Flesh Grinder – “Biacromioxifopubiano” (2025)

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Flesh Grinder – “Biacromioxifopubiano” (2025)

Black Hole Productions
#Goregrind #Splatter #DeathMetal

Para fãs de: Haemorrhage, Pathologist, Carcass, Dead Infection, Lymphatic Phlegm

Texto por Ricardo Leite Costa

Nota: 9,0

A exaltação da degradação! A dramatização da autólise tissular sedimentada em pútridas notas dissonantes! O Flesh Grinder está de volta, caríssimos, e podemos esperar uma autêntica descarga de goregrind miasmal oriunda da mais gélida mesa de necropsia.

“Biacromioxifopubiano” (nome dado à incisão em formato de “Y” realizada em cadáveres a fim de expor e examinar os órgãos internos) é o novo álbum do quarteto catarinense, referência do Splatter Death Metal nacional. A morte enquanto fenômeno químico e fisiológico sempre foi o cerne lírico-estrutural que norteou a banda nessa jornada e, assim sendo, seria mais que providencial traduzir esse universo tão escabroso e fascinante ao mesmo tempo em uma música imunda, densa e asquerosa, mas feita e reproduzida com um conhecimento de causa ímpar.

“Biacromio…” (vou abreviar, pois a complexidade do vocábulo pede) perfaz uma audição pesada, grosseira, ofensiva, mas, ao mesmo tempo, muito bem conduzida, dentro de uma sonoridade à qual já estamos mais que ambientados após tantos anos de uma frutífera e sólida carreira. Esse novo registro soa como uma revitalização de toda sua trajetória para os tempos atuais, preservando a brutalidade primitiva, mas com a expertise adquirida em uma vida dedicada à extremidade sonora — o que faz “Biacromio…” soar tão bem e tão desgraçado ao mesmo tempo.

Quanto ao tracklist, são títulos que poderiam figurar em qualquer capítulo de um compêndio de medicina legal: iniciando com a própria faixa-título e explorando toda a decadência e degradação do corpo humano em “Tanatognose”, seguindo pelo processo de lise tecidual transfigurado em música em “Green Bacterianus”, “Artificiais Patologia”, “Fenômeno Abiótico Transformativo Destrutivo”, enfim, em todo o disco. É Death, Splatter, Goregrind — chame como quiser —, mas é arte das melhores; é música de qualidades muito distintas para públicos igualmente distintos.

“Biacromioxifopubiano” é a catarse putrefata, a magnitude do grotesco, de uma banda que ajudou a pavimentar o caminho para algumas das propostas extremas mais obscuras, não só do Brasil, mas do mundo. O Flesh Grinder detém todos os méritos nisso. Uma obra para quem tem os ouvidos amaciados e a alma já invariavelmente corrompida.

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