Lorna Shore – “I Feel The Everblack Festering Within Me” (2025)

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Lorna Shore – “I Feel The Everblack Festering Within Me” (2025)

Century Media Records | Shinigami Records
#Deathcore #SymphonicDeathcore #BlackMetal #BlackenedDeathcore

Para fãs de: Signs of The Swarm, Shadow of Intent, Mental Cruelty

Texto por Lucas David

Nota: 10

Após tomar de assalto o mundo do metal moderno em 2022 com o incrível “Pain Remains”, o Lorna Shore mostrou que tinha capacidade o suficiente para elevar o nível do Deathcore, trazendo seriedade e calando muitos que falam besteiras sobre o gênero. Com os vocais de Will Ramos mostrando o caminho, muitos seguiram os passos da banda e inundaram as playlists com sons cada vez mais brutais, atmosféricos e buscando mostrar o som mais grotesco que poderiam fazer, alguns beirando o ridículo e caindo na chatice. Felizmente, para nós, o Lorna Shore passou longe disso e nos entrega em 2025 “I Feel The Everblack Festering Within Me”, seu novo álbum de estúdio e mais um passo na conquista do topo do metal extremo.

O novo álbum não traz mudanças estilísticas significativas em relação à fórmula de “Pain Remains”, mas o que faz, o faz com ainda mais brilhantismo. A sensação ao ouvi-lo é a mesma de estar em uma tempestade com pedras, raios e trovões a caminho do inferno. Sim, parece exagero, mas o quinteto foi capaz de trazer um caos tão significativo ao seu som que parecia impossível ter algo “leve” no meio. Porém, a beleza das melodias, das passagens sinfônicas e a atmosfera elegante se misturam e entregam algo até mesmo acessível de uma forma que uma música pesada não deveria ser.

O disco abre com “Prison of Flesh” em uma das músicas mais poderosas que o metal produziu. A faixa vai crescendo com alguns sons de bateria até despencar em um ataque frenético de blast beats e com os vocais de Ramos mostrando o porquê de ser um dos melhores vocalistas atualmente. Seu arsenal é impressionante com rosnados, gritos e guturais atingindo alturas e profundidades até então desconhecidas. A faixa ainda conta com um breakdown que chega ao mesmo nível de “To The Hellfire” e consegue causar o mesmo espanto em quem ouve. “Oblivion” chega na sequência e como primeiro single mostrou ao que veio. A faixa investe forte no Blackened Death Metal com vocais rasgados, riffs gélidos da dupla Adam de Micco e Andrew O’Connor, além do baixo ultra pesado de Michael Yager e da bateria punitiva de Austin Archey. O refrão fica na cabeça e logo você estará berrando com toda força, tentando chegar perto do que Ramos faz, além do breakdown igualmente insano e um dos melhores do disco.

Os corais melódicos e as sinfonias tomam conta do início de “Death Can Take Me” até Ramos surgir como uma fera despejando guturais insanos, com uma parede de riffs de guitarra empurrando o ouvinte para trás, enquanto a bateria metralha os ouvidos sem misericórdia. Nesse ponto fica até repetitivo elogiar o trabalho de Archey atrás do kit. O músico consegue dominar a bateria como poucos, seja na velocidade absurda ou nos momentos mais lentos onde ele esmurra o instrumento sem piedade. Sua capacidade e talento também são fatores que ajudaram a banda alcançar o status que tem hoje. Na sequência “War Machine” acaba se apresentando como a faixa mais curta do disco – mesmo com mais de quatro minutos – porém é uma das mais brutais, indo direto na jugular com um ritmo para bater cabeça em um Death Metal poderoso.

Com uma quantidade enorme de excelentes discos sendo lançados esse ano, a competição ficou mais acirrada, porém o Lorna Shore buscou entregar algo que beira a perfeição e sabia disso. A produção mais do que cristalina ajudou a banda mostrar todo seu potencial, cravando em pedra o nome da banda para que as futuras gerações saibam quem eles foram. “I Feel The Everblack Festering Within Me” é um disco para ser ouvido sem interrupções, para que todos os detalhes sejam absorvidos, mesmo que ao final você tenha a sensação de correr uma maratona. A dominação mundial nunca pareceu tão caótica, bela e poderosa e o Lorna Shore não tem a intenção de parar por aqui.

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