Pestilence – Burning House, São Paulo/SP (15/07/2026)

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Pestilence – Burning House, São Paulo/SP (15/07/2026)

Produção: Caveira Velha Produções
Abertura: Warshipper

Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino

Quase um ano após sua última passagem pelo nosso país, e em sua terceira visita por aqui, o Pestilence retornou ao Brasil. Uma das pioneiras do Death Metal na Holanda, além de ser uma das precursoras do Technical Death Metal, a banda trouxe a “Entering The Portals Tour 2026”, com data única em São Paulo, na última quarta-feira (15). Com produção da Caveira Velha Produções, o evento ainda contou com a abertura do Warshipper.

Iniciando sua apresentação às 19h45, o Warshipper mostrou o porquê de ser uma das maiores potências do Death Metal nacional da atualidade. Seja pela intensidade de seu show, com uma energia descomunal e uma entrega absurda ao vivo, a banda de Sorocaba foi avassaladora no palco. Inclusive, a banda contou com um novo baterista para a apresentação, Murilo Pasqualino, que havia feito apenas um show com eles no sábado anterior ao show com o Pestilence, mas seu trabalho foi digno de aplausos, entregando uma excelente performance diante de uma musicalidade extremamente brutal e intensa.

Tocando músicas como “All Hail The Metal of Death”, “Numb (Pleasures of Possession)”, “Shadows of Science”, “Respect!” e “Warshipper”, fizeram um set de 35 minutos e, mesmo em meio a toda a brutalidade, ainda agradeciam e brincavam com o público, retribuindo o apoio que vêm recebendo ao longo dos anos e cimentando a importância do seu som no atual momento da música extrema nacional.

Às 21h15, sem cerimônia alguma, o Pestilence subiu ao palco já detonando tudo com a clássica “The Secrecies of Horror”, que também abre o “Testimony of The Ancients” (1991), disco importantíssimo na carreira do Pestilence, pois foi com esse álbum que Patrick Mameli, único membro desde o início, assumiu os vocais, já que tocava guitarra nos dois primeiros discos da banda.

Seguindo com “Morbvs Propagationem” e “Deificvs”, ambas do “Exitivm” (2021), e, entre elas, a destruidora “Dehydrated” (“Consuming Impulse”, 1989), o setlist foi absolutamente recheado apenas com músicas do segundo e do terceiro discos, pilares absolutos não somente do Pestilence, mas também do Death Metal como um todo.

Desde que a banda voltou de seu segundo hiato, em 2016, ainda assim passou por algumas mudanças na formação. A nova dupla de cordas, com Max Blok na guitarra e Dario Rudić no baixo, ambos acompanhando a banda desde 2025, agregou todo um lado mais carismático ao grupo, pois seu líder é um tanto mais comedido na forma de agir, com uma postura mais séria, enquanto os outros membros faziam caretas e se divertiam como nunca, algo muito percebido pelos presentes.

E, falando nisso, como o show circulou entre seus dois discos mais relevantes, não faltaram clássicos monumentais como “The Process of Suffocation”, “Chronic Infection”, a sensacional “Twisted Truth” e até algumas dessa época que nunca tinham sido tocadas por aqui, como “Lost Souls” e “The Trauma”, esta sendo uma das mais surpreendentes, com o próprio Mameli dizendo que fazia um bom tempo que não a tocavam ao vivo.

No meio dessa avalanche, que fez a festa dos fãs mais saudosistas, a banda ainda tocou uma dobradinha do implacável “Resurrection Macabre”, de 2009, com a faixa-título e “Devouring Frenzy”, em outro momento de puro deleite para os fãs, pois esse disco marcou o primeiro retorno do Pestilence desde sua pausa, em 1994, e continua sendo um dos melhores da carreira da banda até hoje.

Voltando para um bis final, para um público ensandecido que já havia batido cabeça freneticamente, além de ter protagonizado várias rodas de mosh durante toda a noite, ainda houve espaço no set para os principais singles da banda, “Land of Tears” e a derradeira “Out of The Body”, com seu clássico riff cavalgado, encerrando uma apresentação de 70 minutos cheia de técnica, precisão, peso e muita violência sonora.

O Pestilence tem seu nome cravado na história do metal extremo, pois ajudou a explorar os limites técnicos do estilo. E ver tantas músicas clássicas ao vivo, ainda mais devido a todo o talento envolvido na gravação dos discos, foi uma verdadeira aula musical.

E, assim como muitas bandas da época, com todo o peso adquirido em relação às gravações originais, tornou a apresentação do Pestilence ainda mais gratificante. Os riffs de “Twisted Truth” continuaram ecoando na minha cabeça após o show. Que o grande Patrick Mameli continue seu legado no estilo, mantendo viva a história de uma banda tão importante, para que ela continue ecoando na mente dos headbangers amantes do metal da morte.

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