” (2019)

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L.A. Guns “The Devil You Know” (2019) 
Frontiers Music
#SleezeMetal#HardRock#HeavyMetal

Para fãs de: AerosmithSaxon

Nota: 9,5

Entres idas, vindas, hiatos e versões alternativas de formação, eis que o LA Guns, firmado na dupla Tracii Guns e Phil Lewis, lança o sucessor do bem recebido “The Missing Peace” (2017) e continua mandando muito bem seu recado através de uma sonoridade que oscila entre o estilo Sleeze clássico, que a banda ajudou a colocar em voga nos anos 80, e uma tendência retrô, revisitando o Hard Rock setentista com muito bom gosto, além de não perder o gosto pelo peso do Metal Britânico, que a banda começou a adotar especialmente desde “Waking The Dead” (2002).

Eu adoro o timbre da guitarra de Tracii Guns! Tá legal, o cara pode nunca ter sido um guitar hero de primeira linha da cena Glam/Sleeze de Los Angeles, mas tem personalidade e sabe empunhar uma Gibson e tirar proveito de seu timbre com pouco mais do que um Overdrive e um Marshall bem equalizado: e isso tem valor em um guitarrista de Rock and Roll. Além disso, o cara tem bastante repertório, desfilando bases pesadíssimas, como em “Stay Away”, chegando a um blue grass na introdução de “Loaded Bomb”, uma puta sonzeira Hard Rock das boas na linha Aerosmith, que já nasce clássica – tendo talento ainda para puxar um riff bem Tony Iommi na faixa título, que é pesada pra caralho. E, para encerrar o parágrafo dedicado ao Tracii Guns, seus solos sempre mesclam feeling com uma precisão técnica impressionante.

Phil Lewis e seu vocal afetado e performático continuam em forma e também é destaque neste álbum, emprestando bastante emoção na power ballad “Another Season In Hell”, que conta com um belíssimo solo de guitarra, sendo mais uma que merece menção. Em “The Devil You Know”, talvez tenha conseguido sua melhor performance vocal de todos os tempos, ao lado da grandiosa “Going High”. Mas, quando faz o simples e nos devolve aos tempos do Sleeze das antigas, como em “Needle To The Bone” e “Gone Honey”, o faz com muita propriedade também.

O restante da banda segura a onda numa boa, conferindo um aspecto de bastante peso e intensidade ao álbum como um todo, cuja produção também é de alto nível e soube explorar os tons mais graves dos instrumentos, contrastando com os vocais agudos de Phil, criando movimento e tensão melódica na medida.

Eis que, entre os ressurgimentos das bandas oitentistas de Los Angeles, o LA Guns encerra a década com um álbum muito forte, no qual demonstra estar se reinventando, investindo em peso, sem deixar de lado o DNA que só possuem as bandas que andaram pela Sunset Street naqueles tempos, demonstrando que dá para envelhecer sem se tornar um velho chato que conta sempre aquela mesma velha história.

Wallace Magri

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