Lacuna Coil – Bar Opinião, Porto Alegre/RS (11/02/2020)

lacunacoil_2020
Compartilhe

Banda principal: Lacuna Coil
Banda de abertura: Uncured
Local: Bar Opinião, Porto Alegre/RS
Data: 11/02/2020
Produção: Liberationmc
Assessoria: 
The Ultimate Music

Texto e fotos por José Henrique

No último dia 11, os italianos do Lacuna Coil desembarcaram em Porto Alegre depois de sete anos deixando a capital gaúcha de fora do itinerário das turnês. De brinde, trouxeram o quarteto nova-iorquino Uncured como banda de abertura. Apesar de o horário não ser dos melhores — 20 horas —, um bom público tomava conta dos arredores do tradicional Bar Opinião desde cedo.

UNCURED

Com pontualidade britânica, o Uncured iniciou sua apresentação com “Desecration” e “Sacrifice”, dobradinha de seu último álbum, “Epidemic” (2019). De cara nota-se que os irmãos Zak e Rex Cox (guitarras e vocais), Micah Smith (baixo) e Liam Manley (bateria) são músicos extremamente técnicos, executando o que nos acostumamos a chamar de Progressive Death Metal, com alguma influência de Nü Metal e Industrial Metal. Destaque para “Death Valley” e suas inúmeras variações.

Apesar da pouca idade de seus integrantes, o Uncured soa como uma banda veterana tamanho é o seu domínio do palco. Com o público na mão, Rex agradece pela receptividade e anuncia que precisará da ajuda de todos na música seguinte: nada menos que “Roots Bloody Roots”, do “poderoso Sepultura”, como definiu o vocalista. Como todos os presentes sabiam a letra, a casa veio abaixo. A satisfação no rosto dos quatro diante da aprovação do público à sua versão da música era nítida. Ainda não disponível em formato físico, o cover já se encontra em todas as plataformas digitais.

Ao fim dos 40 minutos do show, uma coisa fica clara: o Uncured está destinado a ser grande. Não deixe de conferir!

Setlist Uncured:

Resist the Infection
Sacrifice
Myopic
Death Valley
Nothing Bur Disease
Opium
Roots Bloody Roots (Sepultura)
Blinded By Demise

 

LACUNA COIL

Após um intervalo de meia hora, apagam-se as luzes, a introdução começa a tocar e um a um os integrantes do Lacuna Coil sobem ao palco: Richard Meinz (bateria), Marco Coti (baixo) e Diego Cavalotti (guitarra) dão início aos trabalhos com a pesada “Blood, Tears, Dust”, de “Delirium” (2016), até a entrada de Andrea Ferro e da estrela maior, Cristina Scabbia. “Our Truth” vem logo em seguida e Cristina pergunta se o público já ouviu o novo álbum, “Black Anima” (2019). Após a resposta positiva, é a vez de “Reckless”, uma das melhores do disco, com Andrea tomando a frente nos versos e fazendo dueto com Cristina no refrão.

“My Demons” (de “Delirium”) dá sequência e prepara o terreno para mais uma de “Black Anima”: a veloz “Layers of Time”. Todas as músicas são executadas com perfeição e o carisma da dupla Cristina e Andrea é incrível; um show de interpretação, simpatia e entrosamento. Cavalotti é outro destaque individual, alternando entre peso e melodia, além de solos repletos de técnica e emoção. Marco e Richard sustentam o peso com maestria. Cristina relembrou que fazia sete anos que a banda não vinha a Porto Alegre. “Isso é tempo demais sem nos vermos”, disse. Concordamos, Cristina.

O som do Bar Opinião estava excelente, e a produção do palco, apesar de simples, combinava muito bem com a temática de “Black Anima” e com o clima musical proposto pelo Lacuna Coil, que desbrava “Downfall”, “The House of Shame”, “Sword of Anger” e “Heaven is a Lie” sem dar descanso, mantendo o nível lá no alto. Antes de iniciar “Save Me”, Cristina discursa sobre a importância de não guardar os problemas para si, de procurar sempre a ajuda dos amigos e daqueles que te amam. A potência vocal impressiona até aqueles que já estão acostumados com a sua performance, marcada por notas altíssimas e inúmeras variações. Fantástica! A versão de “Enjoy the Silence”, clássico do Depeche Mode, finaliza a primeira parte da apresentação com o público cantando alto e forte.

Apenas uma hora havia se passado, logo, uma segunda parte do show ainda estava por vir. Após uma troca de figurinos, a banda parte para músicas mais antigas. “Current Obsession”, “Veins of Glass”, “When a Dead Man Walks”, “Soul Into Hades”, “Tightrope” e “Comalies” são tocadas quase sem intervalos, para a alegria dos fãs da fase inicial da banda. Deu pra ver gente chorando de emoção. “Veneficum” interrompe o clima de nostalgia antes do fim definitivo. Prestes a anunciar a reta final do show, Cristina ressalta a importância de não se dar ouvidos às pessoas que só querem nos colocar para baixo. Seu pedido de “cantem junto comigo” é prontamente atendido em “We Don’t Fear Nothing”, sucedida pela clássica “Nothing Stands in Our Way”.

O ano de shows de rock e metal de grande porte em Porto Alegre não poderia ter começado melhor. Resta torcer para que o Lacuna Coil não leve outros sete anos para retornar à cidade.

Setlist Lacuna Coil:

Blood, Tears, Dust
Our Truth
Reckless
My Demons
Layers of time
Downfall
The House Of Shame
Sword of Anger
Heaven’s a Lie
Save Me
Enjoy The Silence (Depeche Mode)
Current Obsession
Veins of Glass
When a Dead Mans Walk
Soul Into Hades
Tight Rope
Comalies
Veneficium
Nothing Stays in Our Way
Compartilhe
Assuntos

Veja também